7 de out. de 2026

A Servidão Neocolonial

A Servidão Neocolonial



Enquanto nos gabinetes atapetados de Brasília a bolha do poder se ocupa com a política identitária e com afagos de bajuladores, no balcão do supermercado a vida real tritura o brasileiro comum.

Com salários que não cobrem as compras até o fim do mês e com a inflação de preços sufocando o cotidiano, a desesperança popular permanece invisível para um governo desconectado da realidade.

Acomodado sobre os louros do passado e focado em pautas distantes do dia a dia, o governo vem ignorando a transformação da sociedade, inclusive com o avanço expressivo de lideranças religiosas atuando diretamente na política.

É nessa brecha de insatisfação que também opera implacável a engrenagem das redes sociais. Guiados pela lógica dos “tecnofeudalistas do Vale do Silício”, os algoritmos passam a priorizar o barulho, o ódio e o rancor em detrimento do pensamento crítico.

Em sua eficaz colonização do subconsciente, parcelas expressivas da população foram manipuladas a depositar seu voto na dinastia do clã Bolsonaro, a maioria iludida pela promessa vazia de uma vida melhor.

É justamente a partir dessa escolha que o erro mais desastroso e aterrorizante se consuma, tal a incapacidade de discernir entre o anseio legítimo por transformação e o ato fatal de entregar a soberania nacional ao "império do caos".

De fato, boa parte do eleitorado brasileiro, infelizmente, não percebe que está abrindo as portas para que fundos globais e o complexo financeiro-militar de Washington transformem o território nacional em pilhagem imperialista.

Não percebe (ou recusa-se a entender?) que as vastas riquezas em petróleo, gás, água e minerais de terras raras passarão a ser entregues sem resistência a um governo vassalo.

Sabendo ou não, a consequência dessa escolha autodestrutiva será o pior feito do nosso século: o país, que antes despontava como um motor do Sul Global e da multipolaridade, agora é reduzido a uma nação secundária, empobrecida e rebaixada mais uma vez.

Sim, porque, sob a ameaça de uma dinastia política que pode se estender por anos ou décadas, o Brasil arrisca-se a produzir a sua própria servidão neocolonial para o restante do século XXI, restando-lhe carregar o peso aterrorizante do desastre que causou a si mesmo.


Acompanhe os contos, crônicas e novidades editoriais de Juidson Campos:

© Juidson Campos. Todos os direitos reservados.

Texto de autoria de Juidson Campos. Ilustração gerada via inteligência artificial com direção de arte do autor.

3 de out. de 2026

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O Atestado das Urnas



Amanhã vamos votar para presidente. E, desta vez — preocupem-se —, não se trata de mera panfletagem, mas de uma realidade que exige muito mais do que apenas uma reflexão sóbria: um dos candidatos está envolvido em crimes até o pescoço.

Vejamos o currículo deste senhor:

Em Niterói, uma menina de cinco anos, chamada Ana Clara, brincava na porta de casa quando foi atingida por disparos. O policial militar acusado usava um fuzil e o caso foi mandado para júri popular.

Este mesmo candidato, já eleito senador, interveio no processo e assinou, de próprio punho, um pedido de defesa para atrasar e evitar o julgamento. E conseguiu: os anos se passaram e o acusado continuou sem ir a banco dos réus.

Vale lembrar que, anos antes, na mesma cidade, a juíza Patrícia Acioli mandava policiais envolvidos em crimes para o julgamento popular. Pois bem. Ela foi executada na porta de sua residência com vinte e um tiros.

Enquanto isso, o “nosso candidato” foi à internet publicar que o hábito da juíza de "humilhar" policiais nas sessões havia contribuído para que ela acumulasse inimigos.

O histórico não para por aí:

Ele enviou quase duzentos mil reais em verbas públicas para uma estrutura associada a envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco.

Destinou, ainda, seiscentos e sessenta e seis mil reais a um instituto de medicina fantasma. Ironia macabra ou não, a entidade figurava em nome de um morador humilde, beneficiário do Bolsa Família, que sequer desconfiava ser o proprietário registrado.

Há, também, a aquisição de coletes para a polícia com suspeita de superfaturamento e um voo de jato particular para os Estados Unidos na companhia de um empresário e de seu advogado — o mesmo que dividia a sala comercial de seu gabinete.

Na véspera do pleito, a história se expõe de forma nua e crua, e os fatos permanecem escancarados diante de nós.

O que nos leva à pergunta central:

Se a biografia do candidato é um catálogo assombroso de barbáries, o que dizer da moralidade de quem o escolhe amanhã nas urnas?

A bússola ética de uma nação é colocada à prova quando o eleitor decide que o endosso ao cinismo, ao crime e à milícia é um preço aceitável para o poder.

Se este homem corre o risco real de ser eleito, o problema já deixou de ser apenas a sociopatia de um político; passou a ser a putrefação da nossa própria consciência coletiva.

Afinal, depositar o futuro nas mãos de quem tripudia sobre cadáveres não é apenas um voto. É um atestado de falência moral de quem aperta a tecla.

