MENSAGEM DE FIM DE ANO

Ilustração: Sergei Belozerov por Pixabay

Queridos leitores do Escrevinhados,

Feliz Natal e um próspero Ano Novo!

Este ano foi difícil para todos nós. A pandemia, as guerras, as Fake News... enfim, foram muitos desafios que tivemos que enfrentar. Mesmo assim, não perdemos a esperança e a alegria.

O Natal é uma época de renovação, de esperança e de amor. É um momento de estarmos juntos com as pessoas que amamos e de celebrarmos a vida.

Desejo que neste Natal vocês possam encontrar paz, amor e alegria. Que possam estar rodeados de pessoas que os amam e que os fazem felizes, mesmo aqueles que estão distantes de nós por várias razões, sobretudo geográficas e também espirituais.

Que o Ano Novo traga a todos vocês saúde, paz e prosperidade. Que seja um ano de realizações e de sonhos concretizados, pois sempre existe um recomeço, como acontece em cada amanhecer.

Um abraço apertado,

Juidson Campos

ÁGUA POTÁVEL É VIDA

ÁGUA POTÁVEL É VIDA

A privatização da água envolve a abertura de participações do setor privado no abastecimento e saneamento básico. Este processo é controverso e, embora adotado em vários países, a tendência global caminha para a reestatização. O motivo? O lucro sobre o meio ambiente e a sociedade é brutalmente desigual. Empresas privadas priorizam dividendos e ignoram custos sociais e o manejo adequado dos recursos.

Tratar a água como mercadoria negociável em bolsa de valores é uma violação direta do direito humano. O acesso à água é vital, um bem público que não deveria estar sob controle absoluto de entidades cujos interesses não bebem da mesma fonte que o povo.

No Brasil, a situação é um paradoxo: detemos cerca de 12% das reservas hídricas do mundo, mas sofremos crises constantes. A razão? Questões políticas e administrativas que afloram em períodos eleitorais, somadas à falta de investimento em tecnologias simples, como cisternas para aproveitar as sobras das chuvas nos períodos de estiagem. É o mesmo que ver um país rico em petróleo com o povo vivendo na miséria.

"Percebe a jogada dos nossos riquinhos marajás brasileiros? Vendem tudo a preço de banana para depois ficar só 'de boa', no Caribe ou em Miami! É o velho neoliberalismo ditando o recado: beba eu e o meu cavalo, o resto que se exploda! Não acredita? Analise como o planeta já grita por socorro. Ouça! O quê, não está ouvindo? Também está ficando surdo? 😲"

FLORIPA DOS ALAGADOS

Imagem de Éder Mauro Eder por Pixabay

FLORIANÓPOLIS E O DESAFIO DAS ÁGUAS

Os alagamentos são frequentes em Florianópolis durante as épocas chuvosas. Os motivos residem em uma combinação de fatores, incluindo, evidentemente, o clima subtropical úmido da região, com chuvas abundantes no verão. A cidade recebe cerca de 1.700 mm de chuva por ano, com picos alarmantes de até 250 mm em apenas 24 horas.

Além da parte continental, a geografia da ilha — com relevo acidentado e muitas áreas de baixada — dificulta o escoamento das águas pluviais. Somado a isso, o crescimento urbano acelerado e desordenado dos últimos anos aumentou a impermeabilização do solo, impedindo a infiltração natural da água.

A falta de manutenção crônica nos sistemas de drenagem agrava o quadro. Muitas ruas não possuem galerias pluviais adequadas, o que torna o risco de alagamentos constante, bloqueando avenidas, causando congestionamentos e paralisando a vida de quem depende do deslocamento urbano.

É urgente coordenar o crescimento com planejamento sustentável, investindo na manutenção das galerias e na preservação de áreas verdes. Mais do que obras, é preciso educar: o lixo jogado na rua hoje é o bueiro entupido que causará o caos amanhã.

Apesar de medidas recentes da Prefeitura, como novos canais e revitalizações, o esforço precisa ser conjunto. Florianópolis é uma cidade acolhedora e um polo turístico mundial; protegê-la do descaso estrutural é preservar o futuro da Ilha da Magia.

OS MÉDICOS DE GAZA

Img-Reuters

HERÓIS SOB ESCOMBROS: A RESISTÊNCIA EM GAZA

Os médicos de Gaza estão trabalhando sob condições extremamente difíceis. Eles estão sendo bombardeados, seus hospitais destruídos e continuam operando com recursos limitados. Mesmo assim, salvam vidas operando pacientes em meio aos escombros, sem o básico para a sobrevivência.

