PRECISA DESENHAR?

Getúlio e Lula - Petrobras

PRECISA DESENHAR?

Descobri o petróleo na década de 70. Foi no bairro do Zumbi, menor bairro do Rio. Fica na Ilha do Governador. Chamávamos de piche o óleo já processado. Existia em todo lugar, inclusive no calor do asfalto, quando sentíamos o piche amolecido sob nossos pés. O cheiro também era forte. Nessa época já existia a Transpetro na Ilha D'água. Víamos os navios atracando e por vezes aconteciam vazamentos de óleo, as praias ficavam tomadas de manchas sobre as rochas costeiras, sobre as roupas e sobre nossas peles, então elas também passaram a existir em nossas vidas, cotidianamente.

O petróleo é muito antigo. Claro, não tão antigo quanto a idade do planeta. Este tem cerca de 4,5 bilhões de anos, já o petróleo, cerca de apenas 500 milhões de anos, pelo que andei lendo a respeito. Sua origem está relacionada à decomposição de seres orgânicos, especialmente plânctons, tipo adubo natural de baixo teor de oxigênio. Evidentemente, não como adubo doméstico, afinal a decomposição leva milhões de anos para se acumular em várias camadas no subsolo, isso inclui seus derivados, como o carvão mineral e o gás natural.

Desde a Antiguidade, temos registros desse material utilizado em antigas civilizações. Os egípcios, por exemplo, utilizaram até para embalsamar seus mortos. Os povos pré-colombianos e os babilônios o usaram na pavimentação de estradas. Em 1850, na Escócia, James Young descobriu que o petróleo podia ser extraído do carvão e xisto betuminoso. Então, em 1859, na Pensilvânia, foi perfurado o primeiro poço de petróleo do mundo por Edwin Drake. A partir daí a coisa engrenou de vez, tornando a produção já em escala industrial.

No Brasil, a existência do petróleo era baseada no relato de populares no regime imperial, devido ao betume na Bahia, chamado de "lama preta". Contudo, ninguém possuía contatos influentes para investir em pesquisa. Somente em 1932, o presidente Getúlio Vargas deu início ao achado. Em 1938 criou-se o Conselho Nacional do Petróleo e, em 1939, o primeiro poço foi encontrado no Lobato, Bahia. Finalmente, em 1953, criou-se a Petrobras, iniciando a exploração em águas profundas.

Com o tempo, o Brasil dominou a tecnologia de exploração ultra profunda. Aí o olho dos acionistas cresceu. Em 1997 (governo FHC), uma lei aprovou a extinção do monopólio estatal. Em 2006 atingimos a autossuficiência e, em 2007, a descoberta do pré-sal. Contudo, a expectativa de lucros foi gananciosa no âmbito político. Dilma Rousseff, reeleita em 2014, sofreu o golpe parlamentar sob a desculpa da pedalada fiscal, pois o PT mantinha uma política social que delimitaria lucros exorbitantes aos mais ricos para favorecer os mais pobres. Com apoio dos EUA, a Lava-Jato entrou em cena para interromper esse processo.

Hoje, isso ficou mais fácil do povo perceber. Em 2023, a Petrobras irá completar 70 anos de existência. No entanto, o governo anterior quis vendê-la a preço de banana (a mesma exibida no cercadinho), por entender que a empresa não traz lucro, somente "dor de cabeça". Consulte, relembre, reflita, porque esta imagem ficará para sempre na História.

Nota: A Ilha D'água localiza-se no interior ocidental da Baía de Guanabara, onde se realizam operações de cabotagem, facilitando o transporte de diversos produtos de petróleo.

O VERBO DESISTIR ESTÁ EM VOGA

O Verbo Desistir

O VERBO DESISTIR ESTÁ EM VOGA

Volta e meia tenho dúvida com a palavra. Sim, outro dia fui procurar a palavra desistência. Não lembro qual foi o motivo. O importante é a gente sempre acabar descobrindo algo mais. Por exemplo: todo mundo sabe que a palavra desistência vem do verbo desistir, no entanto, possui vários significados similares. Começando pelo ato de abdicação, renúncia, desinteresse, prescindir voluntariamente... até o modo mais popular: dar no pé, abandonar o barco.

Já pelo termo informal, coloquial, em modo mais chulo, o verbo desistir também pode significar defecar, evacuar. Caramba, juro que não sabia! Penso que, se tivesse procurado no dicionário impresso, não teria notado. Achei interessante o dicionário virtual proporcionado pela Oxford Languages via Google. Isso facilita a pesquisa, e muitas vezes uma ideia puxa outra.

Digo tudo isso porque estava há pouco lendo manchetes de notícias: Milton Ribeiro desistiu do acesso prévio ao Enem; Mamãe Falei desistiu de querer ser governador; o Partido Liberal desistiu de censurar o Lollapalooza; Milton Ribeiro, de novo, desistiu do cargo; Luciano Hang desistiu de ser senador; Daniel Silveira desistiu de dormir na Câmara; Queiroga desistiu de decretar o fim da pandemia; Eduardo Leite, João Dória e Sérgio Moro... todos desistiram.

Epa! O último nome chama atenção. Sérgio Moro já havia desistido antes: desistiu de ser juiz para ser ministro; desistiu de ser ministro para ser presidente, mas logo desistiu de novo. Três desistências seguidas dão direito a pedir música no Fantástico! A essa altura, até a "3ª via" já desistiu. Desse jeito não dá. Se continuar essa lengalenga, acabarei desistindo de ler jornal. Sinto-me até um idiota.

Como os eleitores suportam a ideia de terem sido enganados? O golpe parlamentar — confessado até pelo Temer — mostrou que políticos derrotados nas urnas buscam o poder por atalhos. Desde a redemocratização, os militares e a elite conservadora sempre deram a "letra da música". Mas a partir de 2002, com Lula e depois Dilma, precisaram aguentar anos de derrotas até que a estratégia do golpe, alimentada pela mídia, funcionasse em doses homeopáticas.

Tive um AVC alguns anos atrás, por isso, por via das dúvidas, fui refrescar a memória no YouTube. De tanto ouvir sobre desistência, lembrei de Dilma dizer justamente o contrário: "Não desistam da luta", ela disse em alto e bom tom. Esse verbo não faz parte do nosso vocabulário real, mas é tudo o que a mídia vende nesse período caótico.

Ainda tentam me convencer com farsas e Fake News. No entanto, não importa o jogo sujo desse governo: não desistirei. É uma luta permanente que exige esforço e dedicação constante. Como disse a presidenta: "Sempre vale a pena lutar pela democracia, jamais desistir". Por isso, mesmo que este verbo esteja em voga, eu não desistirei.