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RESUMOS/ÁUDIO/LIVROS
O autor explora a narrativa de maneira inovadora, misturando realidade e ficção, refletindo sobre a vida e o processo de escrita em uma trama entrelaçada com elementos fantásticos e metafóricos.
O que acontece quando a realidade é mais estranha, mais brutal e muito mais engraçada que qualquer ficção?
Esta coletânea é um mapa de memórias viscerais. Aqui, a lealdade significa carregar um goleiro bêbado que insiste em recitar poesia morro acima na véspera da final. A genialidade é “consertar” uma TV até que ela exploda na frente dos seus futuros cunhados. Juidson nos guia por uma geografia afetiva única. É um mundo com gosto de maresia e óleo diesel.
PRIMEIRA PARTE
CONTO 1: O Nariz do Goleiro
A véspera da grande final do campeonato na Ilha do Governador prometia ser de concentração, mas a boemia tinha outros planos. A épica via-crúcis de carregar o próprio goleiro bêbado, que insiste em declamar poesias aos ventos.
CONTO 2: Bar do Rafa
No Bar do Rafa, epicentro da boemia, dezenas de pardais encharcados despencam do céu. Em um pacto de canalhice coletiva, os presentes fingem não ver os pássaros para convencer o Velho Maia de que ele está tendo alucinações.
CONTO 3: O Desmontador
A Copa do Mundo vira um cenário de guerra quando João Carlos — um estudante com perigosos delírios de cientista maluco — decide consertar a TV, resultando em fumaça, palavrões e o terror de um louco com uma chave de fenda.
CONTO 4: Rampa do Zumbi
Um domingo ensolarado que esconde duas tragédias: uma emocional e outra literal. Enquanto o protagonista se perde em um ajuste de contas sobre um antigo triângulo amoroso, a poucos metros dali, um banhista desaparece sob as águas escuras de óleo da Baía. Um drama visceral sobre como nossos conflitos internos e egoísmos podem nos cegar para a morte silenciosa que acontece ao nosso lado.
CONTO 5: Uma Noite Agitada
Em "Uma Noite Agitada", Dan é convencido por seu amigo Luiz a servir de álibi em uma arriscada visita noturna à bela Júlia, que é noiva de um homem violento e vingativo conhecido como "Apache". O pretexto inicial foge do controle quando o enfurecido noivo surge das sombras e toma o inocente Dan como seu verdadeiro alvo.
SEGUNDA PARTE
CONTO 6: Antes e Depois do Ônibus Passar
O alvorecer poético na Baía contrasta com a crueza de dois amigos injetando heroína. A libertação desse peso existencial vem de forma inesperada: o monólogo esquizofrênico de um motorista de ônibus que oscila entre o êxtase do paraíso carioca e a reclamação amargurada sobre suas hemorroidas.
CONTO 7: Ignorância Fúnebre
Uma história onde a finitude da vida e a ignorância sobre os mistérios da morte se cruzam em situações tragicômicas e reflexivas, marca registrada do olhar satírico do autor.
CONTO 8: O Despachante dos Tesouros
O lendário despachante Manuel Moura e sua frieza impecável são colocados à prova quando uma retaliação sindical tranca um carregador novato no porão de cargas do exato voo em que ele escolta pedras preciosas.
CONTO 9: O Episódio do Saquinho de Vômito
O terrível batismo de fogo da faxineira Zená. Uma comédia escrachada sobre o sadismo de um piloto que inventa uma conspiração para pregar uma peça escatológica e inesquecível na novata.
CONTO 10: O Nadador Solitário
O garçom Jaime Romano narra a lenda de um nadador brilhante que nunca mais voltou ao mar. O que ele conta como a tragédia de um estranho é, na verdade, a sua própria história fraturada pelo espectro autista.
CONTO 11: Uma Porta se Abre
Em uma turma técnica focada em engrenagens e cálculos, vislumbres de Monet e Picasso provocam uma epifania irreversível. Exausto da rigidez das fórmulas, o jovem decide trancar a matrícula às vésperas da formatura, abraçando os riscos da Arte.
Você já tentou deletar a saudade apertando um botão?
A história é narrada por Timbó Santero, um caipira de lugar incerto e não sabido. Devido a um acontecimento trágico, ele parte para a cidade grande; porém, ao deixar a estação, é injustamente acusado de assalto e torna-se um foragido.