(Foto: Reprodução Reuters/Instagram: Eye On Palestine)

Esses esforços são verdadeiramente sobre-humanos. Trabalham em condições perigosas, recusando-se a desistir mesmo quando tudo parece perdido. Além dos bombardeios, enfrentam a falta absoluta de suprimentos — de medicamentos a alimentos —, a escassez de pessoal e a ausência de eletricidade e água potável.

De acordo com dados do Ministério da Saúde local, até 10 de novembro, mais de 10.000 pessoas já haviam sido mortas, incluindo cerca de 5.000 crianças. Os hospitais estão em colapso total, sobrecarregados por uma demanda incessante de feridos e doentes.

No entanto, a resistência persiste. Trabalham 24 horas por dia, 7 dias por semana, sob ameaça constante. Merecem todo o respeito, reconhecimento e admiração por sua coragem inabalável.

"Sem dúvida nenhuma, pode-se dizer sem demagogia: qualquer super-herói de quadrinhos, caso existisse, ficaria boquiaberto e admirado diante desses homens e mulheres reais."

Leia mais: Mortalidade infantil em Gaza (Al Jazeera)

BOMBARDEIOS EM GAZA

(Imagem: Pixabay)

CONFLITO EM GAZA: ENTRE A GEOPOLÍTICA E A VERDADE

O líder do grupo Hezbollah, Hassan Nasrallah, em pronunciamento recente, alertou para a gravidade da situação em Gaza, convocando o mundo árabe a uma resposta conjunta. Nasrallah classificou as ações como genocídio e sugeriu o corte do fornecimento de petróleo e gás a Israel caso o conflito persista.

Até mesmo Joe Biden, ainda que de forma moderada, pediu a cessação da violência. No entanto, nem o clamor global, nem as manifestações populares — que incluem milhares de judeus ao redor do planeta — parecem demover Israel da mobilização armada.

Chama a atenção a postura da nossa mídia doméstica. O jornalismo convencional brasileiro, salvo raras exceções, não tem colaborado com a ética necessária, parecendo brincar com a opinião pública. Nesse cenário, filtrar a informação torna-se um exercício de sobrevivência intelectual, onde as redes sociais, por vezes, têm se mostrado mais dignas com a realidade.

"O que mais me surpreende é ver que o povo judeu, após sofrer duramente o Holocausto, parece ter esquecido as lições da história. É doloroso observar um líder judeu buscar a eliminação de outro povo. Essa reflexão sobre ser o 'povo escolhido' parece conceder a alguns o direito à exclusividade e à posse de uma verdade absoluta, como se o mundo lhes pertencesse por direito divino."

SER OU NÃO SER (UMA BARATA), EIS A QUESTÃO

Imagem (AI) de Alistair por Pixabay

GUERRAS MUNDIAIS: DO SANGUE AO REINO DAS BARATAS

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi marcada por trincheiras e um avanço estancado que ceifou 16 milhões de vidas nessa "brincadeira" estúpida. A Segunda (1939-1945), mais sofisticada e tecnológica, elevou o horror a 60 milhões de mortos.

Já a Terceira Guerra Mundial habita o imaginário distópico. Assistimos a ela nos cinemas, devorando pipoca como se o sabor da manteiga derretida tivesse o mesmo gosto do sangue que corre nas telas. Se ocorrer, será nuclear, avassaladora, transformando nossa infraestrutura em cinzas radioativas e acelerando o colapso climático que o desmatamento já iniciou.

"E se houvesse uma Quarta Guerra Mundial? Provavelmente seria um conflito entre as baratas. Única espécie resistente o suficiente para sobreviver à nossa insana estupidez, elas sairiam dos bueiros após séculos para governar o mundo, absurdamente imitando a miséria humana que nos aniquilou."

Se não tomarmos cuidado, entregaremos de bandeja o único planeta conhecido a esses seres que sempre tentamos esmagar com nojo. Imagine só: deixar nosso legado civilizatório para quem sempre viveu no esgoto.

Imagine! Quem diria, hein, logo para quem arriscamos deixar o nosso legado civilizatório humano!

