CRIMES CONTRA A VIDA DE POLÍTICOS NO RIO

RIO DE JANEIRO: ENTRE O TURISMO E O TERRORISMO POLÍTICO

A cidade do Rio de Janeiro já não é vista apenas como a 'Cidade Maravilhosa', pelo menos fora dos cartões-postais e da mídia turística de Carnaval. O cidadão carioca, sem distinção de classe, está exausto. O povo, maltratado historicamente, assiste à sua capital tornar-se o epicentro de assassinatos políticos no país.

Além da criminalidade comum — as balas perdidas e as chacinas — há um medo paralisante de denunciar. Ninguém sabe em quem confiar para obter proteção.

"Esperar segurança de quem deveria proteger, mas muitas vezes oprime, é o mesmo que esperar o morcego doar sangue."

A Baixada Fluminense lidera as estatísticas sombrias. Alvos frequentes são aqueles que ousam enfrentar milícias — grupos paramilitares que controlam do tráfico de drogas à grilagem de terras. O caso Marielle Franco e Anderson Gomes, ocorrido há mais de cinco anos, ainda projeta uma sombra de impunidade sobre o estado.

A Violência que não Cessa

Recentemente, o choque veio da Barra da Tijuca. Os assassinatos dos médicos Marcos Corsato, Diego Bomfim e Perseu Almeida, em outubro de 2023, reforçaram o alerta. Diego era irmão da deputada Sâmia Bomfim, cujas críticas ao sistema político já lhe haviam rendido ameaças de morte familiares.

Estes crimes mostram que, mesmo em uma democracia, o posicionamento político pode se tornar uma sentença. Embora o governo anuncie forças-tarefas e programas de proteção, as medidas ainda se mostram insuficientes diante da escalada da violência política.

É urgente que as autoridades investiguem com rigor e celeridade. Sem respostas e punições exemplares, a democracia brasileira continuará sangrando em solo carioca.