O COLAPSO

O COLAPSO

O que acontece no mundo beira o macabro. Acabou a ilusão da guerra distante, restrita a um único CEP. O controle ruiu. O cenário virou uma panela de pressão global engolindo Irã, Israel, Estados Unidos e o que mais estiver no caminho.

Tudo acelerou após o ataque aéreo contra mil alvos no Irã. A meta era paralisar o país. O Irã não cedeu. Em vez do confronto direto, respondeu com tempestades de mísseis balísticos e drones. A tática é a exaustão financeira: vencer pelo cansaço do bolso inimigo, obrigando o gasto de fortunas para interceptar cada ataque até esgotar as defesas aéreas.

O fogo se alastrou. Mísseis sobre Israel, o Líbano arrastado para o caos e as rotas navais do Golfo Pérsico bloqueadas. Uma teia de cordas grossas onde todos se enforcam.

Os Estados Unidos entraram com força bruta, colhendo apenas protestos e rachaduras políticas internas. A Europa recuou. Assombrada pelo espectro da crise energética e migratória, abraçou a diplomacia. A vitrine da união ocidental trincou. Washington afundou num buraco negro geopolítico: pensam que entrar numa guerra é apenas apertar um botão, mas sair dela é quase impossível.

O que embrulha o estômago, no entanto, é a carne civil. Já não se disputa território; disputa-se o fôlego do dia seguinte. Casas, hospitais e escolas viraram escombros. Água e luz são luxos de um passado recente.

Há crianças crescendo sob o uivo das sirenes, aprendendo que o trauma é a regra do mundo. O futuro cobrará a conta. Uma geração inteira tem a mente mutilada hoje.

No fim, o lucro é zero. Resta apenas o custo incalculável da incerteza. O que sangra no tabuleiro não é o poder militar, mas o próprio pilar que sustenta o que resta de ordem no mundo. A única dúvida é se ainda existe alguém lúcido o bastante para pisar no freio antes que a vingança consuma o que sobrou.

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O PREÇO DO FOGO E O PESO DO SILÊNCIO

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O Preço do Fogo

E o Peso do Silêncio


Enquanto o mundo arde, o fogo queima mais além, nós assistimos ao incêndio pela tela fria do smartphone ou da TV. Estamos apáticos, sentimos uma preguiça de não pensar para não fazer doer ainda mais. Do conforto anestesiante de nossos lares, então consumimos essa loucura, essa tragédia geopolítica, sentindo uma frustração estéril, uma indignação de sofá que morre antes mesmo de cruzar a porta de casa.

Mas, ainda assim, este alerta precisa ecoar, precisa insistir, nem que tenha que reverberar como um soco no estômago de nossa inércia: não podemos mais ser a plateia muda assistindo o nosso próprio fim.

Há uma ironia totalmente macabra em todo esse tabuleiro global mais atual: menos de um punhado de pessoas com mentalidade velhaca e criminosa está nos ferrando silenciosamente por trás. É uma verdadeira “quadrilha” que sorrateiramente chantageia as rédeas da política sem ninguém notar. E pior, decidiu arriscar: risca um palito de fósforo sob uma nuvem de gás inflamável.

Mas afinal, quem irá se queimar?

Enquanto move a chama, sente-se protegido pela distância, não se importa com o preço da insana estupidez, sabe que será pago de imediato com a vida de crianças e civis inocentes que tombam sob o fogo. Mas a fatura dessa loucura não respeita fronteiras, pode ter certeza disso. O alerta é claro e universal: as classes trabalhadoras de todo o planeta arcarão com as consequências desse jogo insano de poder. Sim, isso mesmo, pode acreditar: somos nós a engrenagem que move o mundo, que continuamos, no fim das contas, a financiar com suor e empobrecimento, as bombas desses tiranos.

É exatamente por isso que o vazio de nossas avenidas é tão ensurdecedor e vastamente decepcionante…

Onde estão os milhões marchando? Sim! Onde está o levante popular exigindo o fim dessa insanidade?