PALESTINA LIVRE

O MUNDO PELA PALESTINA: UMA ONDA DE MOBILIZAÇÃO GLOBAL

O planeta testemunha uma mobilização sem precedentes. De São Paulo a Londres, milhares de vozes se erguem contra décadas de ocupação e o recente massacre em Jenin, na Cisjordânia, onde a perda de vidas civis gerou condenação imediata da comunidade internacional e da ONU.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou que ataques contra civis violam o direito internacional, exigindo um cessar-fogo imediato. Diplomaticamente, países como Brasil, França e Alemanha já manifestaram profunda preocupação, convocando embaixadores para prestar esclarecimentos.

A Voz das Ruas pelo Mundo:

  • 🇧🇷 Brasil: Milhares ocuparam a Avenida Paulista em um ato organizado por movimentos sociais e pela comunidade palestina.
  • 🇺🇸 EUA: Em Nova York, a Quinta Avenida foi palco de marchas por direitos humanos e justiça.
  • 🇫🇷 França: Paris registrou fortes protestos em frente à Embaixada de Israel.
  • 🇪🇸 Espanha e 🇬🇧 Reino Unido: Madri e Londres viram suas praças centrais e parlamentos cercados por multidões que rejeitam a violência.

"A mobilização global é um sinal inequívoco de que o mundo não aceita mais a injustiça como rotina. Este é um passo crucial para a busca de uma solução justa, humana e duradoura para o conflito."

O TERRORISMO DAS FAKE NEWS

Photo by Ahmad Khatiri

O TERRORISMO DAS FAKE NEWS E A DOR REAL

Não diga tudo o que sabes. Não faças tudo o que podes.
Não acredite em tudo que ouves. Não gaste tudo o que tens.

Porque quem acredita em tudo o que ouve,
muitas vezes julga o que não vê.

(Provérbio Árabe)

Muitos brasileiros acreditam em tudo o que a mídia propaga, sem perceber o sensacionalismo oportunista e os algoritmos lucrativos que operam nos bastidores. Notícias sem verificação oficial, como o suposto degolamento de 40 crianças pelo Hamas, espalham-se sem que se pergunte: onde estão os corpos? Onde estão os familiares?

Enquanto isso, as imagens reais de pais palestinos sob escombros, carregando seus filhos mortos, são questionadas. Qual o propósito disso? Segundo a UNICEF, entre 2000 e 2023, mais de 25.000 crianças foram mortas ou mutiladas no Oriente Médio. Isso não é estatística, é sangue real.

Aqui no Brasil, vivemos nossa própria tragédia real. O ataque a uma creche em Blumenau, onde quatro crianças foram mortas a machadadas, foi tão brutal que muitos, inicialmente, quiseram crer que era uma Fake News. Era o desejo de que tal maldade não fosse possível.

Mas as evidências eram claras. A dor das famílias era física. O futuro, que aquelas crianças representavam, foi interrompido de forma covarde. Seja em Santa Catarina ou na Palestina, uma criança é o futuro do mundo, e a dor de sua perda deve ser respeitada acima de qualquer ideologia.

"A verificação dos fatos é um ato de humanidade. Não permita que a mentira aniquile o seu discernimento. Respeite a dor alheia e diga não ao terrorismo das Fake News. Sejamos, antes de tudo, humanos."

O UMBIGO DO MUNDO

Imagem: Arek Socha por Pixabay

ORIENTE MÉDIO: ALÉM DOS NOSSOS PRÓPRIOS UMBIGOS

Desde que deixei de olhar apenas para o meu próprio umbigo para tentar enxergar o umbigo do mundo, sigo escutando sobre as guerras no Oriente Médio. São conflitos que se arrastam por décadas, alimentados por intolerância e um ódio que parece não ter fim.

De um lado, muçulmanos reivindicam a Palestina; de outro, sionistas defendem Israel. No meio, o povo palestino sofre as maiores perdas. É um problema complexo, sem solução fácil, onde as acusações mútuas muitas vezes se baseiam em estereótipos, ignorando o mercado de armas que lucra nos bastidores.

"Conheci um casal que quebrou esse paradigma: ele, judeu ortodoxo; ela, luterana de origem alemã. Casaram-se na igreja e na sinagoga. Não houve constrangimento religioso. Isso prova que o conflito é entre grupos políticos, não entre essências humanas."

A única solução é a paz, por mais clichê que pareça. É preciso que ambos os lados parem de olhar apenas para si mesmos e reconheçam o direito do outro de existir e viver com segurança. A guerra destrói sonhos de forma igual para todos.

Até quando?