Mesmo sem saber ler ou escrever, ele usa o computador de sua amada, Rosália, para narrar ao seu advogado os motivos de sua fuga. O resultado é uma narrativa trágica e terrivelmente engraçada — uma luta pela sobrevivência que destaca a importância da resistência e da educação.
O extraordinário mora na porta ao lado.
👇 CLIQUE PARA OUVIR OS RESUMOS DOS 13 CONTOS
CONTO 1: DELÍRIO DE PARA-BRISA
O tormento do senhor Antenor é reconstruir a memória em uma cidade afogada por uma tempestade implacável. Um mergulho irônico nas águas turvas da sanidade e do amor familiar.
CONTO 2: O CONTADOR SUPERSTICIOSO
Às vésperas de desfrutar de sua aposentadoria, este contador se vê refém de uma obsessão paralisante por coincidências numéricas. Uma jornada sarcástica sobre tentar somar dois mais dois sem enlouquecer.
CONTO 3: O PROFESSOR DO JORGE
O que deveria ser um simples trajeto até o posto de gasolina transforma-se em uma vertiginosa aula indesejada sobre a complexidade quântica, arremessando Jorge de volta aos labirintos de sua juventude.
CONTO 4: JABUTICABA DO MEU CÃO
O que era para ser um café em paz vira uma ditadura domiciliar imposta por um cão exigente. Um thriller de humor ácido onde sangue, raízes e segredos se misturam no quintal.
CONTO 5: ZANGUINHA
Um morador pacato descobre da pior maneira que a vida em condomínio é uma teia. Os latidos noturnos da cadelinha da vizinha escondem uma reviravolta humilhante sobre os próprios roncos do narrador.
CONTO 6: A MORTADELA DA VIZINHA
Uma nova casa, uma vizinha misteriosa e uma mortadela caseira de presente. Enquanto o narrador saboreia o brinde, as peças macabras de uma vizinhança sinistra começam a se encaixar.
CONTO 7: O CARRO DA SENHORA MIRTES
Quando o calhambeque teimoso da senhora Mirtes é furtado, a tragédia automotiva transforma-se num castigo para o azarado ladrão, provando que a melhor segurança pode ser uma bela falha mecânica.
CONTO 8: A CURA INESPERADA
A rotina de constrangimentos da jovem estagiária escalada para dar banho em um idoso tarado colide com um cenário absurdo quando um traficante baleado se torna seu novo vizinho de quarto.
CONTO 9: UMA NOITE SURREAL
O vento uiva e um som perturbador preenche a escuridão com prenúncios sobrenaturais e delírios de filmes de faroeste. O maior roteirista de terror que existe é a imaginação humana despertada de madrugada.
CONTO 10: MISTÉRIO DO CELEIRO
A tensão aumenta ao investigar o suposto abandono de um bebê num sótão escuro. O silêncio sepulcral esconde um perigo muito mais predatório e inusitado do que se poderia imaginar.
CONTO 11: O ENCANADOR QUE ENTROU PELO CANO
Um problema banal se transforma num verdadeiro desastre quando um encanador extremamente desastrado acaba provocando a completa destruição de um patrimônio histórico.
CONTO 12: VIAJANDO DE MALA E CUIA
O reencontro familiar melancólico de um casal de idosos gaúchos transforma-se num caótico e hilário choque cultural ao chegarem à casa da filha no Rio de Janeiro, com direito a "mate gelado".
CONTO 13: O ESTRANHO CASO DO MÉDICO RODOVIÁRIO
A escuta de uma conversa alheia revela o mistério de um dedicado médico de resgate que largou a profissão para viver como eremita. Um conto carregado de ironia ácida que subverte as expectativas.
Quase Contos, Quase Crônicas...
DE FRIO E CALOR"Existem momentos em que a vida parece um filme antigo passando na televisão de um prefeito: cheio de chuviscos, mas impossível de parar de assistir."
Somos guiados por um labirinto de emoções entre o frio da saudade e o calor de um abraço inesperado. Histórias profundamente humanas.👇 CLIQUE PARA OUVIR OS RESUMOS DOS 28 CONTOS
CONTO 1: CRAVOS VERMELHOS
Gido observa o mundo pela janela. Por trás de sua quietude, esconde-se a profunda ausência e o peso da saudade revelado aos domingos.
