BALAS PERDIDAS ACHADAS EM CRIANÇAS

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BALAS PERDIDAS

ACHADAS SEMPRE EM CRIANÇAS

O Brasil detém um recorde fúnebre: é o país que lidera a mortalidade infantil por balas perdidas em todo o mundo. Segundo o estudo da organização Save the Children, divulgado em 2023, o país registrou 1.814 mortes de jovens por disparos entre 2018 e 2020.

Este número representa 60% do total mundial de mortes de crianças por armas de fogo. A imensa maioria das vítimas compartilha o mesmo perfil: negra, pobre e moradora de periferias onde a violência armada é o cotidiano.

De acordo com o dossiê "Violência armada no Brasil: Crianças em perigo", da ONG Rio de Paz, a letalidade é acachapante. Estima-se que, entre 2007 e 2022, 1.344 menores de 14 anos perderam a vida para o chumbo. O dado mais sensível, entretanto, aponta para a origem do fogo: em 2022, 60% dessas fatalidades ocorreram durante ações policiais.

Estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará concentram o maior volume desses casos. Somente em 2022, o Rio contabilizou 200 mortes, seguido por São Paulo (120) e Ceará (60). Trata-se de uma crise humanitária interna que exige mais do que notas de pesar; exige medidas urgentes de prevenção e o combate ao uso desmedido da força armada.

A proteção da infância é o dever primeiro de qualquer Estado que se pretenda democrático. Enquanto as balas continuarem a ser "achadas" nos corpos de nossos meninos e meninas, a democracia será apenas uma palavra oca em áreas de conflito.