CRIMES CONTRA A VIDA DE POLÍTICOS NO RIO

RIO DE JANEIRO: ENTRE O TURISMO E O TERRORISMO POLÍTICO

A cidade do Rio de Janeiro já não é vista apenas como a 'Cidade Maravilhosa', pelo menos fora dos cartões-postais e da mídia turística de Carnaval. O cidadão carioca, sem distinção de classe, está exausto. O povo, maltratado historicamente, assiste à sua capital tornar-se o epicentro de assassinatos políticos no país.

Além da criminalidade comum — as balas perdidas e as chacinas — há um medo paralisante de denunciar. Ninguém sabe em quem confiar para obter proteção.

"Esperar segurança de quem deveria proteger, mas muitas vezes oprime, é o mesmo que esperar o morcego doar sangue."

A Baixada Fluminense lidera as estatísticas sombrias. Alvos frequentes são aqueles que ousam enfrentar milícias — grupos paramilitares que controlam do tráfico de drogas à grilagem de terras. O caso Marielle Franco e Anderson Gomes, ocorrido há mais de cinco anos, ainda projeta uma sombra de impunidade sobre o estado.

A Violência que não Cessa

Recentemente, o choque veio da Barra da Tijuca. Os assassinatos dos médicos Marcos Corsato, Diego Bomfim e Perseu Almeida, em outubro de 2023, reforçaram o alerta. Diego era irmão da deputada Sâmia Bomfim, cujas críticas ao sistema político já lhe haviam rendido ameaças de morte familiares.

Estes crimes mostram que, mesmo em uma democracia, o posicionamento político pode se tornar uma sentença. Embora o governo anuncie forças-tarefas e programas de proteção, as medidas ainda se mostram insuficientes diante da escalada da violência política.

É urgente que as autoridades investiguem com rigor e celeridade. Sem respostas e punições exemplares, a democracia brasileira continuará sangrando em solo carioca.


O SISTEMA DE TRANSPORTE METROVIÁRIO E FERROVIÁRIO É ESTATAL OU PRIVADO? (EUA-EUROPA-BRASIL)

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

NOS TRILHOS DO MUNDO: EUA E EUROPA

E O ATRASO BRASILEIRO

Uma análise comparativa sobre a eficiência e o investimento ferroviário

ESTADOS UNIDOS

O sistema norte-americano é um híbrido complexo. Enquanto o transporte de passageiros de longa distância é mantido pela estatal federal Amtrak, os sistemas urbanos variam: o metrô de Nova York (MTA) é público, enquanto Chicago (CTA) utiliza uma agência privada. Já o transporte de carga é quase exclusivamente privado, dominado por gigantes como a Union Pacific e a BNSF, que gerem uma rede monumental de costa a costa.

EUROPA

No Velho Continente, o Estado é o protagonista. O transporte ferroviário é predominantemente público e altamente integrado. Gigantes estatais como a Deutsche Bahn (Alemanha) e a SNCF (França) comandam tanto passageiros quanto carga. As exceções ficam para países como a Noruega, onde a infraestrutura é estatal, mas a operação dos trens é delegada à iniciativa privada.

O Abismo Ferroviário em Números

Região Malha Ferroviária Cidades com Metrô
EUA + 225.000 km 39 regiões
Europa + 200.000 km 43 regiões
Brasil ~ 30.129 km 13 regiões

BRASIL

Nosso sistema é uma colcha de retalhos de gestão pública e privada. O transporte de passageiros é limitado: temos a CPTM em São Paulo como expoente público, enquanto a operação de carga é totalmente privatizada (Vale, Rumo, MRS). O grande gargalo brasileiro é histórico: a falta de investimento e a prioridade absoluta dada aos modais rodoviário e aéreo.

Em suma, enquanto EUA e Europa tratam os trilhos como espinha dorsal da economia e da mobilidade, o Brasil ainda engatinha, preso a uma malha sete vezes menor que a de seus pares desenvolvidos.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS CAUSAM CLIMA EXTREMO EM TODO O MUNDO

Imagem: Adobe Express

MUDANÇAS CLIMÁTICAS PELO MUNDO

O CLIMA EXTREMO COMO NOVO NORMAL

Fenômenos extremos estão redesenhando o mapa da segurança global. De chuvas torrenciais a calores abrasadores, a instabilidade climática não poupa infraestruturas nem vidas, manifestando-se em enchentes fora de controle e tempestades atípicas.

Em Nova York, o cenário de 29 de setembro de 2023 foi alarmante. Uma tempestade de verão trouxe chuvas que ultrapassaram os 100 milímetros em poucas horas, paralisando metrôs, aeroportos e deixando milhares no escuro. O Brooklyn foi uma das áreas mais castigadas, servindo de vitrine para a vulnerabilidade das grandes metrópoles.