Que horror, Deus nos ajude...


© Juidson Campos. Todos os direitos reservados.

Texto de autoria de Juidson Campos. Ilustração gerada via inteligência artificial com direção de arte do autor.

20 de set. de 2026

O ETERNO AMANHÃ

O Eterno Amanhã - Ilustração

Estamos quase no fim de setembro. Logo entraremos no mês de outubro e, no primeiro domingo desse novo mês, vamos votar nas eleições para presidente. Quisera estarmos errados, mas tudo indica que haverá o segundo turno. Uma pena, pois, incontestavelmente, há uma grande diferença de experiência de projetos já realizados entre eles.

Enquanto isso, muitos especialistas falam nas redes sociais — inclusive sobre geopolítica. Mas não se preocupe: nada de panfletagem por aqui, apenas uma reflexão sóbria a respeito. A começar por aquela lembrança do velho globo terrestre que aparecia nas fotografias de quando éramos alunos na escola. Faz sentido.

Aliás, por falar em “geopolítica”, essa palavra quase não se ouvia… ao menos não durante os bancos escolares daquela época. O que tínhamos eram mapas. Tanto dependurados nas paredes das salas de aula quanto impressos nos livros de Geografia.

Mas os mapas não se importam com as nossas opiniões. Eles apenas mostram os países, os estados, os continentes e o lugar exato onde cada um de nós se encontra — como aqui no Brasil, por exemplo. E, geopoliticamente falando, essa palavra agora ganha um peso urgente. Durante muito tempo, este chão foi enxergado como um território à margem do desenvolvimento, ficando para trás, com o futuro sempre empurrado para um eterno amanhã.

Agora, o jogo pode mudar.

Sob a grama e a rocha, o nosso solo guarda o que os homens das grandes capitais do mundo desesperadamente cobiçam: densas concentrações de terras raras, como o nióbio para ligas de defesa e aeronaves, e o lítio para mover os veículos do futuro. Não é romantismo. É mineral.

Enquanto isso, três sombras compridas se debruçam sobre a mesa.

Os primeiros são os homens de Washington. Eles olham para o nosso país porque temem depender do minério chinês para fabricar seus chips, caças e redes de segurança nacional.

Os segundos são os homens de Pequim, que nos encaram porque não aceitam perder o controle da cadeia global de suprimentos que construíram ao longo de décadas.

E os terceiros são os homens da Europa, que também nos rondam porque precisam de baterias e turbinas eólicas, sem desejar ficar à mercê dos outros dois gigantes.

Todos eles oferecem capital, tecnologia e um caminhão de promessas. Até porque nosso país possui portos modernos voltados para o Atlântico Sul e rotas estratégicas ligadas ao resto do continente. Embarcar a pedra bruta nos porões de um cargueiro estrangeiro é fácil — o difícil é decidir quem realmente vai ditar os rumos do navio.

A história da nossa terra é clara, mas também é triste: no passado, levaram o pau-brasil; depois, o ouro, a borracha e o ferro; mais recentemente, extraímos o petróleo do pré-sal sem antes consolidar plenamente o refino e o parque industrial próprio.

Se repetirmos o mesmo roteiro agora, a riqueza bruta cruzará o mar e o valor agregado se dissolverá, beneficiando tanto o hemisfério norte quanto o outro lado do oceano.

A questão central não é o que repousa debaixo dos nossos pés. A questão é se haverá maturidade e coragem para recusar as tentações fáceis do momento. Decidir processar a riqueza no próprio solo, verticalizar a cadeia produtiva e gerar ciência nacional exige visão de Estado, firme e lúcida.

O mundo está, sim, olhando para nós. E não olha por generosidade, diplomacia romântica ou simpatia cultural. Olha, porque precisa urgentemente da nossa terra para garantir sua própria hegemonia pelas próximas décadas.

Essa encruzilhada terá de ser encarada nos próximos três a cinco anos. Um povo pode optar por ser o senhor de sua própria casa ou se conformar em ser o eterno quintal de suprimentos para a casa dos outros.

Será que continuaremos despachando nossas riquezas a granel enquanto nos distraímos com o barulho estéril das redes sociais?

Geopolítica será apenas isso?


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© Juidson Campos. Todos os direitos reservados.

Texto de autoria de Juidson Campos. Ilustração gerada via inteligência artificial com direção de arte do autor.

14 de set. de 2026

MANIFESTO CONTRA ECOCÍDIO

Manifesto Contra Ecocídio

Se você olhar para o céu hoje, é fácil perceber que algo está errado. O ar muitas vezes fica pesado e a fumaça de queimadas torna até difícil respirar. Isso não acontece por acaso: vivemos em um mundo movido pela queima constante de petróleo, gás e carvão. Tudo o que comemos e usamos para sustentar bilhões de pessoas depende desses recursos finitos. O grande problema é que continuamos agindo como se nada estivesse acontecendo, ignorando que estamos levando o equilíbrio do planeta ao limite.