CONTO 2: A FEITICEIRA DO FOGO
Misturar o ar gelado com a brasa do forno pode entortar a boca. Entre o ceticismo e o medo, um menino descobre que a magia pode estar escondida na cozinha.
CONTO 3: TV DO PREFEITO
A casa do prefeito torna-se palco de uma descoberta inusitada e de uma hilária discussão para saber se a imagem na tela é uma tempestade ou apenas um chuvisco.
CONTO 4: MOMENTO ÍNTIMO
A primeira paixão platônica do jovem Marquinhos gera voos românticos que são hilariamente interrompidos quando a voz de sua mãe ecoa na porta do banheiro.
CONTO 5: CASTIGO E HUMILHAÇÃO
A solidariedade infantil para proteger um colega colide com a crueldade da diretora, mostrando as consequências drásticas de um castigo público.
CONTO 6: O MENINO ENFERMO
Preso a uma cadeira após uma inflamação, um menino descobre em sua longa convalescença a força invisível do amor maternal de sua avó.
CONTO 7: AS LIÇÕES CLANDESTINAS
Num colégio de freiras, uma jovem professora ensina Tolstói às escondidas, plantando sementes da liberdade contra a rigidez institucional.
CONTO 8: O SUSTO
Uma manhã de calor insuportável torna-se palco de um resgate épico quando o neto se depara com o avô inerte na piscina, numa reviravolta frustrante e cômica.
CONTO 9: A SOLIDÃO NÃO ESCOLHIDA
Um desabafo cru sobre o luto por aquela velha e reconfortante solidão voluntária da infância, perdida em meio ao isolamento forçado moderno da pandemia.
CONTO 10: CHEGANDO ATRASADO (SEM PONTO)
Escrito sem um único ponto final, o conto é um mergulho visceral na ansiedade urbana e na corrida rítmica e sufocante pela sobrevivência.
CONTO 11: O SONHO DA CONFEITARIA COLOMBO
Nas calçadas de Copacabana dos anos 1960, a missão de buscar salgadinhos transforma-se numa promessa embalada pelo desejo de viver um sonho.
CONTO 12: ESTRANHO INVASOR
Um homem sente-se oprimido por uma força externa e entra em uma crise existencial, até descobrir que o verdadeiro tirano na cozinha é hilariamente pequeno.
CONTO 13: NOVA AMIZADE
A solidão de um leitor é quebrada por uma silenciosa lagartixa em sua estante. Um vínculo mudo que ganha ares poéticos ao lado de livros de sabedoria oriental.
CONTO 14: FOME DE CÃO
A madrugada sombria é rompida por latidos. O que parece um conto de terror brutal sofre uma reviravolta genial, provando que o pior monstro é o tédio humano.
CONTO 15: TUDO NU
O despertar de um homem transforma-se em um pesadelo quando ele percebe que absolutamente todos os tecidos do apartamento sumiram magicamente.
CONTO 16: AMIGO IOGUE
Nirvana ou um chope gelado? Ernesto confronta as contradições do desapego espiritual moderno em uma escolha filosófica e hilária no domingo.
CONTO 17: O SOM QUE NÃO DORME
Um ato de compaixão noturna vira desilusão e, anos depois, ensina uma lição inusitada sobre a caridade e as incompreensíveis muralhas da mente humana.
CONTO 18: SERVIÇO DA MADRUGADA
Um barulho metálico convence um homem de que sua rua é uma cidade-fantasma do faroeste, apenas para ter seu roteiro triturado no café da manhã pela esposa.
CONTO 19: MUNDO DA FAMA
Um rapaz veste sua jaqueta e se sente parte do esplendor de Hollywood, até que uma bronca destrói sua fantasia, revelando a linha tênue entre os holofotes e o crachá.
CONTO 20: O DISCURSO IMAGINADO
Um escritor decide começar sua obra pelo discurso de agradecimento do prêmio literário, criando um atrito cômico com a esposa sobre a sanidade de celebrar o ego.
CONTO 21: NAMORO DOS ANJOS
Uma crônica poética e nostálgica sobre a pureza do primeiro amor, embalada pelo som das ondas e ensinando a melancolia dolorosa das despedidas.
CONTO 22: UM JOGO AQUÁTICO
Quando uma garoa vira um dilúvio épico alagando o campo, um time de garotos transforma a partida num espetáculo surreal de natação e bola.
