O VERBO DESISTIR ESTÁ EM VOGA
Volta e meia tenho dúvida com a palavra. Sim, outro dia fui procurar a palavra desistência. Não lembro qual foi o motivo. O importante é a gente sempre acabar descobrindo algo mais. Por exemplo: todo mundo sabe que a palavra desistência vem do verbo desistir, no entanto, possui vários significados similares. Começando pelo ato de abdicação, renúncia, desinteresse, prescindir voluntariamente... até o modo mais popular: dar no pé, abandonar o barco.
Já pelo termo informal, coloquial, em modo mais chulo, o verbo desistir também pode significar defecar, evacuar. Caramba, juro que não sabia! Penso que, se tivesse procurado no dicionário impresso, não teria notado. Achei interessante o dicionário virtual proporcionado pela Oxford Languages via Google. Isso facilita a pesquisa, e muitas vezes uma ideia puxa outra.
Digo tudo isso porque estava há pouco lendo manchetes de notícias: Milton Ribeiro desistiu do acesso prévio ao Enem; Mamãe Falei desistiu de querer ser governador; o Partido Liberal desistiu de censurar o Lollapalooza; Milton Ribeiro, de novo, desistiu do cargo; Luciano Hang desistiu de ser senador; Daniel Silveira desistiu de dormir na Câmara; Queiroga desistiu de decretar o fim da pandemia; Eduardo Leite, João Dória e Sérgio Moro... todos desistiram.
Epa! O último nome chama atenção. Sérgio Moro já havia desistido antes: desistiu de ser juiz para ser ministro; desistiu de ser ministro para ser presidente, mas logo desistiu de novo. Três desistências seguidas dão direito a pedir música no Fantástico! A essa altura, até a "3ª via" já desistiu. Desse jeito não dá. Se continuar essa lengalenga, acabarei desistindo de ler jornal. Sinto-me até um idiota.
Como os eleitores suportam a ideia de terem sido enganados? O golpe parlamentar — confessado até pelo Temer — mostrou que políticos derrotados nas urnas buscam o poder por atalhos. Desde a redemocratização, os militares e a elite conservadora sempre deram a "letra da música". Mas a partir de 2002, com Lula e depois Dilma, precisaram aguentar anos de derrotas até que a estratégia do golpe, alimentada pela mídia, funcionasse em doses homeopáticas.
Tive um AVC alguns anos atrás, por isso, por via das dúvidas, fui refrescar a memória no YouTube. De tanto ouvir sobre desistência, lembrei de Dilma dizer justamente o contrário: "Não desistam da luta", ela disse em alto e bom tom. Esse verbo não faz parte do nosso vocabulário real, mas é tudo o que a mídia vende nesse período caótico.
Ainda tentam me convencer com farsas e Fake News. No entanto, não importa o jogo sujo desse governo: não desistirei. É uma luta permanente que exige esforço e dedicação constante. Como disse a presidenta: "Sempre vale a pena lutar pela democracia, jamais desistir". Por isso, mesmo que este verbo esteja em voga, eu não desistirei.