O Brasil também enfrenta este rastro de destruição. O texto recorda os deslizamentos em Minas Gerais e na Bahia, culminando na recente tragédia no Rio Grande do Sul, onde o volume de água deixou marcas indeléveis na história do país. Enquanto isso, na Europa, países como Espanha e França lutam contra incêndios florestais impulsionados por ondas de calor recordes.

Cientistas são unânimes: o aquecimento global, potencializado pela atividade humana e a emissão de gases de efeito estufa, é o motor desses eventos. A transição para energias renováveis e o combate rigoroso ao desmatamento não são mais escolhas ideológicas, mas medidas de sobrevivência para proteger nossas populações.


BALAS PERDIDAS ACHADAS EM CRIANÇAS

Imagem: Pixabay

BALAS PERDIDAS

ACHADAS SEMPRE EM CRIANÇAS

O Brasil detém um recorde fúnebre: é o país que lidera a mortalidade infantil por balas perdidas em todo o mundo. Segundo o estudo da organização Save the Children, divulgado em 2023, o país registrou 1.814 mortes de jovens por disparos entre 2018 e 2020.

Este número representa 60% do total mundial de mortes de crianças por armas de fogo. A imensa maioria das vítimas compartilha o mesmo perfil: negra, pobre e moradora de periferias onde a violência armada é o cotidiano.

De acordo com o dossiê "Violência armada no Brasil: Crianças em perigo", da ONG Rio de Paz, a letalidade é acachapante. Estima-se que, entre 2007 e 2022, 1.344 menores de 14 anos perderam a vida para o chumbo. O dado mais sensível, entretanto, aponta para a origem do fogo: em 2022, 60% dessas fatalidades ocorreram durante ações policiais.

Estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará concentram o maior volume desses casos. Somente em 2022, o Rio contabilizou 200 mortes, seguido por São Paulo (120) e Ceará (60). Trata-se de uma crise humanitária interna que exige mais do que notas de pesar; exige medidas urgentes de prevenção e o combate ao uso desmedido da força armada.

A proteção da infância é o dever primeiro de qualquer Estado que se pretenda democrático. Enquanto as balas continuarem a ser "achadas" nos corpos de nossos meninos e meninas, a democracia será apenas uma palavra oca em áreas de conflito.


DATA IMPORTANTE

Imagem: WikiImages por Pixabay

22 DE SETEMBRO

ENTRE A MEMÓRIA E A ESPERANÇA

Em termos históricos, o dia 22 de setembro guarda um significado solene para nações como Polônia e Ucrânia, que celebram o "Dia da Memória e da Solidariedade" em honra às vítimas do Holocausto. Já no cenário brasileiro, a data destaca o Dia Nacional da Juventude, embora ainda não figure como um feriado oficial.

Sob a ótica ambiental, hoje celebramos o início da primavera no hemisfério sul. É o despertar da natureza, o momento em que a vida volta a florescer após o repouso. Paralelamente, comemora-se o Dia Mundial sem Carro, um convite à mobilidade sustentável e à preservação do ar que respiramos.

"Será que essa conscientização ainda ocorre de fato?"

Este ciclo de revitalização, em que as plantas florescem e a fauna se agita, é uma época de esperança renovada. Mas, para além das flores, o momento pede reflexão. Celebrar a natureza é indissociável de lutar por uma sociedade onde a vida seja respeitada em todas as suas formas.

É também um instante necessário para refletir contra a tirania. Precisamos nos empenhar na construção de sociedades mais justas e livres, participando ativamente da vida pública, defendendo nossos direitos e lutando, incansavelmente, pela justiça social.

A LUTA CONTRA A FOME NO MUNDO

Foto: Ricardo Stuckert

“Somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro.”

(PROVÉRBIO INDÍGENA)

TERRA: UMA SÓ CASA

VIVER COMO SE HOUVESSE O AMANHÃ

Lula caminha na direção correta ao confrontar a fome — no Brasil e no mundo — enquanto combate a devastação ambiental. Não se trata apenas de uma agenda política de ocasião, mas de uma visão futurista necessária em defesa do amanhã.

A fome é um fantasma milenar. Foi a urgência em suprir demandas tribais que transformou o Homo sapiens de coletor em agricultor, encerrando o nomadismo e dando origem aos primeiros povoados e cidades. Passados cerca de dez mil anos, a produção de alimentos tornou-se científica e tecnológica, especialmente após a Revolução Industrial e a era da informática.

