O ESPÍRITO DE NATAL

O Natal é bom para toda a criançada, rica ou pobre. Elas sempre se divertem, correm e brincam. Por falar nisso, o Natal também reúne as famílias para novas discussões ou para fazer as pazes pelos conflitos do ano anterior. Melhor assim, sem discussões. Ficar "de boa" é a melhor escolha.

E quem tem o privilégio de comer peru assado com salada de maionese de maçã, ela passa mais rapidinho goela abaixo. Falei, passa? Sim, passas de uva, que lembram o verbo passando no arroz à grega. O cardápio muda até para quem curte um churrasco à moda gaúcha. A maçã e a passa dão o "oi" ao nosso sabor, inclusive no tradicional panetone.

Mesmo com a carga comercial, é preciso manter a mensagem de paz, sobretudo na origem simples da confraternização. Se o Natal não fosse necessário, mesmo em tempos de guerra o espírito natalino não seria lembrado. Já houve soldados que se sentaram em volta do fogo para confraternizar, mantendo a sentinela por segurança, mas permitindo-se o momento solene.

Vamos curtir o Natal mesmo nesses tempos estranhos e absurdos de extremismos. Sejamos um abraço sincero, uma palavra amiga. Que o Natal nos remeta ao sentimento de que os bem-aventurados são os conciliadores. Não há como permitir que o ódio fermente nos corações!

Nota Histórica

Existem casos raros de soldados que interromperam o confronto para celebrar a ceia. Na Guerra Civil Americana (1864) e na Guerra Russo-Japonesa (1904), houve tréguas. O caso mais famoso foi a Trégua de Natal de 1914, na Primeira Guerra Mundial. Alemães decoraram trincheiras com velas; britânicos e franceses responderam. Reuniram-se no campo de batalha, trocaram presentes e jogaram futebol. Um lembrete de que, mesmo no horror, há sempre espaço para a fraternidade.

Texto: Juidson Campos

NOVA AMIZADE

Estante de Livros

(foto acervo pessoal)

Arrumei companhia enquanto navego na internet. Geralmente é no final da tarde, quando o dia já abana o frescor da brisa na minha janela. Nossa amizade é recente; hoje completam duas semanas. No início, apenas o silêncio e olhares ressabiados. Por sorte, logo nos sentimos à vontade, embora ela continuasse intrigada com a luz do mouse piscando. Tornamo-nos amigos, sem mais cerimônias.

Foi sem querer. Puxei um livro da estante e ali estava ela, tirando uma pestana atrás do segundo volume de A Sabedoria da Índia e da China, de Lin Yutang… Caramba! Tal coincidência não seria um aviso, uma advertência budista? ‘Cada ser vivo em seu devido lugar da natureza divina’.

Não entendo como há pessoas que sentem nojo ou pavor destas criaturas tão limpinhas. Basta avistá-las nas paredes para pedirem vassouradas. Que crueldade. As lagartixas são inofensivas e