“Somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro.”
(PROVÉRBIO INDÍGENA)
TERRA: UMA SÓ CASA
VIVER COMO SE HOUVESSE O AMANHÃ
Lula caminha na direção correta ao confrontar a fome — no Brasil e no mundo — enquanto combate a devastação ambiental. Não se trata apenas de uma agenda política de ocasião, mas de uma visão futurista necessária em defesa do amanhã.
A fome é um fantasma milenar. Foi a urgência em suprir demandas tribais que transformou o Homo sapiens de coletor em agricultor, encerrando o nomadismo e dando origem aos primeiros povoados e cidades. Passados cerca de dez mil anos, a produção de alimentos tornou-se científica e tecnológica, especialmente após a Revolução Industrial e a era da informática.
Entretanto, o problema persiste. Transformamos o sustento em mercadoria de lucro para o sistema capitalista. Mesmo com tamanha tecnologia, a riqueza acumulada em poucas mãos deixa quase 830 milhões de pessoas em estado de fome no mundo.
A crise é agravada por cicatrizes recentes: a pandemia da Covid-19, a guerra na Ucrânia e a aceleração das mudanças climáticas. Não é mais uma simples questão de luta de classes entre proprietários e assalariados, ou entre o senhor feudal e o servo. É um embate globalizado onde uma minoria concentra tecnologias e recursos naturais, enquanto a massa não consegue suprir o básico para viver com dignidade.
Não se trata de defender fronteiras ou bandeiras ideológicas isoladas. Precisamos compreender que habitamos um planeta que ainda pulsa, que ainda oferece água potável e germina sementes, mas que já não suporta a engrenagem desenfreada do consumismo.
A Terra é uma só. Sem ela, não haverá chão para o plantio, nem água para a sede, nem broto para a vida. O que deixaremos para as gerações futuras? Precisamos, urgentemente, viver como se houvesse um amanhã a ser preservado.