UM REENCONTRO INESPERADO

Ilustração: Pixabay (myrfa)

Um Reencontro Inesperado.

O Dia do Livro sempre me leva a uma jornada nostálgica, repleta de lembranças agridoces. A alegria pela celebração desse objeto tão especial contrasta com a tristeza de uma perda que, por muito tempo, marcou minha vida.

Quando era mais jovem, a necessidade me obrigou a decidir com tristeza: vender parte da minha biblioteca. Cada livro que colocava na caixa de papelão era como se estivesse me despedindo de um velho amigo. Senti como se estivesse vendendo um pouco da minha alma.

Com o passar dos anos, a biblioteca foi sendo reconstruída lentamente. Mas a saudade daqueles primeiros livros sempre esteve presente. Um dia, passeando pelo centro, entrei em um sebo por curiosidade. Comecei a percorrer os corredores, buscando algum título familiar. E então, lá estava ele: um dos livros que havia vendido anos atrás.

A emoção foi indescritível. Segurei o livro, sentindo a mesma textura do papel, o mesmo cheiro de tinta. Era como se reencontrasse um velho amigo perdido. Ao abri-lo e começar a ler, senti a mesma emoção da primeira vez.

Os livros, com sua capacidade de conectar-nos com diferentes realidades, são um dos maiores tesouros que podemos ter.


Ler é bom.

UM DIA DE CONTRADIÇÕES

Ilustração: Pixabay

UM DIA DE CONTRADIÇÕES

Hoje, 12 de outubro, o Brasil se divide em duas celebrações: o Dia das Crianças e o Dia de Nossa Senhora Aparecida. Enquanto famílias se reúnem para celebrar a pureza da infância, notícias de guerra ecoam do Oriente Médio, lembrando-nos do lado mais sombrio da humanidade.

Confesso que, apesar da alegria de estar cercado por meus filhos e netos, um peso enorme se instala em meu peito. A cada sorriso infantil, a imagem de crianças em outras partes do mundo, aterrorizadas e órfãs, se torna presente. Como podemos celebrar a vida em um mundo tão marcado pela morte?

Sinto-me privilegiado, mas também culpado. É como participar de uma festa em meio a um velório. Nossa Senhora Aparecida nos ensina o amor ao próximo, mas como manter a fé diante de tanta crueldade? Neste dia, sinto a necessidade de rezar por todas as crianças, especialmente as que sofrem as consequências de guerras injustas.

Que a alegria da infância possa ser um direito de todos, e não um privilégio de poucos. Acredito que a compaixão e a solidariedade ainda podem mudar o mundo. É com esse sentimento que encerro esta crônica, na esperança de um futuro mais justo para todas as crianças do planeta.

Acompanhe a realidade em:

CANAL GAZA - AL JAZEERA

A MALDIÇÃO DO REVISOR EM MIM

Ilustração: OpenClipart-Pixabay

A MALDIÇÃO DO REVISOR EM MIM

Sou um autor, um escritor, um criador de mundos, um arquiteto de frases… quer dizer, acho que sou, não sei bem. Às vezes tenho dúvidas disso. Talvez eu seja um revisor incansável, um editor implacável e um crítico literário impiedoso… comigo mesmo.

A cada palavra que escrevo, um exército de dúvidas se levanta, um batalhão de “e se” invade minha mente. Esta palavra está boa? E se eu trocasse por outra? Será que o adjetivo combina? Pior: será que a frase inteira é essa? Pior ainda: a história é essa mesma? Hum, e se eu…

E assim, a dança frenética entre a criação e a destruição se inicia. É como se eu tivesse dentro de mim um revisor insano, cruel, quiçá até sádico, que se aproveita da minha fragilidade intelectual, tomando conta de tudo.

A cada releitura, descubro um novo erro, uma nova possibilidade, uma nova ideia que, claro, exige a reescrita de tudo o que já foi escrito até aqui! É um ciclo vicioso, um labirinto sem fim, uma espiral descendente rumo à loucura!

Já tentei de tudo para conter esse impulso autodestrutivo. Blocos de notas, guardanapos, ditado, escrita automática. Nada funciona. A obsessão pela perfeição me persegue como uma sombra. E o pior: por mais que me esforce, nunca fico satisfeito. É como se estivesse condenado; por mais que me aproxime da ideia, ela sempre se afasta.

"Ah, se ao menos tivesse leitores que comprassem meus livros… poxa, eu teria condições de contratar um revisor profissional! Então finalmente me livraria da maldição do revisor interno e pararia de jogar minhas histórias na lata de lixo."

Enquanto isso não acontece, paciência, continuo preso nesse ciclo infernal. Sinceramente, acho que não sou um escritor; já estou começando a achar que sou, mesmo, um revisor torturante. Talvez seja mais fácil me dedicar a esse ofício… quiçá eu não desenvolveria melhor meu sadismo... ou será masoquismo?