A MALDIÇÃO DO REVISOR EM MIM
Sou um autor, um escritor, um criador de mundos, um arquiteto de frases… quer dizer, acho que sou, não sei bem. Às vezes tenho dúvidas disso. Talvez eu seja um revisor incansável, um editor implacável e um crítico literário impiedoso… comigo mesmo.
A cada palavra que escrevo, um exército de dúvidas se levanta, um batalhão de “e se” invade minha mente. Esta palavra está boa? E se eu trocasse por outra? Será que o adjetivo combina? Pior: será que a frase inteira é essa? Pior ainda: a história é essa mesma? Hum, e se eu…
E assim, a dança frenética entre a criação e a destruição se inicia. É como se eu tivesse dentro de mim um revisor insano, cruel, quiçá até sádico, que se aproveita da minha fragilidade intelectual, tomando conta de tudo.
A cada releitura, descubro um novo erro, uma nova possibilidade, uma nova ideia que, claro, exige a reescrita de tudo o que já foi escrito até aqui! É um ciclo vicioso, um labirinto sem fim, uma espiral descendente rumo à loucura!
Já tentei de tudo para conter esse impulso autodestrutivo. Blocos de notas, guardanapos, ditado, escrita automática. Nada funciona. A obsessão pela perfeição me persegue como uma sombra. E o pior: por mais que me esforce, nunca fico satisfeito. É como se estivesse condenado; por mais que me aproxime da ideia, ela sempre se afasta.
Enquanto isso não acontece, paciência, continuo preso nesse ciclo infernal. Sinceramente, acho que não sou um escritor; já estou começando a achar que sou, mesmo, um revisor torturante. Talvez seja mais fácil me dedicar a esse ofício… quiçá eu não desenvolveria melhor meu sadismo... ou será masoquismo?