CONTO 23: O MILAGRE NA BRUMA ROXA
Encurralada por uma acusadora no parque, Mabel é salva por uma intervenção quase mística. Uma figura enigmática em roxo ensina que bondade e mistério caminham juntos.
CONTO 24: CHINELO VIRADO
O eterno cético da turma esconde um único ponto fraco: a lenda de que deixar o chinelo de sola para cima atrai a morte. Uma hilária rotina patrulhando os calçados.
CONTO 25: O RITUAL
Pai e filha celebram o mais antigo feitiço: a leitura antes de dormir. Uma lembrança do pó de fada invisível que fortalece os laços através da simples narrativa em voz alta.
CONTO 26: ESTILO SOBREVIVENTE
Ao tentar imitar o estilo profissional de olhos abertos, um jovem mergulha na água turva e inicia uma cômica luta pela sobrevivência.
CONTO 27: FREQUÊNCIA RARA
Uma mãe busca respostas para o mundo singular da filha e descobre que o espectro não é um defeito, mas uma poética frequência de acessar a vida.
CONTO 28: JURAMENTO DE SANGUE
Um narrador observa o cru relato de um médico nos escombros que luta para preservar a vida e honrar sua profissão em meio ao genocídio e à brutalidade da guerra.
Entre a grande tragédia e a pequena comédia, a vida acontece.
PRIMEIRA PARTE: 1990
Quatro amigos no Bar Salazar (o "Cantinho do Quiabo") discutem desde petiscos até a lentidão da redemocratização. O coração da primeira parte é a dinâmica trágica e cômica movida a chope.
SEGUNDA PARTE: 2020
Trinta anos depois, a pandemia silencia a boemia. O drama existencial é interrompido pelo hilário Sr. Salustiano, cuja visita absurda revela o elo perdido com o passado e oferece, finalmente, a "Causa Nobre".
A literatura e a realidade social cabem no mesmo prato?
Uma fascinante viagem pelo tempo
Crônicas das Efemérides convida você a embarcar em uma fascinante viagem pelo tempo. Através de crônicas envolventes, Juidson Campos explora datas marcantes da história, revelando não apenas os grandes eventos, mas também os pequenos momentos que moldaram nossa cultura e sociedade.Organizado por meses, cada capítulo oferece uma rica tapeçaria de temas, desde celebrações tradicionais até reflexões sobre figuras históricas e eventos significativos. Este livro é um convite para redescobrir a história com um olhar curioso e aprofundado, despertando o desejo de conhecer mais sobre o passado que nos define.
Confinado pela pandemia, um homem transforma seu pequeno apartamento em um labirinto de ansiedades e delírios. A rotina sufocante ganha um sopro de esperança com o surgimento de Leonora, uma figura bela e enigmática que promete uma nova realidade, selada com o aroma de uma lasanha à la trattoria.
No entanto, o seu desaparecimento súbito lança o protagonista em uma obsessão vertiginosa, onde os limites entre sonho e vigília se dissolvem. Em "O Mistério de Leonora", este romance psicológico de voz visceral explora a fragilidade da percepção. A busca desesperada pela mulher amada forçará o narrador a confrontar o enigma mais sombrio de todos: o da sua própria sanidade.
Aqui, o absurdo encontra a realidade.
Em ‘Só Uns Contos a Mais’, Juidson Campos abre a gaveta de suas histórias mais inusitadas. Aqui, o leitor é convidado a transitar por um Brasil de extremos: da nostalgia doce dos anos 60 em Copacabana à dureza das ruas onde sonhos são interrompidos pela violência.
Com sua voz inconfundível, que mistura a oralidade do contador de causos com a precisão do cronista, o autor nos apresenta personagens que poderiam ser nossos vizinhos — ou nossos fantasmas. Seja na tensão de um assalto inusitado por cheeseburgers ou na melancolia de um lenhador que vê a morte chegar com a tempestade, este livro prova que a vida real é sempre mais surpreendente que a ficção.
Uma leitura emocionante.