O conformismo revela nossa cumplicidade. O alerta bate em nossa porta, exige nossa ruptura: parem de apenas assistir à mídia, recusem o papel de vítimas, tomem as ruas ou qualquer outro espaço de mobilização! É um dever moral dizer um sonoro “NÃO” a esse grupo criminoso que empurra a humanidade para o abismo!

Não nos enganemos com a ilusão de que este é apenas mais um conflito regional passageiro! A gravidade do nosso tempo está batendo em nossa porta e ninguém parece ouvir ou, quem sabe, espera alguém ir lá abrir…

Mas quem?

Estamos atravessando um dos momentos mais difíceis e críticos da história da humanidade, a turbulenta transição de uma ordem mundial para outra. A encruzilhada é impiedosa, não podemos nos afastar da TV! Mas perceba: se continuarmos de braços cruzados, se continuarmos nos recusando a nos envolver de forma mais sincera e ativa, o futuro cobrará seu tributo com guerras ainda maiores e cada vez mais sangrentas.

O alerta grita na porta, o recado foi dado e o relógio da história não perdoa a omissão. Ou a sociedade civil global se levanta para arrancar os fósforos das mãos dessa quadrilha ou amanhã todos nós, sem exceção, seremos consumidos pelo fogo que nos recusamos a apagar.


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O QUE RESISTE

O QUE RESISTE


A guerra chega devagar, como um homem velho subindo uma escada. Primeiro um pé, depois o outro. Depois, quando você menos espera, ela está ali, sentada na sua sala, contando mentiras sobre honra.

Estive pensando nisso esta manhã, enquanto limpava meus óculos. As notícias chegam pelo rádio, pelas redes sociais, mas as notícias nunca contam a verdade. Dizem que o Irã está fabricando armas nucleares. Dizem ser preciso agir com a mesma voz com que disseram sobre o Iraque, sobre o Afeganistão, sobre tantos lugares que já não existem mais como existiam.

Estamos falando de uma civilização cujos ancestrais ainda viviam em cavernas. E isso não é arrogância, é apenas um fato. Os norte-americanos sequestraram o presidente na Venezuela. Disseram ser por causa das drogas. Sabemos que não é isso. É pelo petróleo que brilha na superfície da água como sangue de peixe.

Um homem pode justificar qualquer coisa se tiver uma boa história. Na guerra, aliás, cada um com sua própria justificativa. Não importa se eles têm famílias, têm receios, têm olhos que nos olham enquanto perecem. No final, a justificativa não importa. O que importa é que eles estarão mortos e eu estou aqui, escrevendo sobre isso.

O petróleo é apenas petróleo. Queima, move máquinas, suja as mãos. Mas os homens matam por ele como matam por mulheres ou por terras há mais de três mil anos. Nada muda. Apenas as armas ficam mais eficientes.

No Irã, as crianças ainda devem estar brincando nas ruas. Os mercados ainda devem estar cheios de especiarias e tecidos coloridos. Os velhos ainda devem se sentar à sombra das mesquitas azuis, contando histórias sobre Alexandre e sobre os árabes e sobre os mongóis que vieram e foram embora. Porque no Oriente Médio os impérios vêm e vão como as marés, mas o povo fica.

Agora virão os bombardeios inteligentes, as munições guiadas por precisão, os comunicados oficiais. Chamarão de operação, de intervenção, de defesa preventiva. Mas no fundo é sempre a mesma coisa: homens com poder enviando homens sem poder para matar outros homens que também não têm poder.

E quando tudo acabar, quando o último poço estiver seco e a última bomba tiver caído, o que restará? Os poemas persas ainda existirão. As mesquitas ainda estarão de pé, talvez. E os velhos continuarão sentados à sombra, contando sobre o tempo em que os americanos vieram, com suas justificativas e suas bombas, e depois foram embora.

Porque, no fim, a única coisa que realmente importa é o que resiste. O petróleo acaba. As justificativas também. Mas um povo antigo, milenar, que já viu impérios nascerem e morrerem, esse continuará.


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