O TEMPO ROUBADO NO (6x1)

Ilustração: Pixabay (Oil Painting)

O Tempo Roubado no (6X1)

Desde os primórdios da civilização, o trabalho tem sido uma constante na vida humana. Na antiguidade, a escravidão impunha jornadas exaustivas sem qualquer direito. Na Idade Média, o servo da gleba estava preso à terra. Com a Revolução Industrial, as fábricas surgiram como verdadeiros monstrengos, engolindo homens, mulheres e crianças em jornadas intermináveis.

No Brasil, a CLT representou um avanço significativo. No entanto, propostas que flertam com o aumento da carga horária e a redução do descanso nos retrocedem a uma época que acreditávamos ter superado. A jornada de trabalho não é apenas um número em um contrato; é tempo de vida.

Imagine um trabalhador que sai de casa às 6h da manhã e retorna às 22h. Como ele poderá cuidar dos filhos, ler um livro, assistir a um filme ou exercer sua cidadania? A exaustão rouba a alma antes de roubar o corpo. O estresse crônico e a ansiedade são os sintomas de uma sociedade que esqueceu que o trabalho deve ser um meio para uma vida digna, e não um fim em si mesmo.

Defender o equilíbrio na jornada é defender a qualidade de vida. O progresso econômico deve vir da inovação, da educação e da tecnologia, não da exaustão da mão de obra.

"Imagine, aqui não entrou nem o ‘Tempo (já) Roubado’ da aposentadoria!"

A propósito... em que século estamos, mesmo?

UMA VIDA ENTRE PÁGINAS

Fotografia original do acervo do autor

Uma Vida Entre Páginas

Lembro-me de criança, imerso em um mundo de letras e imaginação. A caneta, meu fiel escudeiro, deslizava sobre as páginas em branco, dando vida a personagens e aventuras que brotavam da minha mente fértil. A escrita era um refúgio, um lugar onde eu podia ser quem quisesse.

Mas a vida nem sempre se alinha aos nossos sonhos. As responsabilidades se acumularam cedo e a necessidade de trabalhar me afastou um pouco da literatura. Os cadernos, no entanto, continuaram sendo meus companheiros inseparáveis. Escrevia em qualquer canto, em qualquer momento livre. Eram dezenas de cadernos, todos rabiscados com letras miúdas e cheios de sonhos.

Naquela época, a tecnologia ainda era um sonho distante. A máquina de escrever, quando finalmente a adquiri, era um luxo e uma novidade. Pesada e barulhenta, ela me acompanhou por muitos anos, registrando cada palavra com o tilintar característico das teclas.

Hoje, com o advento da era digital, a escrita se tornou ainda mais prazerosa e acessível. Posso criar, editar e publicar meus livros com apenas alguns cliques. A possibilidade de revisar meus textos a qualquer hora é um privilégio que eu nunca imaginei ter.

Mas, apesar de todas as facilidades, ainda sinto nostalgia pelos cadernos antigos. Aquelas páginas amareladas, cheias de rabiscos e correções, guardam uma parte importante da minha história. São testemunhas de uma paixão que nasceu na infância e que continua viva até hoje.

"A escrita é mais do que um hobby; é uma forma de expressão, uma maneira de compartilhar experiências e sentir-me vivo."

A NÉVOA QUE ROUBA MEMÓRIAS

Ilustração: Pixabay

A Névoa que Rouba Memórias

A memória é um labirinto intrincado, onde guardamos as preciosidades de nossas vidas. Cada canto, cada curva, cada bifurcação abriga um fragmento de quem somos, um pedacinho de história que nos moldou. Mas, para alguns, esse labirinto se transforma em uma névoa densa, obscurecendo os caminhos e apagando as lembranças. É assim que se manifesta o Alzheimer, um ladrão silencioso que invade a mente e rouba o passado.

Imagine ter vivido uma vida rica, repleta de experiências e amores, e de repente, ver tudo se esvair como fumaça ao vento. É como se a mente se tornasse um livro com páginas em branco, onde antes havia uma narrativa vibrante. O Alzheimer é um pouco disso: uma doença que apaga as letras e as palavras, deixando apenas um rastro tênue de quem se foi.

No início, são esquecimentos pequenos, como onde deixou as chaves ou o nome de um conhecido. Mas, com o tempo, a doença avança e os lapsos se tornam mais frequentes e mais profundos. A pessoa pode esquecer o rosto de um filho, o sabor da comida favorita ou até mesmo como realizar tarefas simples, como tomar um banho ou se vestir.

É uma jornada dolorosa, não apenas para quem sofre da doença, mas também para os familiares e amigos. Ver um familiar se perder em sua própria mente é como assistir a um naufrágio em câmera lenta. A cada dia, um pouco mais daquela pessoa se afasta, deixando para trás um vazio imenso.

Esta crônica não tem o intuito de informar tecnicamente sobre o mal de Alzheimer, mas sim de falar sobre a fragilidade da vida e a importância de cada momento, de cada abraço e de cada palavra dita. É um convite à reflexão sobre como valorizamos nossas memórias e como podemos oferecer compaixão àqueles que as estão perdendo.