Entretanto, o problema persiste. Transformamos o sustento em mercadoria de lucro para o sistema capitalista. Mesmo com tamanha tecnologia, a riqueza acumulada em poucas mãos deixa quase 830 milhões de pessoas em estado de fome no mundo.

A crise é agravada por cicatrizes recentes: a pandemia da Covid-19, a guerra na Ucrânia e a aceleração das mudanças climáticas. Não é mais uma simples questão de luta de classes entre proprietários e assalariados, ou entre o senhor feudal e o servo. É um embate globalizado onde uma minoria concentra tecnologias e recursos naturais, enquanto a massa não consegue suprir o básico para viver com dignidade.

Não se trata de defender fronteiras ou bandeiras ideológicas isoladas. Precisamos compreender que habitamos um planeta que ainda pulsa, que ainda oferece água potável e germina sementes, mas que já não suporta a engrenagem desenfreada do consumismo.

A Terra é uma só. Sem ela, não haverá chão para o plantio, nem água para a sede, nem broto para a vida. O que deixaremos para as gerações futuras? Precisamos, urgentemente, viver como se houvesse um amanhã a ser preservado.

ASSIM RASTEJA A HUMANIDADE

Imagem: Layers por Pixabay

ASSIM RASTEJA A HUMANIDADE

DA DOENÇA AO ABATE, O QUE MUDOU?

No início dos anos 60, ser criança era viver sob o temor do invisível. Lembro-me da angústia coletiva quando as taxas de mortalidade infantil subiam, empurradas por pneumonia, meningite, sarampo, pólio e tantas outras doenças que deixavam pais e mães em constante estado de alerta. A medicina era o escudo que buscávamos desesperadamente.

Guardo na memória a imagem da minha avó chorando escondida no quarto. Ela acabara de ouvir no noticiário da rádio Guaíba que uma criança fora assassinada em uma cidade vizinha, no interior do Rio Grande do Sul. Aquela morte singular, naquela época, paralisou o dia de uma mulher forte e educada. Ela não sorriu aos clientes; dissimulou um resfriado para esconder uma tristeza que a alma não conseguia digerir.

Hoje, o mundo nos apresenta estatísticas que desafiam qualquer tentativa de sanidade. Entre 1980 e 2019, cerca de 130.000 crianças menores de 15 anos foram assassinadas no Brasil. Matemática cruel: uma média de 1.430 vidas ceifadas por ano.

O que assusta é a progressão: se em 1980 a média era de 740 assassinatos anuais, em 2019 saltamos para além de 2 mil. Vencemos muitas doenças, mas perdemos para a brutalidade humana.

Ao revisitar o passado, percebo que minha avó não suportaria esse descalabro. Talvez morreria de tristeza se soubesse que, décadas depois, a humanidade ainda estaria rastejando, tropeçando no próprio sangue, ainda buscando a sanidade que parece nos escapar por entre os dedos.


OS TRANSTORNOS MENTAIS NOS TEMPOS ATUAIS

SAÚDE MENTAL EM XEQUE

OS TRANSTORNOS NOS TEMPOS ATUAIS

Os transtornos mentais são condições que afetam profundamente o funcionamento psicológico, emocional e social. Manifestando-se através da ansiedade, depressão, bipolaridade e outras patologias, eles representam hoje um dos maiores desafios da saúde pública global.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos mentais atingem cerca de 450 milhões de pessoas no mundo, sendo uma das principais causas de incapacidade e sofrimento humano.

O cenário contemporâneo atua como um catalisador para essas condições. Entre os fatores de agravamento, destacam-se:

  • O estresse residual da pandemia de Covid-19 e seus impactos econômicos;
  • A pressão incessante por produtividade, gerando o temido burnout;
  • A exposição tóxica às redes sociais e ao cyberbullying;
  • A violência urbana e as desigualdades sociais profundas.

Diante desse quadro, buscar ajuda profissional não é sinal de fraqueza, mas de lucidez. A psicoterapia oferece o acolhimento necessário para lidar com as emoções, enquanto o acompanhamento psiquiátrico pode ser o suporte químico essencial em casos específicos.

Além do tratamento, a prevenção passa pela adoção de hábitos que respeitem o ritmo do nosso corpo: atividades físicas regulares, alimentação equilibrada, sono de qualidade e o cultivo de relações sociais positivas. Buscar o autoconhecimento é, em última análise, o caminho mais seguro para a autoaceitação.