Essa busca sem freios por combustível também alimenta guerras e grandes operações militares. Os exércitos mais poderosos do planeta consomem quantidades gigantescas de combustível e estão entre os maiores poluidores da Terra, mas a poluição que eles geram quase nunca é contabilizada nas conversas oficiais. A disputa pelo controle do petróleo destrói ambientes naturais, queima refinarias e degrada a natureza, tratando a Terra como algo descartável.

Para piorar, o planeta está esquentando muito mais rápido do que a ciência previa. Por muito tempo, a própria sujeira gerada por navios e indústrias funcionou como um escudo no ar, bloqueando parte do calor do sol. Quando essa poluição dos combustíveis marinhos foi reduzida para limpar o ar, esse escudo protetor desapareceu. Sem ele, os oceanos passaram a absorver muito mais calor, mostrando que o clima reage de forma muito mais agressiva ao acúmulo de gases poluentes do que se imaginava.

O resultado dessa exploração desenfreada é um ambiente cada vez mais extremo, o que ameaça a produção de alimentos, o fornecimento de água e a vida de milhões de pessoas. Em vez de união para resolver a crise, o risco é ver mais violência e autoritarismo conforme os recursos essenciais ficam escassos. A forma como a humanidade consome o planeta hoje coloca em risco direto o futuro das novas gerações que vão herdar este mundo.

Se queremos agir diante desse cenário, a orientação trazida pelos debates mencionados nos links abaixo é não se entregar ao desânimo nem à apatia. Existem atitudes que podemos tomar agora mesmo:

  • Enfrentar a verdade e sair da desinformação: O primeiro passo é parar de ignorar a gravidade da situação. Isso exige nos afastar das distrações diárias da internet e dos conteúdos superficiais que tentam nos manter desinteressados sobre o que acontece no mundo.
  • Conversar abertamente com as pessoas: É preciso criar espaços para conversas sinceras com quem está ao nosso redor. Devemos falar claramente sobre a destruição do planeta e trazer para o debate assuntos que costumam ser escondidos, como o impacto ambiental provocado pelos grandes exércitos e pela indústria do petróleo.
  • Apoiar a união entre os grupos de pessoas: Precisamos nos aproximar e apoiar movimentos sociais e grupos que lutam contra os abusos de grandes empresas e de governos autoritários, recusando a ideia de que a derrota é inevitável.
  • Tomar atitudes práticas na sua comunidade: Embora existam problemas que já não podemos evitar totalmente, ainda temos o poder de escolher como agir hoje. Isso significa rejeitar o comodismo, apoiar quem está ao nosso redor e aprender tarefas úteis para o dia a dia, como plantar alimentos e organizar a ajuda mútua entre vizinhos.
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Juidson Campos
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16 de ago. de 2026

UM CONVITE ESPECIAL

Juidson Campos na máquina de escrever

Um Convite Especial aos Leitores do Escrevinhados

Bom dia, meus caros leitores.

Chegamos a uma marca formidável: já ultrapassamos as 60 mil visualizações neste espaço. Cada clique, cada leitura, cada instante que vocês dedicaram às minhas crônicas, dramas e sátiras tem um valor inestimável para mim. Escrever só ganha o seu verdadeiro sentido quando a história encontra o seu leitor.

Para celebrar essa caminhada e expandir nossos horizontes literários, estou preparando o lançamento de dois contos inéditos. Mas, desta vez, a experiência será um pouco diferente — e ainda mais próxima.

Convido todos vocês a conhecerem e se inscreverem no Escrevinhados no Substack. Lá, vocês continuarão tendo acesso gratuito e integral a todos os textos, mas com um diferencial que preparei com muito cuidado: as histórias agora contam com versões em áudio, narradas por mim mesmo. É a literatura ganhando voz.

Para não perderem os próximos lançamentos, peço que cliquem no botão abaixo e inscrevam o seu e-mail. É rápido, gratuito e garante que vocês serão avisados automaticamente a cada nova publicação.

Próximos Lançamentos (Reserve as Datas!)

"O Estranho Invasor" — Estreia em 21 de Agosto (Sexta-feira)

O Estranho Invasor - Ilustração

"A Jabuticaba do Meu Cão" — Estreia em 4 de Setembro (Sexta-feira)

A Jabuticaba do Meu Cão - Ilustração

Espero todos vocês na nossa nova casa literária. Um grande abraço!


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6 de ago. de 2026

Amnésia Coletiva

Amnésia Coletiva

Oitenta e um anos após a maior atrocidade já presenciada, a humanidade flerta com o perigoso hábito do esquecimento.

O Eco do Silêncio: Memória contra o Apocalipse Nuclear

O texto reflete sobre o perigo da amnésia coletiva em relação aos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, ocorridos há mais de oito décadas. O autor destaca que a mortalidade instantânea causada por essas armas nucleares foi um evento sem precedentes na história, superando qualquer outra tragédia humana. Existe uma preocupação central de que, com o falecimento dos últimos sobreviventes, o mundo perca a memória visual e emocional desses horrores. O conteúdo questiona se o esquecimento das atrocidades passadas poderia facilitar a eclosão de um novo conflito global devastador. Assim, a obra serve como um alerta sobre a importância de manter viva a consciência histórica para evitar a repetição de erros catastróficos. Dessa forma, a preservação da memória é apresentada como uma ferramenta essencial para a sobrevivência da humanidade.