Índice de Contos (Resumo texto e áudio)
Conto 1 – O Sumiço do Presidente
Numa nação anestesiada por absurdos diários, o súbito desaparecimento do Presidente da República deveria ser o estopim para o caos total. No entanto, quando as autoridades chegam à residência oficial, deparam-se com uma prioridade bizarra que choca mais a opinião pública do que a crise institucional: o aparente abandono e a fome de Brigitte, a gata de estimação da Primeira-Dama. Ignorando as suspeitas de fuga do mandatário, o foco das investigações se volta para o relato noturno e delirante de sua esposa — uma sucessão de eventos surreais ocorridos na calada da madrugada que desafiam a lógica e a própria biologia. O que, de fato, aterrorizou o governante antes de seu sumiço sem deixar rastros? E por que a resposta para a maior crise do país parece repousar, tranquilamente, no travesseiro do quarto presidencial?
Conto 2 – Impacto
O recém-chegado estaciona o carro esperando encontrar o clima festivo e alegre que a ocasião pedia, mas é recebido por um silêncio pesado e lúgubre. Guiado pelo Sr. Prates, ele descobre que a alegria do velho Ataíde e seu inseparável cavaquinho deu lugar a um desespero premonitório durante a despedida de um jovem casal de noivos. Ignorado em seus apelos angustiados para que os jovens não pegassem a estrada, o velho músico sentiu no ar o prelúdio de uma tragédia. O que começou como uma celebração da vida transformou-se no marco do fim de uma época de inocência, brutalmente atropelada pela modernidade. O que exatamente a intuição de Ataíde previu na descida daquela serra? E qual foi o golpe final que calou para sempre a música na varanda?
Conto 3 – Assalto Inusitado
Num país onde a criminalidade e a desigualdade já se tornaram clichês políticos, a violência urbana consegue, por vezes, esbarrar no mais puro absurdo. É o que descobre o narrador desta crônica ao sair de casa, tarde da noite, apenas para comprar um lanche para as filhas esfomeadas. O que deveria ser uma ida rápida ao "trailer do Gavião" transforma-se num tenso — e hilariante — encontro debaixo da luz de um orelhão. Sob a mira de um revólver empunhado por um motoqueiro misterioso, o assalto desenrola-se não por carteiras recheadas ou relógios caros, mas por um espólio no mínimo constrangedor: três cheeseburgers, uma garrafa de Coca-Cola e algumas moedas de troco. Qual será o desfecho deste roubo onde a maior ameaça não é a morte em si, mas a vergonha imortal de um velório motivado por lanches de beira de rua?
Conto 4 – O Protesto
Em meio aos grandes avanços tecnológicos de 2010, um ambicioso analista de sistemas decide isolar-se numa casa de pedra para construir o estúdio digital dos seus sonhos. Para abrir espaço aos seus equipamentos de última geração, ele ordena a derrubada de um imenso pinheiro, ignorando com deboche o aviso dos lenhadores sobre uma toca de pica-pau que abrigava um ninho no tronco. Após a queda da árvore e a tragédia com os ovos, uma violenta tempestade desaba sobre a região. Durante a noite de sono agitado, barulhos de estilhaços de vidro misturam-se aos trovões, mas o verdadeiro pesadelo aguarda a luz do dia. O que o homem descobre ao abrir a porta de sua sala prova que a natureza possui formas cirúrgicas, implacáveis e assustadoras de registrar o seu "protesto". Afinal, qual foi o preço cobrado por tamanha arrogância humana?
Conto 5 — O Lenhador do Chalé de Fora
Numa noite castigada por uma tempestade implacável, um chalé isolado no vale torna-se o palco de uma angustiante corrida contra o tempo. Um experiente lenhador, agora febril e alternando entre a lucidez e o delírio, encontra-se num estado crítico após um encontro silencioso e fatal na sua própria caixa de lenha. Enquanto os trovões ecoam e a chuva destrói e inunda as estradas de acesso, a sua esposa, Maria, trava uma batalha desesperada para mantê-lo acordado, agarrando-se à frágil esperança de um resgate que tenta vencer a lama lá fora. Em meio à dormência que toma conta de seu corpo e ao frio da cabana, o lenhador passa a refletir sobre os profundos mistérios da vida e da morte. Será que as luzes do socorro conseguirão romper a escuridão da tempestade antes que o sono definitivo o alcance?
