No século XIV aconteceu a peste-negra. Tinha esse nome popular porque causava manchas negras na pele devido às infecções provocadas pelo bacilo. Também ficou conhecida como peste bubônica. A doença era transmitida por ratos, mas na época ninguém desconfiava disso.
Ora, todo rato tem pulga. Naquela época, a higiene não era lá essas coisas. A pulga pulava do pelo animal para o ser humano e o bacilo "deitou e rolou" geral em vários povoados.
Como a ciência biológica não existia, as causas eram atribuídas ao sobrenatural: castigo de Deus ou coisa do demônio. Culparam estrangeiros, imigrantes e judeus, gerando grande tensão política e social.
Médicos europeus perceberam o contágio respiratório e passaram a usar máscaras exóticas com bicos de aves. Enquanto isso, militares começaram a usar cadáveres infectados como tática de guerra, lançando-os sobre cidades inimigas, como em Kaffa (1346).
No século XV, o europeu trouxe a varíola para a América. Em 1767, os britânicos realizaram um genocídio intencional ao "doar" cobertores contaminados com varíola aos nativos norte-americanos. Uma epidemia planejada.
Na 2ª Guerra, os nazistas usaram o gás Zyklon B para extermínio em massa. Anos depois, no Vietnã, os EUA usaram o Agente Laranja, destruindo a natureza e vidas. A guerra química tornou-se o terror mais rápido e eficiente.
A tática dos tártaros de 1346 continua em prática. Entre acusações mútuas de potências globais e relatórios sobre experimentos biológicos modernos, ficamos com a pulga atrás da orelha: qual dos séculos é, de fato, o mais bárbaro?