Hoje, continuar vivo parece ser sempre arriscado. Isso porque, lentamente, o mundo se esquece do que aconteceu há mais de oitenta anos. Para ser exato, há oitenta e um anos, faltando duas décadas para cem anos de lembrança.

Talvez pareça muito tempo — ainda mais àqueles que nasceram depois —, mas, se pararmos para pensar um minuto, ainda hoje restam vivos menos de cem mil sobreviventes; todos eles, aliás, com idade já bem avançada.

Quanto aos outros, as vítimas somadas da população de Hiroshima e Nagasaki, mais de duzentas mil pessoas morreram instantaneamente… morreram no mesmo minuto, fora aqueles que morreram horas ou dias depois.

Talvez você pense que, ainda hoje, milhões de pessoas morram vítimas de tragédias naturais, de epidemias, de genocídios, de guerras, mas uma mortalidade assim, pode ter certeza, nunca ocorreu em toda a história da humanidade.

Como consolo, porém, dizem que o tempo sempre ajuda a esquecer as tragédias, os conflitos armados, as feridas já cicatrizadas, os traumas vagarosamente superados… Mas será que, um dia, a humanidade vai se esquecer desse tamanho horror, dessa tamanha atrocidade?

Porque, se pararmos para pensar mais outro minutinho, a ‘Segunda Guerra Mundial’ é a continuação da ‘Primeira’! Partindo-se dessa premissa, então, caso haja a ‘Terceira’, será que, ainda assim, a humanidade continuará se esquecendo?


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11 de jul. de 2026

DOIS MINEIROS PELO MUNDO

Fred e Laryssa - Vou Sem Volta

✈️🌍 Dois mineiros pelo mundo

Há quem diga que viajar é colecionar horizontes. Fred e Laryssa, jovens de Patos de Minas (MG), parecem confirmar essa máxima com cada vídeo que compartilham no canal Vou Sem Volta. De mochila leve (às vezes pesada) e olhar curioso, eles transformam o cotidiano em narrativa, e o distante em próximo.

O encanto está na simplicidade: não há artifícios, apenas a naturalidade de quem observa e relata. Seja atravessando mercados asiáticos ou caminhando por ruas europeias, o casal nos convida a enxergar o mundo com olhos desarmados, atentos ao detalhe que escapa na pressa.

Segui-los é mais do que acompanhar destinos; é aprender a viajar também dentro de si, reconhecendo que cada encontro, cada cenário, cada história, é um pedaço de humanidade compartilhada.

📌 Se você aprecia relatos genuínos, daqueles que não se preocupam em parecer perfeitos, mas em serem verdadeiros, vale a pena embarcar com Fred e Laryssa. O Vou Sem Volta não é apenas um canal de viagens — é um convite a se deixar levar pela beleza do inesperado.


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6 de jul. de 2026

Hemingway e a Queda do Punho Norte-Americano

Vídeo de Danny Haiphong que inspirou esta reflexão.

Eu estava navegando na internet, pesquisando no YouTube, quando assisti a este vídeo dublado de Danny Haiphong. Ele é um jornalista, um escritor norte-americano falando de guerras, de presidentes, de homens ricos que mandam no destino dos outros.

A princípio, não entendi muito bem. Nunca fui bom em política. Mas o escutei falar e, de repente, pareceu que o mundo é uma mesa de pôquer onde só alguns jogam com cartas marcadas — porque o mundo tem elites, guarda segredos e há países que se enfrentam como touros em uma arena.

Então pensei em Hemingway, que escrevia sobre touros e sobre aqueles homens que bebiam e esperavam a morte, sobre guerras que não faziam sentido. E eu, ainda muito jovem na década de 70, só queria entender por que tudo parecia tão pesado, tão angustiante, embora suas histórias fossem mais interessantes e comoventes.

Naquela época, quando eu saía na rua, até parecia que o vento soprava como em Havana, seco e salgado. Eu também lembrava de Paris, mesmo sem nunca ter ido lá. Imaginava Hemingway sentado em um café, escrevendo com frases curtas, sem adorno. Talvez fosse assim que se deveria falar da política: sem adorno, sem mentira. Só o que é.

Danny Haiphong, neste vídeo, fala de poder, de manipulação, de verdades escondidas. Estranho... eu pensava que o mundo fosse como uma luta de boxe em Cuba: dois homens no ringue, uma briga mano a mano. Não é verdade; quero dizer, pelo menos agora, porque pelo visto quem decide o resultado é quem está fora, quem segura o dinheiro. E nós, uns idiota que assistimos, ficamos somente com a poeira, com o suor que não é nem mesmo nosso.