Cuidar da saúde mental é um ato de coragem e amor-próprio. Não há motivo para vergonha; reconhecer a necessidade de ajuda é o primeiro passo para retomar as rédeas da própria felicidade.


COMO NOSSOS PAIS

Arquivo Pessoal: Elis e filhos

COMO NOSSOS PAIS

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A MEMÓRIA EM XEQUE

A propaganda gerada por IA (Inteligência Artificial) é a nova fronteira da mídia atual. Ela nos mostra como a tecnologia pode, de forma impressionante, aproximar gerações e homenagear ícones eternos da nossa música.

Embora a família tenha autorizado o uso da imagem de Elis Regina, a polêmica é inevitável. Existe um risco latente de começarem a usar ícones de maneira negativa, vulgar ou distorcida, produzindo peças sensacionalistas e puramente apelativas.

Será que essa tecnologia é uma forma legítima de resgatar a memória de Elis Regina e valorizar sua obra para as novas gerações? Ou estamos cruzando a linha da exploração de imagem e voz sem o consentimento real do artista?

Independentemente da resposta, a mensagem mantém vivo o nome de Elis para o futuro. Analisar a técnica e a escolha dos artistas nos faz pensar sobre o impacto dessas "novas invenções" na sociedade. Como diria a canção, o novo sempre vem, mas ele dói na parede da memória.

Como Nossos Pais

(Composição de Belchior)

Não quero lhe falar meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo...
(...)
Minha dor é perceber que apesar de termos feito
Tudo, tudo, tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais.

DEMOCRACIA É RELATIVA

“Se o homem nasceu livre, deve governar-se; se ele tem tiranos, deve destroná-los.”

— Voltaire

DEMOCRACIA RELATIVA

O OBSERVADOR E O REGIME

A democracia é um conceito fascinante e, muitas vezes, escorregadio. Definimo-la habitualmente como o sistema político onde o povo escolhe seus representantes por meio de eleições. Mas será que o voto, isoladamente, é suficiente para defini-la? Seria ela idêntica em todos os cantos do globo ou dependeria, afinal, do ponto de vista de quem a observa?

Albert Einstein

Se buscarmos um paralelo na Teoria da Relatividade, percebemos que a definição política da democracia também pode ser relativa. Ela varia conforme o contexto histórico, cultural, social e econômico de cada nação.

O que é democracia para os Estados Unidos pode não soar como tal na China. O que se entende por liberdade no Brasil pode diferir do que se pratica na Venezuela. Até mesmo entre você e seu vizinho, o conceito pode sofrer desvios de perspectiva.

Como saber, então, se estamos de fato vivendo em uma democracia? Como comparar modelos tão distintos ou defendê-los de seus inimigos? São questões complexas que exigem mais do que respostas prontas; exigem uma mente aberta, crítica, busca constante por informações confiáveis e, acima de tudo, a participação ativa na vida política.

A democracia não é um objeto estático na prateleira da história, mas um organismo vivo que se molda conforme o empenho de seu povo.

LULA, O ESTADISTA DO MUNDO

Fotografia: Ricardo Stuckert

LULA E A DIPLOMACIA DA PAZ

O REENCONTRO DO BRASIL COM O MUNDO

O presidente Lula tem se destacado no cenário mundial por sua liderança resiliente e habilidade diplomática. Ao defender os interesses do Brasil e das nações em desenvolvimento, ele busca consolidar uma cooperação que priorize a integração regional.

Essa postura reflete-se no apoio ao fortalecimento da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), na ampliação estratégica do Mercosul e na retomada da parceria com o continente africano. Presente em fóruns decisivos como o G20, a ONU e as COPs climáticas, Lula advoga por uma reforma no sistema multilateral, exigindo voz ativa para os países emergentes.

Seu desempenho angaria elogios de figuras proeminentes como o Papa Francisco, António Guterres, Joe Biden e o Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, que reconhecem no Brasil um pilar para a promoção da democracia e do desenvolvimento sustentável.

O foco na paz e na erradicação da fome não é apenas um discurso doméstico, mas uma proposta de nova governança global. É a diplomacia sendo usada como ferramenta de justiça social e preservação do futuro planetário.


A MULHER TEM QUE SE SUBMETER AO HOMEM

EM PRATOS LIMPOS

ENTRE A BÍBLIA, A LOUÇA E A CONVENIÊNCIA

Calma. Não fui eu quem disse que a mulher deve se submeter ao homem; foi a Bíblia — ao menos segundo a interpretação de um ex-procurador-geral da Lava Jato. Prefiro não citar nomes, até porque o Brasil inteiro sabe de quem estamos falando.

