QUATRO (CINCO) ANOS DEPOIS

NOTRE-DAME E O MUSEU NACIONAL

DOIS INCÊNDIOS E O ABISMO DA MEMÓRIA

Dois incêndios devastadores atingiram patrimônios fundamentais da humanidade: a Catedral de Notre-Dame, em Paris, e o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Ambos os casos geraram comoção internacional, mas revelaram reações governamentais diametralmente opostas.

A Notre-Dame foi parcialmente consumida em abril de 2019. O telhado e o pináculo gótico do século XII foram ao chão, mas a resposta foi imediata. O presidente Emmanuel Macron prometeu — e cumpriu — uma reconstrução em tempo recorde, respeitando o estilo original e mobilizando recursos globais. Dois anos depois, as obras já avançavam para o restauro final.

Já o Museu Nacional foi completamente consumido em setembro de 2018. Noventa por cento do acervo — o mais importante do Brasil — virou cinza. Perdemos fósseis únicos, múmias e o crânio de Luzia, a mulher mais antiga das Américas. Peritos já haviam alertado sobre os riscos antes da tragédia, mas o descaso foi a regra.

Já pegou fogo, quer que eu faça o quê?

— Jair Bolsonaro, 2019

Enquanto a catedral francesa recebeu apoio político e financeiro massivo para se reerguer, o Museu Nacional ainda enfrenta a falta de recursos e a lentidão burocrática. Três anos depois, apenas 10% das obras haviam sido concluídas. O fogo em Paris gerou restauro; o fogo no Rio, ao que parece, apenas revelou o quanto nossa memória nacional é tratada como algo descartável.


QUESTÃO DE DIREITO

QUESTÃO DE DIREITO

ENTRE A OFENSA E O RIGOR DA LEI

Injúria é a ação de ofender a honra e a dignidade de alguém. Pode parecer simples, mas as nuances do Direito são implacáveis. Por exemplo, se você chamar um juiz de "ladrão", pode ser condenado por injúria. Mas a escada da complicação jurídica continua.

Pior: se você fizer essa acusação e não conseguir provar que ele é, de fato, um ladrão, a condenação passa a ser por calúnia. E se você decidir espalhar essa informação para outras pessoas, o cenário piora ainda mais: você entra no terreno da difamação.

Entender essas diferenças pode ser complicado no início, mas a premissa é básica: a lei deve ser igual para todos. Por isso, não se arrisque. É melhor silenciar antes de acusar sem provas, pois o peso da palavra pode ser o peso da sentença.

Isso é tão sério que a posição social não serve de escudo. Mesmo que você tenha sido ex-juiz ou ex-ministro e seja atualmente senador, não importa: o risco de ser processado, acabar atrás das grades e, consequentemente, tornar-se um "ex-senador", é o mesmo.

A língua é o único instrumento que se afia pelo uso, mas, no tribunal, ela pode ser o gatilho da própria queda.

FAKE NEWS: A PRAGA PROPAGADA CONTRA A VERDADE

Imagem: Internet / Reprodução

O VÍRUS DA DESINFORMAÇÃO

FAKE NEWS E A MANIPULAÇÃO DA REALIDADE

Fake News são notícias falsas ou propositalmente distorcidas para manipular a opinião pública, influenciar pleitos eleitorais, difamar indivíduos ou promover interesses comerciais e ideológicos. Elas se espalham como rastro de pólvora em redes sociais e aplicativos de mensagens, afetando a sociedade de formas profundas:

  • Desinformação e Polarização: Geram confusão e desconfiança entre usuários que compartilham conteúdos sem verificação.
  • Danos à Reputação: Destroem a credibilidade de pessoas e instituições baseando-se em calúnias.
  • Ameaça à Democracia: Induzem eleitores a decisões baseadas em mentiras, ferindo a vontade popular.
  • Crise no Jornalismo: Competem de forma desleal com a notícia bem apurada, drenando recursos do jornalismo ético.

Portanto, é vital que sejamos críticos e responsáveis. A passividade diante de uma tela é o que alimenta a engrenagem da mentira. Não seja um peão no jogo de quem fabrica boatos.

Como não cair na armadilha:

Cheque a origem: Verifique o autor e se o site é conhecido.
Compare fontes: Busque a mesma notícia em veículos diferentes.
Desconfie do sensacionalismo: Títulos bombásticos e erros gramaticais são sinais de alerta.
Pense antes de clicar: Se não tem certeza da veracidade, não compartilhe.
Denuncie: Use as ferramentas das redes para reportar conteúdos enganosos.

As Fake News são um problema sério que fere a democracia. Estar atento e consciente é a nossa única vacina contra esse mal.


Canais Oficiais de Checagem:
Painel de Checagem do CNJ
Fiocruz: Desinformação e Saúde

O BRICS

O BRICS

O BRICS

É um grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os quais são considerados países emergentes com grande potencial econômico e influência política. O termo Brics foi criado em 2001 pelo economista Jim O'Neill, que previu que esses países seriam as maiores economias do mundo no século XXI.

Começou como um diálogo informal entre os líderes desses países, que buscavam fortalecer a cooperação mútua e defender os interesses comuns no cenário internacional. Em 2006, ocorreu a primeira reunião ministerial do Brics, e em 2009, a primeira cúpula de chefes de Estado e de governo. Desde então, o Brics realiza reuniões anuais para discutir temas como comércio, investimento, desenvolvimento, energia, meio ambiente, segurança e saúde.

