A SOLIDÃO NÃO ESCOLHIDA

Sei que existem vários modos de sentir a solidão. Claro, isso envolve o emocional, também. Comigo, a solidão já vem desde a infância, quando eu achava mais interessante brincar sozinho. Eu podia inventar minhas próprias brincadeiras sem que ninguém dissesse como eu deveria agir. Gostava, inclusive, de jogar futebol sozinho, driblando todos os meus fantasmas, porque eu realizava gols com torcida soprada da minha própria garganta. Era mais emocionante…

Quando a gente cresce, descobre que existe a solidão escolhida e a solidão que não se escolhe. A primeira é uma velha amiga de outrora. Ela cresce junto, nos acompanha em tudo. A solidão que a gente não escolhe, não, ela é terrível. Ela nos invade sem pedir licença, se aloja no espírito e não quer mais sair. Muitas vezes ela me enganou, se escondeu; eu pensava ter me livrado dela, mas de repente reaparece mostrar que estava ali o tempo todo.

Então, quando chegou a pandemia, a solidão que a gente não escolhe tomou conta de tudo. Muitas vezes a peguei de "mala e cuia" junto à porta da minha alma. De fato, é muito difícil conviver com a solidão que a gente não imaginou existir. Dá nos nervos, a gente perde a noção do tempo. É uma solidão nada agradável, ela se impõe de maneira tirana a ponto de me deixar deprimido…

Ando preocupado, já não durmo direito. A solidão escolhida anda sumida. Lembro que, outro dia, prostrado na cama, a TV ligada falava de mais de 210 mil mortos pela Covid-19… Ando pensando seriamente em arrumar minhas malas e fugir para bem longe daqui, também. Talvez eu encontre minha solidão escolhida. Sinto saudades; ela era tão amiga, leal e companheira.

Texto: Juidson Campos