Para começo de conversa, usar textos sagrados como fonte de autoridade para justificar a opressão feminina é ignorar solenemente os contextos históricos, culturais e as múltiplas interpretações que surgiram ao longo dos séculos. Tal postura pressupõe que o homem detém o direito divino de mandar e a mulher o dever de obedecer, negando-lhe autonomia e dignidade.

É o mesmo que associar a lavagem da louça a uma tarefa exclusivamente feminina, reforçando estereótipos que confinam a mulher ao papel de "cuidadora recatada do lar". No entanto, a realidade desmente a conveniência: hoje, nas cozinhas profissionais, a função de lava-pratos é amplamente exercida por homens. Aliás, voltando aos tempos bíblicos, convenhamos, tal profissão sequer existia.

Lavar a louça é uma tarefa doméstica que deve ser compartilhada por todos que habitam a casa, independentemente do gênero. Usar a religião para justificar a própria preguiça ou o machismo é, no mínimo, uma distorção moral.

Desrespeitar a vontade e o consentimento da mulher, impondo-lhe obrigações não compartilhadas, é violar os princípios básicos de liberdade e igualdade. É hora de parar de usar a fé como escudo para o atraso.

Portanto, para colocar tudo em pratos limpos: ele deveria lavar mais a louça. Afinal, tentar "lavar" a corrupção do país com métodos questionáveis não deu muito certo — foi uma total enganação!


REFORMA AGRÁRIA NO BRASIL

REFORMA AGRÁRIA NO BRASIL

JUSTIÇA SOCIAL E O DIREITO À TERRA

A reforma agrária é, em sua essência, um processo de redistribuição das terras de um país para promover a justiça social, o desenvolvimento rural sustentável e o aumento da produtividade de alimentos. Ela reconhece o valor social da terra, que deve servir ao benefício de toda a população, e não apenas aos interesses de uma elite latifundiária.

Embora essa mudança na estrutura fundiária tenha raízes antigas — do Egito à Revolução Francesa —, no Brasil ela permanece como uma questão pendente e polêmica. Herdamos um modelo colonial baseado em capitanias hereditárias e sesmarias, onde o poder era concentrado nas mãos de poucos proprietários que exploravam a mão de obra escrava.

Apesar da Constituição de 1988 prever a desapropriação de latifúndios improdutivos, o Brasil ainda detém uma das maiores concentrações fundiárias do planeta. Segundo o IBGE (2017), apenas 1% dos estabelecimentos rurais ocupam quase metade (47,5%) da área total do país.

Essa disparidade alimenta abismos sociais: pobreza, fome, violência no campo e o êxodo rural desordenado. Daí nasce a luta histórica de movimentos como o MST, que buscam garantir o acesso à terra e condições dignas para o camponês. É um desafio complexo que exige superar resistências conservadoras e implementar políticas que ofereçam mais do que lotes: é preciso crédito, assistência técnica, educação e infraestrutura.

Promover a reforma agrária é romper com o legado escravocrata e construir um projeto de nação baseado na agroecologia e na soberania alimentar. É, enfim, a oportunidade de tornar o Brasil um país mais democrático e solidário.


ETERNA ROQUEIRA

Fonte: Facebook Oficial Rita Lee

RITA LEE: A OVELHA INVENCÍVEL

CRIATIVIDADE, CARISMA E LIBERDADE

Rita Lee foi a cantora e compositora brasileira que redefiniu a história da nossa música popular. Com uma voz inconfundível, criatividade sem limites e um carisma arrebatador, ela deixou um rastro de luz por onde passou. Relembrar Rita é celebrar a própria rebeldia com causa.

  • Os Mutantes: Sua participação na banda que revolucionou o rock psicodélico no Brasil.
  • Sucessos Eternos: Hinos como “Ovelha Negra”, “Lança Perfume” e “Mania de Você”, que atravessam gerações.
  • Parceria de Vida: A união artística e afetiva inabalável com Roberto de Carvalho.
  • Consciência Ecológica: Uma pioneira na defesa ferrenha dos direitos dos animais e do meio ambiente.

Muito além dos palcos, Rita Lee se consolidou como uma poeta e escritora de sucesso, usando seu bom humor e sinceridade cortante para falar da vida — e até da própria morte — em suas autobiografias.