Como disse, não sei de política, muito menos de geopolítica, mas sei que há homens que mandam e há povos que sofrem. Sei que a verdade nunca vem inteira. Sei que o mundo é duro, como dizia Hemingway. Bem, mesmo sem entender muito bem o que Danny diz, agora carrego a preocupação como Hemingway carregava uma garrafa de rum: pesada, amarga, mas necessária... Caramba, quanta saudade ele devia sentir de Cuba!

Talvez escrever seja a única forma de lutar. Escrever simples, sim, como ele escrevia. Não entendo tudo, mas preciso tentar assim mesmo. Porque, afinal de contas, o mundo é grande, e eu sou pequeno. Mas, ainda assim, quero olhar para ele sem baixar os olhos com medo.

Imagine. Agora entendi o vídeo do jovem Danny. É um manifesto, um monólogo. E tudo isso por causa do dia 4 de julho, que foi anteontem, quando Trump disse que os Estados Unidos são excepcionais. Disse, inclusive, que são o melhor país do mundo!

Não é verdade. O império americano está em declínio. É odiado. As elites de poder causam sofrimento em nome desta hegemonia. No Irã, milhões choram seu líder assassinado. Milhares morreram em uma guerra de 37 dias iniciada pelos Estados Unidos e Israel. Crianças foram mortas em ataques. Israel ataca o Líbano com apoio americano. É genocídio. O mesmo em Gaza.

Pior. Os Estados Unidos estão perto de uma guerra nuclear com a Rússia. A classe que domina Washington, o Pentágono, Wall Street e os monopólios não aceita que a Rússia se levantou. A guerra na Ucrânia começou porque os Estados Unidos apoiaram nazistas em 2014. Que a Rússia luta e avança. Quanto mais avança, mais ameaças recebe. A OTAN segue ordens americanas. A guerra nuclear é uma possibilidade real. Só os Estados Unidos utilizaram armas nucleares. O Japão foi atacado e hoje tem mais bases americanas do que qualquer outro país.

Os Estados Unidos não agem como civilização. Agem como bárbaros. Estão arruinando vidas em todo lugar. O padrão de vida caiu desde que o império se consolidou. A pobreza explodiu. A dívida prende países. Só a China oferece cooperação real. Os Estados Unidos acusam a China de armadilha da dívida, mas são eles que deixam rastros de genocídio. Povos indígenas, escravidão, Filipinas, Vietnã, Coreia, Iraque. Meio milhão de iraquianos mortos por sanções. Chamaram isso de “vale a pena”.

Devemos ficar indignados. O império americano está em declínio. Há caos político interno. O povo sofre. O tempo está acabando, e o confronto com o sul global é inevitável. E o Irã é a chave da Eurásia. É parceiro da Rússia e da China. O objetivo final dos Estados Unidos é impedir que a China se torne a maior economia. Mas isso vai acontecer. A China assusta porque pode criar cooperação que exclui os Estados Unidos. Eles não sabem cooperar. Só sabem dominar.

Israel e Estados Unidos são duas faces da mesma moeda. Trabalham pelo mesmo império. Quanto mais os Estados Unidos declinam, mais violentos ficam; quanto mais violentos, mais o mundo busca alternativas. Cuba tenta se libertar do bloqueio. O Irã busca concessões para aliviar seu povo. Não é traição. É sobrevivência. Precisamos abandonar visões binárias. Geopolítica não é jogo. É vida. É luta de classes global.

O império americano é sustentado por uma elite secreta. Muitos não têm acesso ao poder. São explorados. Mas carregam a culpa. Não devemos sentir culpa. Devemos sentir raiva. Devemos ter determinação para acabar com o poder dessa elite. A multipolaridade é o caminho. A vitória da Rússia na Ucrânia será um golpe no império. Bem, a China, ao contrário, cresce sem guerra. Cooperação mútua é seu modelo. Diferente da dominação americana.

A humanidade não é o excepcionalismo americano. Precisamos encarar a realidade. O império aposta no colapso para enriquecer ainda mais. Alguns acreditam no fim dos tempos. Querem pegar tudo e deixar o resto sem nada. A luta da humanidade é contra isso. Só vamos sair juntos. Com solidariedade. Não com desespero, mas com otimismo e ação.

Nos Estados Unidos, milhões vivem na pobreza. Dívidas, prisões, racismo, violência. É difícil criar solidariedade. Mas há bilhões no mundo construindo algo diferente. Há resistência no Líbano, em Gaza, no Irã. A ordem multipolar está nascendo. O dólar perde força. A humanidade avança. A elite é minúscula. Quer que nos desesperemos. Quer que celebremos o 4 de julho sem pensar.

Não, não é assim. Precisamos pensar. Precisamos nos conectar. Verdade. Precisamos parar de desprezar os pobres, os presos, os imigrantes. Precisamos de dignidade. Portanto, precisamos de multipolaridade. Essa é a mensagem. Um caminho turbulento, sim, mas há esperança. A luta pela paz precisa continuar.

Hemingway e a Queda do Punho Norte-Americano

Ilustração original: "A verdade nunca vem inteira". Técnica de nanquim e carvão gerada por IA/Gemini.