Conto 6 — Maré-Morta
Erguida sobre as águas turvas de uma baía, a construção de uma ponte colossal de 13 quilômetros cobra um preço invisível aos olhos de quem cruza a via de carro. Suspensos no vazio por turnos intermináveis, operários exaustos lutam contra o sono e a gravidade, sabendo que um simples nó mal dado os transformará em parte irreversível do concreto. Após as horas extenuantes, o verdadeiro horror revela-se à beira da avenida, enquanto os trabalhadores aguardam o ônibus de volta para casa. Com o olhar embotado e o corpo dormente, eles observam a "maré-morta" trazer à tona cadáveres não identificados e o banquete fúnebre dos abutres. Em um relato frio e perturbador, o narrador confessa uma apatia assustadora, admitindo que o sangue quente já não corre em suas veias. Afinal, aqueles homens sentados no meio-fio aguardando no escuro ainda estão vivos, ou a exaustão brutal já os transformou nos próprios fantasmas da estrutura que levantaram?
Conto 7 — Dormindo de Luz Apagada
A mudança para um charmoso chalé dos anos 50 prometia tranquilidade, mas o antigo porão de pedra sob o assoalho logo se revelou um território inexplorado de arrepios. Ao se aventurarem na escuridão mofada, as duas filhas pequenas do narrador fogem aterrorizadas por uma colossal aranha caranguejeira. Contudo, mesmo após o pai capturar o monstro peludo, o verdadeiro pavor das meninas se revela outro: a escuridão estaria infestada de criaturas com olhos salientes e antenas que emitiam luzes coloridas giratórias. Seriam insetos bizarros ou espiões "marcianos" vigiando a família por baixo das tábuas da sala? O que realmente se esconde nos alicerces das casas antigas? E como um pai pode negociar com a imaginação sem limites das crianças para convencê-las a, finalmente, dormir de luz apagada?
Conto 8 — O Diabo Veste Farda
Toninho tinha a vida inteira pela frente e um brilho inconfundível nos olhos. Vestindo a sua camisa nova e com o coração batendo forte, o jovem talento do basquete caminhava apressado pelo bairro para encontrar Ana Lúcia, o seu primeiro amor. Na cabeça, carregava o sonho de um dia brilhar nas Olimpíadas; na alma, a honestidade de quem luta por um futuro melhor. Mas a dura realidade das ruas não costuma pedir licença aos sonhadores. Ao pegar um atalho conhecido, um esquecimento banal — a falta dos documentos no bolso — transforma-se no estopim para um pesadelo. Interceptado por três policiais de olhar frio, o rapaz é brutalmente arrastado para as sombras de um prédio abandonado. Quando a esperança e a inocência esbarram de frente com o preconceito e o abuso de poder, qual será o preço cobrado pelas ruas escuras da cidade?
Conto 9 — Memória Entre Choques
Atrás das janelas frias de um sanatório público, Maria das Dores lava a louça enquanto as lágrimas lavam sua alma. Condenada ao esquecimento e submetida a sessões cruéis de eletrochoque, ela carrega o fardo de um passado devastador: uma infância órfã, abusos inomináveis por parte de um falso benfeitor e a terrível acusação de ser uma "louca incendiária". No entanto, a verdadeira fonte de sua agonia no presente não são os muros do hospício, mas um roubo ainda mais cruel e definitivo que acabou de lhe arrancar a única razão de viver. Em um ambiente onde o luto é tratado com violência e a dor maternal é silenciada à força, qual será o limite da resistência de uma mulher? E o que, de fato, as chamas daquele incêndio no passado tentaram esconder?
Conto 10 – Fumante Inveterado
Após trinta e cinco anos exalando fumaça como uma autêntica chaminé, o protagonista desta crônica decide encarar o maior, mais cômico e mais torturante desafio de sua vida: abandonar o cigarro. Entre métodos mirabolantes, promessas juradas e a comemoração de uma suposta abstinência, acompanhamos o turbilhão hilário e desesperador de uma mente em colapso. O narrador trava uma verdadeira guerra civil psicológica, totalmente dividido entre o orgulho da sua nova vida saudável e a sedução inegável de uma "última" tragada. Até onde vai a força de vontade de um viciado quando a sua própria voz interior se torna o seu maior inimigo? E o que acontece quando a pressão dessa tortura mental atinge o limite do suportável?