Uma das principais realizações do Brics foi a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), em 2014, cujo objetivo é financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países membros e em outras nações em desenvolvimento. O NBD tem sede em Xangai, na China, e um escritório regional em Joanesburgo, na África do Sul. Em 2023, o banco passou a ser presidido pela ex-presidenta do Brasil Dilma Rousseff, eleita por unanimidade pelos demais líderes do Brics.

O Brics atualmente representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, 42% da população mundial e 30% do território mundial. O grupo também tem uma voz importante nas organizações internacionais, como a ONU, o FMI e o G20. Em suma, o Brics tem em vista promover a multipolaridade no sistema internacional e defender os princípios de soberania, não-intervenção, respeito à diversidade cultural e econômica.

VIOLÊNCIA NA ESCOLA, TÁ LIGADO?

Crianças na escola

VIOLÊNCIA NA ESCOLA, TÁ LIGADO?

A presença de policiais armados nos colégios é uma medida ainda polêmica, ainda muito controversa, mas pelo menos já está sendo discutida em nossa sociedade, tanto pelo aspecto positivo e negativo.

Uns dizem que o objetivo é garantir a segurança, que policial armado pode inibir a ação de criminosos, proteger vítimas em caso de emergência, além de transmitir uma sensação de confiança para a comunidade escolar.

Outros dizem que não é bem assim, que os policiais armados podem gerar mais violência, medo e estresse, além de representar risco de acidentes ou mesmo abusos de autoridade.

Por enquanto, tal medida está sendo questionada, uma vez que muitos desses ataques são planejados e podem envolver armas mais potentes e também favorecer ameaças nas redes sociais de modo inconsequente e irresponsável.

Diante disso, não há uma resposta definitiva sobre se a presença de policiais nos colégios irá resolver a situação. Trata-se de um tema complexo que envolve aspectos sociais, culturais, políticos e psicológicos.

Por isso, é importante haver um debate amplo e democrático sobre as causas e as consequências da violência escolar, bem como sobre as alternativas possíveis para enfrentá-la.

Em épocas passadas havia um supervisor escolar. Usava roupa normal, à paisana. Nada de armas, nem cassetete. Ele interagia com os alunos, os professores, e também com os pais.

Não fazia nada o dia todo, ele só ficava passeando pelo colégio, principalmente durante os intervalos das aulas. Conversava, ria, brincava, enfim, participava com todos, mas estava sempre atento, ligado.

Quando acontecia alguma briga, ele apartava e pronto, trocava-se uma ideia e esfriava a cabeça dos alterados, alguns até faziam as pazes na mesma hora, até fazia crer ser um psicólogo sem dar tanto na vista.

Os tempos são outros, é claro, mas ainda somos seres humanos, não somos?

A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

A violência nas escolas

A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

A violência nas escolas é um problema grave que afeta a qualidade da educação e a convivência entre alunos, professores e funcionários.

Segundo pesquisas, o Brasil é um dos países com maior índice de violência escolar no mundo, e as formas mais comuns de violência são agressões físicas, verbais, psicológicas, bullying, cyberbullying, vandalismo, discriminação, uso e tráfico de drogas e porte de armas.

Na verdade, isso tudo é inaceitável. É monstruoso. Imagine, então, o país armado…

Existem vários fatores que podem explicar o aumento da violência nas escolas. A falta de estrutura e segurança nas instituições de ensino; a influência da violência urbana e familiar; a ausência de valores éticos e morais; a baixa autoestima e o desinteresse dos alunos; a falta de diálogo e respeito entre os membros da comunidade escolar; a impunidade e a banalização da violência na mídia e na sociedade, são os exemplos mais alarmantes que vêm sistematicamente acontecendo.

Para solucionar esse problema, é preciso haver uma ação conjunta entre o poder público, as escolas, as famílias e os próprios alunos. Algumas medidas possíveis são: investir em infraestrutura, segurança, supervisionamento e prevenção nas escolas; promover uma cultura de paz, respeito e tolerância; estimular a participação e o protagonismo dos alunos; valorizar e capacitar os professores; fortalecer os vínculos familiares e comunitários; combater o tráfico e o consumo de drogas; criar espaços neutros de diálogo e mediação de conflitos; aplicar sanções educativas aos infratores e penalidades aos criminosos.

A violência nas escolas é um desafio que exige o compromisso de todos, especialmente os envolvidos na educação. Somente assim será possível construir um ambiente escolar mais seguro, saudável e propício ao aprendizado.

Os crimes de assassinatos de crianças nas escolas são uma triste realidade no Brasil, que tem registrado vários episódios trágicos nos últimos 20 anos. O caso mais recente ocorreu em Blumenau, Santa Catarina, onde um homem invadiu uma creche particular e matou quatro crianças com golpes de machadinha. As vítimas eram filhos únicos e tinham entre 4 e 7 anos. O criminoso se entregou à polícia após o ataque, com passagens por porte de drogas, lesão e dano. A motivação do crime ainda é desconhecida e a polícia investiga se há mais envolvidos.

Esse atentado se soma a outros que chocaram o país, como o de Realengo, no Rio de Janeiro, em 2011, que deixou 12 mortos; o de Suzano, em São Paulo, em 2019, que deixou 10 mortos; e o de Janaúba, em Minas Gerais, em 2017, que deixou 13 mortos após um segurança atear fogo em uma creche. Esses crimes revelam a necessidade de medidas de prevenção e proteção nas escolas, bem como de apoio psicológico aos sobreviventes e familiares das vítimas.