Juidson Campos
Escrevinhados • Autor

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16 de jun. de 2026

O CASTELO DO MUNDO

O Castelo do Mundo

Por Juidson Campos

O óleo que lambia as pedras da Ilha do Governador não tinha a textura da terra virgem da Sibéria, mas trazia a mesma sombra da morte. Era 1978. Eu era jovem, e o cinema era uma sala escura onde o mundo fazia sentido, mesmo quando o mundo lá fora se dissolvia em resíduos químicos e descaso.

Vi um homem na tela. Era Dersu. Não era um herói de opereta, era um homem que falava com o fogo e com o vento. Ele entendia que a vida era um sopro, uma chama pequena que o mundo, com sua fome de progresso, se encarregava de apagar. Eu não sabia o nome do cineasta; para mim, o filme era apenas a verdade, bruta e sem filtros. Kurosawa era apenas o homem que permitiu que aquela verdade chegasse até mim, embora eu ainda não soubesse pronunciar seu nome.

Anos mais tarde, em uma locadora de fitas VHS — aquele santuário de plástico e ruídos magnéticos —, um colega me entregou Dreams. Vi os sonhos que se tornavam pesadelos, a cor que se convertia em alerta. Entendi, então, que o cinema não era apenas entretenimento; era uma lente que focava o que preferíamos ignorar.

Hoje, observo o tabuleiro. Os senhores da guerra mudaram de figurino. Não usam armaduras que rangem sob o sol, nem dependem da lealdade de filhos que cobiçam o trono. Agora, a guerra é decidida em salas de carpete alto e ar-condicionado, com a temperatura perfeita para o sangue frio. Eles não sujam as mãos de óleo ou lama; apontam para mapas com dedos limpos.

O destino do mundo virou um jogo de mesa entre cavalheiros que não ouvem o choro da terra, nem o grito dos que não têm voz. É o eco de Ran. O velho soberano, em sua soberba, dividiu seu domínio acreditando que a ordem duraria além de sua vontade. O resultado foi o caos: a bandeira queimando no castelo em chamas, o extermínio.

Nós estamos no castelo. A diferença é que, agora, o castelo é o planeta inteiro. Eles observam a tela dos radares, calculando perdas como se fossem estatísticas de uma colheita ruim. Eles não têm a sabedoria de Dersu, que sabia que o homem é apenas um hóspede da natureza. Eles se sentem donos da casa.

Quando a história for escrita — se é que alguém restará para escrevê-la — veremos que nossa tragédia não foi a falta de avisos, mas a nossa incapacidade de ver que, por trás das cortinas fechadas e das negociações frias, o destino de todos nós é apenas combustível para a vaidade de meia dúzia de homens que, como em Ran, estão prontos para ver tudo queimar em nome de um poder que eles nunca, de fato, possuíram.

Para aprofundar a experiência:

Os links acima direcionam para conteúdos públicos hospedados no YouTube, servindo apenas como referência educacional e cultural para esta crônica. Todos os direitos sobre as obras pertencem aos seus respectivos detentores.

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31 de mai. de 2026

O SOLDADO E O RUÍDO

O Soldado e o Ruído

Por Juidson Campos

Em 1945, o soldado brasileiro caminhou sob o inverno das montanhas italianas. Carregava um fuzil e o peso de um país que mal conhecia. O frio tinha dentes, era uma presença física: congelava o metal, mordia os dedos e fazia o tempo parar. Conquistou colinas porque disseram ser necessário. Viu homens morrerem por linhas de trincheiras; não pediu licença ao inimigo, apenas avançou.

Havia honra naquilo. Não a honra dos livros, mas a da sobrevivência e do dever cumprido quando o mundo parecia ter enlouquecido. Quando voltou, trouxe cicatrizes e o silêncio daqueles que viram o fim e sobreviveram.

Hoje, os tempos são outros. O frio não vem das montanhas; o gelo está nos gabinetes acarpetados de quem prefere o calor de um poder tirânico. Não caminham na neve, não passam fome; caminham em corredores de mármore em capitais estrangeiras. Levam o pires na mão para implorar intervenção. Olham para o próprio país como uma propriedade em liquidação. Chamam de diplomacia. Chamam de defesa da democracia.

O soldado, em 1945, dava a vida para que o Brasil não fosse tutelado. O político de hoje entrega a soberania para que ele próprio não seja esquecido pela história. O soldado era feito de carne, medo e coragem. O político é feito de palavras, medo e vaidade. Um conhece o preço do solo; o outro, o preço de um telefonema para quem vive no hemisfério norte.

É curioso: o soldado de ontem lutou para que o país existisse, mas há certos políticos de hoje que lutam para que o país se curve. Ambos são reais. Mas apenas um deles sabe o que significa ser brasileiro, sobretudo quando o sol se punha e o silêncio da trincheira era a única resposta.

O resto é ruído. E o ruído não tem honra.