Conto 11 — Manifesto FLU
Rio de Janeiro, 1976. Nos porões escuros da ditadura militar, o jovem Anderson adentra o perigoso mundo da militância clandestina para uma reunião secreta no Méier. A missão da noite é revisar e rodar no mimeógrafo o manifesto de uma nova organização revolucionária: a Frente Libertadora Universitária, cuja sigla é "FLU". O problema é que, num Brasil onde a política se mistura com a paixão popular, Anderson logo percebe um erro estratégico fatal: como convencer a massa trabalhadora a pegar em armas por um movimento que soa exatamente como o Fluminense? Será que flamenguistas e vascaínos adeririam a essa revolução? Entre debates ideológicos inflamados, o cheiro inebriante do álcool e o terror iminente das rondas policiais, o conto retrata o choque entre o idealismo acadêmico e a realidade das ruas. Quando o sol raiar e os panfletos estiverem prontos, conseguirão esses jovens escapar da implacável repressão?
Conto 12 — O Azar da Borboleta
Numa banal sala de espera de um consultório de dentista, um artigo de revista qualquer desperta no narrador uma profunda e inesperada indignação filosófica. Ao descobrir o árduo, perigoso e longo processo de metamorfose das borboletas — que rastejam durante meses como presas fáceis apenas para desfrutar de uma vida adulta efémera de poucos dias —, ele questiona o humor cruel da mãe natureza. Como que por ironia do destino, ao regressar a casa, depara-se com esse exato milagre a acontecer ao vivo nos ramos de uma árvore: uma borboleta a emergir lentamente do seu casulo. Fascinado, o narrador aguarda quase uma hora para testemunhar o momento épico do seu primeiro voo. No entanto, a natureza possui leis próprias, implacáveis e terrivelmente sarcásticas. Que surpresa aguarda as asas recém-secas neste palco selvagem da vida?
Conto 13 — Amor Atômico
É possível sentir uma felicidade plena e arrebatadora num mundo doente, que sangra diariamente com guerras, fome e desastres climáticos? Recém-saído de um momento de paixão intensa, o narrador senta-se no degrau do portão de casa, anestesiado pela química do amor, enquanto a sua amada observa a rua a partir da varanda. A paz daquele instante perfeito é tão absoluta que parece paralisar os ponteiros do relógio, alheando-os de toda a tragédia global. No entanto, o sossego é subitamente invadido por uma luz dourada, magnânima e silenciosa que engole a paisagem e "escaneia" tudo à sua volta. O que acontece quando a força do amor colide, numa fração de segundo, com o clarão mais assustador que a humanidade pode produzir? Uma reflexão poética e aterradora sobre a eternidade que cabe no último suspiro.
Conto 14 — O Sábado Que Mudou Tudo
Num país sufocado pela polarização e pela intolerância cega, dois grandes amigos e sócios numa construtora decidem celebrar o sucesso dos negócios com um tradicional churrasco de sábado. Entre risadas, cerveja gelada e costela na brasa, o clima de fraternidade começa a ruir quando o álcool abre as perigosas portas do debate ideológico. Acostumadas a essas discussões acaloradas, as esposas decidem levar os filhos à pracinha — uma velha tática para fugir da tensão masculina e esperar os ânimos esfriarem. No entanto, o que deveria ser apenas mais uma divergência passageira entre compadres mergulha num abismo irreversível. Ao anoitecer, quando as mulheres regressam a casa, deparam-se com um cenário perturbador que estilhaçará o destino de todos. Até que ponto a fúria irracional das paixões políticas pode destruir os laços mais fraternos?
Conto 15 — Lenita
Neste conto, a fachada de normalidade da vida cotidiana é violentamente removida para revelar o que há de mais sórdido nas relações humanas. Através de um olhar cruel e sem filtros, a narrativa mergulha nas raízes do preconceito que molda comportamentos e dita destinos nas sombras da sociedade. Onde termina a civilidade e começa a barbárie silenciosa do julgamento alheio? Uma história que confronta o leitor com verdades desconfortáveis e a frieza de um sistema que muitas vezes ignora a dignidade humana em nome de convicções distorcidas.
Conto 16 — O Sonho da Confeitaria Colombo
Copacabana, final dos anos 60. O que acontece quando o silêncio de uma rotina aparentemente comum começa a emitir sinais perturbadores? No Conto 16, acompanhamos uma jornada onde as sombras do passado e as incertezas do presente se fundem numa atmosfera de suspense psicológico. Pequenos detalhes, que antes passavam despercebidos, transformam-se em enigmas que desafiam a sanidade e a perceção da realidade. É uma história sobre o que não é dito, sobre os segredos guardados entre paredes e a tensão de um desfecho que se aproxima de forma inevitável. Prepare-se para um conto onde cada palavra é uma peça de um quebra-cabeça emocional e inquietante.