Nota de Resumo Complementar: Esta crônica estabelece uma dicotomia ética entre o sacrifício histórico dos combatentes brasileiros na Segunda Guerra Mundial e o comportamento de certas lideranças políticas da atualidade. O autor exalta a coragem daqueles que enfrentaram o rigor das batalhas pela soberania nacional, contrastando esse brio com a vaidade contemporânea de quem prioriza interesses particulares e gabinetes luxuosos. A crítica central recai sobre a busca por tutela estrangeira, interpretada como uma fragilidade diplomática que desonra a memória dos soldados. Em última análise, o texto define a verdadeira identidade do país como um compromisso com o dever, tratando a submissão a poderes externos como uma traição ao legado de independência conquistado nas trincheiras.

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23 de mai. de 2026

A MOLDURA DO FIM

A Moldura do Fim

Por Juidson Campos

Sei que o tempo parece um oceano sem fim. Mas só parece. Afinal, acordo, faço planos, e o tempo segue com aquela impressão de que a vida nunca vai deixar de existir.

É engano. Existe uma voz silenciosa em volta de mim. Ela viaja como uma sombra invisível, exata, e sussurra suavemente a finitude em meus ouvidos… às vezes nem sobra tempo de ouvir.

Oh, não importa, isso não vai acontecer agora; é muito cedo. Vou me distrair, aproveitar; logo esqueço dessa ideia tão fúnebre. É simples assim. Fingirei que sou imortal.

Sim, é isso mesmo, não importa se é uma ilusão; só preciso não sentir medo, basta olhar para o fim como algo distante, tipo uma peça pregada pela minha imaginação.

Enquanto isso, sinto o vento no rosto, o sol a brilhar sobre o mar e o coração a pulsar. Viver é o que importa, não preciso fugir: a morte ainda está muito longe de mim.

E quando ela finalmente chegar?

Bem, por certo já terei partido, deixando a dor esvaecida, imóvel e dissolvida junto ao corpo que tive. Ora, por que sofrer antes da hora se tal encontro quiçá nunca compreenderei?

Talvez até transforme minha existência em um descanso, o merecido suspiro de um alívio final, num universo, aliás, que caminha para a calmaria do fim eterno de tudo. Igual. Vai se saber?

Só me resta o tempo limitado. Talvez me desapegue daquela sombra onde apenas se copia o que todos fazem. É a urgência do fim, dando-me valor e coragem a cada passo que escolho dar no presente.

Se um dia o universo me parecer um lugar vazio, inventarei o meu próprio sentido. Tentarei ser feliz, mesmo empurrando a minha própria pedra montanha acima, ao menos tentarei fazer da existência a minha obra de arte.

Um desafio que também me sussurra: viva cada paixão, cada amizade de tal forma completa, que se o universo me oferecer repetir a exata mesma vida por toda a eternidade, sorrirei e gritarei que sim… bem, desde que não haja esta tortura sem fim.

Aliás, o grande crime não é perecer, mas viver adiando tudo, como se houvesse o tempo infinito que, na verdade, não tenho. Quando o fim parece real, a ilusão cai e só o importante permanece.

Não pretendo deixar que a sociedade assustada me esconda o manual da minha vida. Devo, portanto, fazer da finitude a moldura do meu próprio quadro de viver.

Ela é o filtro que limpa as futilidades, a linha imaginária que dá sentido à corrida. Saber que a vida acaba é um peso, sim, mas, ao mesmo tempo, é o convite para começar a viver de verdade, afinal ainda estou vivo.

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6 de mai. de 2026

O SILÊNCIO DOS IGUAIS

O Silêncio dos Iguais

Por Juidson Campos

O sol ainda esquenta a terra árida. A poeira sobe e desce. É antiga. O sangue seca rápido na areia. A guerra, não. Já dura setenta e sete anos. É muito tempo no mesmo conflito.

A mulher, agora, tem trinta e cinco anos e observa o filho. O menino tem dez anos e brinca no chão. Ela sente o peso do tempo. Sabe como a engrenagem gira. Quando nasceu, isso tudo já existia.

Ela vestiu o uniforme militar na juventude, e essa lembrança não a abandona. O marido serviu no exército. O pai dele, também. O fuzil é uma herança de família.

A matemática é simples e cruel: em oito anos, o menino completará dezoito e também se apresentará ao quartel.

A mãe decide interromper a marcha. Quebra o silêncio e pergunta ao marido: "Queremos viver assim? Queremos nosso filho no exército daqui a oito anos? Qual é o nosso futuro aqui?".

O futuro é sombrio porque a ideologia precisa disso. Sim, a máquina precisa de inimigos para se manter viva. Sem a guerra, a ideologia perde o sentido e o poder.

O Estado não tem uma constituição. Os mesmos homens que fazem as leis as executam. Apenas mudam de sala, mas são os mesmos. Aprovam regras para a proteção do governo, quando, na verdade, a lei deveria proteger o povo.

Pior ainda. Dizem que é uma democracia, mas a religião e o Estado caminham juntos; não há como distingui-los. A verdadeira democracia não é assim, profundamente misturada, é necessário separar os velhos deuses do governo pragmático dos homens.

Muitos não aguentam mais olhar para a frente e não ver nada. Somente uma miragem, uma ilusão. Tanto que duzentos e setenta mil arrumaram as malas e deixaram o país. Fogem da violência irracional.

A velha ideia de dois estados separados não funciona e parece cada vez mais distante. O ódio é grande, e as feridas continuam abertas, com o sangue ressecado, polvilhado de areia.

Mas existe um plano na mesa. Uma proposta realista e honesta: um governo federal.

São quinze milhões e meio de pessoas sob a mesma lei, na mesma terra. Juntos, israelenses e palestinos. Ninguém destrói os governos locais, mas constrói-se um teto em comum. Um parlamento com trezentos assentos.

A matemática do poder muda. Para uma nova lei existir, cinquenta e cinco por cento dos representantes de cada lado devem dizer sim. A minoria tem força. A minoria tem proteção. A lei suprema é laica e trata todos como iguais, sem perguntar como rezam ou de onde vêm.

A mãe olha para o menino de dez anos. Não quer mais vitórias militares. Quer apenas que o menino viva. A paz é a única segurança verdadeira. Se existe a paz, os exércitos perdem a utilidade e a vida continua.

O menino para de correr e olha para a mãe. O sol continua a queimar. Ela sabe que a verdadeira coragem agora não é atirar, mas sim construir um único país onde o filho não precise morrer.

Seria um sonho, uma utopia criar regras justas e tratar a todos com igualdade? Não seria o meio mais sincero de resolver essas brigas que parecem impossíveis de terminar?

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3 de mai. de 2026

O DEVER DO PÃO

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O Dever do Pão

A fome é micro e macro, ao mesmo tempo. Pode-se dizer que é biologicamente atemporal. Basta ter vida para ter fome.

Desde sempre, todos os bosques, todos os animais, alimentam-se do chão, dos rios, das chuvas e do ar... Os seres humanos também.

Não como antes, é claro; porque, atualmente, cerca de 318 milhões de pessoas enfrentam a fome aguda no mundo, acredite. Evidentemente, nesses números alarmantes, devem ser incluídas as crises climáticas, os ataques em Gaza, além dos cortes na ajuda internacional em vários países ou regiões.

Isso é triste, desanimador, porque, enquanto algumas iniciativas buscam reduzir desigualdades e garantir dignidade, os conflitos armados e políticas bélicas em diferentes regiões do mundo — incluindo a atuação de grandes potências e de países em guerra — têm contribuído para o aumento da fome global, ao deslocar populações, destruir sistemas agrícolas e reduzir recursos destinados à ajuda humanitária.

O Brasil, por exemplo, com o ‘Fome Zero’, ofereceu ao mundo um exemplo de política pública voltada à vida e à justiça social, contrastando com modelos que priorizam a guerra e acabam agravando a crise alimentar mundial.

Outro exemplo?

Cacique Raoni e o provérbio indígena

A fome, para os povos indígenas, não é apenas biológica: é ruptura da harmonia entre humanos, natureza e cosmos. O combate à fome passa por solidariedade, partilha e respeito à terra, valores que contrastam com modelos individualistas de consumo. Essas práticas revelam ao mundo uma visão alternativa e profundamente humana sobre como garantir alimento e dignidade.

Mais um exemplo?

Conheça Amritsar.

O templo dourado fica no centro, e a cidade inteira gira ao redor dele. Antes de cruzar os portões, é preciso cobrir a cabeça. Lavar as mãos. Depois, os pés. A água é limpa, embora milhares de pessoas passem por ali todos os dias.

Os homens usam turbantes. Um detalhe: no passado, naquela região do Punjab, apenas a realeza os usava. Os sikhs mudaram isso. Eles disseram que todos os homens usariam também. Não haveria mais reis ou plebeus, apenas homens iguais.

O turbante na multidão passou, então, a ser a marca de um homem pronto para ajudar quem precisasse. Era o dever deles.

A cozinha não para. Funciona vinte e quatro horas por dia, todos os dias do ano. Cem mil pessoas entram e comem ali diariamente. Ninguém cobra nada. Ninguém paga nada.

Na hora de comer, as pessoas sentam-se no chão em longas fileiras. Comem arroz, grão-de-bico, lentilhas e pão. Bebem água de potes de metal.

Quando a refeição acaba, levantam-se. Imediatamente, homens jogam água fervendo e limpam o chão. Tudo é limpo, rápido e organizado.

Perto dali, o som do metal batendo é alto e constante. Mais de duzentas pessoas lavam pratos ao mesmo tempo. Não há chefes dizendo o que fazer. Se há algo sujo, um homem vai até lá e limpa. Eles não recebem salário por isso.

Ali, os homens doam dez por cento do que ganham. Quem não tem dinheiro, doa o próprio tempo. Fazer o bem aos outros é apenas o básico.

Não acredita? Para conhecer a cidade e entender em detalhes como tudo isso funciona, assista ao vídeo logo abaixo.

Aqui, um vídeo inspirador do canal Davi e Cata. Confira, você vai se surpreender:

Assista ao vídeo de Amritsar no YouTube
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