Conto 17 — Um Jogo Que Virou Lenda
Existem lugares que ficam suspensos no tempo, guardando o eco de conversas, o cheiro do café e o peso de decisões que mudaram vidas. No Conto 17, somos transportados para uma narrativa carregada de nostalgia, onde o cenário é quase um personagem vivo. Através de uma escrita detalhista e evocativa, o autor convida-nos a observar as transformações de uma época, os encontros casuais que deixam marcas profundas e a beleza melancólica do que já foi. É um mergulho na memória coletiva, uma reflexão sobre a passagem dos anos e sobre as pequenas heranças emocionais que carregamos connosco sem perceber.
Conto 18 — A Caminhada da Memória
Após dias confinada em seu quarto devido a uma dolorosa torção no tornozelo, Mabel desperta intrigada por um sonho peculiar: ela carregava nos braços uma velhinha muito frágil, de cabelos brancos como algodão. Encorajada por uma súbita melhora no pé e pelo dia ensolarado que a convida da varanda, ela decide arriscar uma caminhada pelas ruas do bairro. O que deveria ser apenas um teste de recuperação transforma-se numa jornada inusitada quando, na esquina da avenida, Mabel cruza com uma senhora desorientada que procura o caminho de volta para casa. Unindo forças, as duas iniciam uma peregrinação urbana por quarteirões intermináveis em busca de um endereço que parece apagar-se a cada passo. Mas até onde essa caminhada sem rumo as levará? E qual é a misteriosa conexão entre a estranha perdida nas ruas e a figura frágil que visitou os sonhos de Mabel na noite anterior?
Conto 19 — O Milagre na Bruma Roxa
Num amanhecer cinzento e melancólico, cercado por árvores centenárias e um lago adormecido, o habitual passeio de Mabel e da sua bebê Luara é interrompido por uma descoberta de partir o coração: uma pequena caixa de papelão com gatinhos recém-nascidos abandonados na relva úmida. Sem condições de levá-los para o seu pequeno apartamento, Mabel tenta improvisar um abrigo seguro para os filhotes numa antiga gruta de pedra do parque. Contudo, o que deveria ser um ato de compaixão rapidamente se transforma num pesadelo quando uma mulher furiosa a encurrala, acusando-a violentamente de abandono. Com a bebê a chorar desesperada no carrinho e sem qualquer rota de fuga, a tensão atinge o limite. Quando tudo parece perdido diante do ódio gratuito, uma presença irreal e enigmática emerge das brumas do parque. Quem será a misteriosa figura que caminha em direção à gruta? E qual será o destino final daquela caixa frágil antes que a chuva desabe?
Conto 20 — A Velha Choupana
Às margens sinuosas e silenciosas do rio Ivaí, uma velha choupana de madeira ergue-se como um posto de vigia não apenas sobre as águas, mas sobre as dores silenciosas de uma família. Para um menino de oito anos, o local é um vasto mundo de exploração, mas também um mausoléu sufocante, onde a sombra da trágica perda do pai o assombra e transforma cada sorriso infantil numa sensação de traição. Pressionado pelas expectativas de superação dos avós enlutados, o garoto cresce carregando o peso de uma culpa fantasma. Quinze anos depois, já adulto, ele decide regressar ao cenário que cravou as cicatrizes mais profundas da sua alma. O que o aguarda nas águas frias e ancestrais daquele rio implacável? E será possível que as respostas para os nossos maiores traumas repousem, em silêncio, no exato lugar onde nasceram?
Conto 21 — A Tirania Felina
Quem nunca levou para casa uma criatura frágil e indefesa apenas para descobrir, tarde demais, que abrigou um ditador implacável? O que começa como um doce ato de compaixão rapidamente se transforma na instauração de uma monarquia absolutista dentro do próprio lar. Batizada em homenagem a uma icônica diva francesa, a pequena felina de olhos cor de esmeralda não demora a confiscar poltronas, invadir pias de banheiro e transformar a cama de seus tutores em seu camarim particular. Em um relato hilário, irônico e deliciosamente desesperador sobre a perda de território (e de dignidade), acompanhamos a rendição total de um humano à sua nova rainha de pelagem macia e garras afiadas. Mas até onde vai o poder de manipulação hipnótica dessa mini tirana, e qual será o chamado final que selará de vez o destino do seu mais novo e fiel lacaio?