O SOLDADO E O RUÍDO

O Soldado e o Ruído

Por Juidson Campos

Em 1945, o soldado brasileiro caminhou sob o inverno das montanhas italianas. Carregava um fuzil e o peso de um país que mal conhecia. O frio tinha dentes, era uma presença física: congelava o metal, mordia os dedos e fazia o tempo parar. Conquistou colinas porque disseram ser necessário. Viu homens morrerem por linhas de trincheiras; não pediu licença ao inimigo, apenas avançou.

Havia honra naquilo. Não a honra dos livros, mas a da sobrevivência e do dever cumprido quando o mundo parecia ter enlouquecido. Quando voltou, trouxe cicatrizes e o silêncio daqueles que viram o fim e sobreviveram.

Hoje, os tempos são outros. O frio não vem das montanhas; o gelo está nos gabinetes acarpetados de quem prefere o calor de um poder tirânico. Não caminham na neve, não passam fome; caminham em corredores de mármore em capitais estrangeiras. Levam o pires na mão para implorar intervenção. Olham para o próprio país como uma propriedade em liquidação. Chamam de diplomacia. Chamam de defesa da democracia.

O soldado, em 1945, dava a vida para que o Brasil não fosse tutelado. O político de hoje entrega a soberania para que ele próprio não seja esquecido pela história. O soldado era feito de carne, medo e coragem. O político é feito de palavras, medo e vaidade. Um conhece o preço do solo; o outro, o preço de um telefonema para quem vive no hemisfério norte.

É curioso: o soldado de ontem lutou para que o país existisse, mas há certos políticos de hoje que lutam para que o país se curve. Ambos são reais. Mas apenas um deles sabe o que significa ser brasileiro, sobretudo quando o sol se punha e o silêncio da trincheira era a única resposta.

O resto é ruído. E o ruído não tem honra.

Nota de Resumo Complementar: Esta crônica estabelece uma dicotomia ética entre o sacrifício histórico dos combatentes brasileiros na Segunda Guerra Mundial e o comportamento de certas lideranças políticas da atualidade. O autor exalta a coragem daqueles que enfrentaram o rigor das batalhas pela soberania nacional, contrastando esse brio com a vaidade contemporânea de quem prioriza interesses particulares e gabinetes luxuosos. A crítica central recai sobre a busca por tutela estrangeira, interpretada como uma fragilidade diplomática que desonra a memória dos soldados. Em última análise, o texto define a verdadeira identidade do país como um compromisso com o dever, tratando a submissão a poderes externos como uma traição ao legado de independência conquistado nas trincheiras.

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A MOLDURA DO FIM

A Moldura do Fim

Por Juidson Campos

Sei que o tempo parece um oceano sem fim. Mas só parece. Afinal, acordo, faço planos, e o tempo segue com aquela impressão de que a vida nunca vai deixar de existir.

É engano. Existe uma voz silenciosa em volta de mim. Ela viaja como uma sombra invisível, exata, e sussurra suavemente a finitude em meus ouvidos… às vezes nem sobra tempo de ouvir.

Oh, não importa, isso não vai acontecer agora; é muito cedo. Vou me distrair, aproveitar; logo esqueço dessa ideia tão fúnebre. É simples assim. Fingirei que sou imortal.

Sim, é isso mesmo, não importa se é uma ilusão; só preciso não sentir medo, basta olhar para o fim como algo distante, tipo uma peça pregada pela minha imaginação.

Enquanto isso, sinto o vento no rosto, o sol a brilhar sobre o mar e o coração a pulsar. Viver é o que importa, não preciso fugir: a morte ainda está muito longe de mim.

E quando ela finalmente chegar?

Bem, por certo já terei partido, deixando a dor esvaecida, imóvel e dissolvida junto ao corpo que tive. Ora, por que sofrer antes da hora se tal encontro quiçá nunca compreenderei?

Talvez até transforme minha existência em um descanso, o merecido suspiro de um alívio final, num universo, aliás, que caminha para a calmaria do fim eterno de tudo. Igual. Vai se saber?

Só me resta o tempo limitado. Talvez me desapegue daquela sombra onde apenas se copia o que todos fazem. É a urgência do fim, dando-me valor e coragem a cada passo que escolho dar no presente.

Se um dia o universo me parecer um lugar vazio, inventarei o meu próprio sentido. Tentarei ser feliz, mesmo empurrando a minha própria pedra montanha acima, ao menos tentarei fazer da existência a minha obra de arte.

Um desafio que também me sussurra: viva cada paixão, cada amizade de tal forma completa, que se o universo me oferecer repetir a exata mesma vida por toda a eternidade, sorrirei e gritarei que sim… bem, desde que não haja esta tortura sem fim.

Aliás, o grande crime não é perecer, mas viver adiando tudo, como se houvesse o tempo infinito que, na verdade, não tenho. Quando o fim parece real, a ilusão cai e só o importante permanece.

Não pretendo deixar que a sociedade assustada me esconda o manual da minha vida. Devo, portanto, fazer da finitude a moldura do meu próprio quadro de viver.

Ela é o filtro que limpa as futilidades, a linha imaginária que dá sentido à corrida. Saber que a vida acaba é um peso, sim, mas, ao mesmo tempo, é o convite para começar a viver de verdade, afinal ainda estou vivo.

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O SILÊNCIO DOS IGUAIS

O Silêncio dos Iguais

Por Juidson Campos

O sol ainda esquenta a terra árida. A poeira sobe e desce. É antiga. O sangue seca rápido na areia. A guerra, não. Já dura setenta e sete anos. É muito tempo no mesmo conflito.

A mulher, agora, tem trinta e cinco anos e observa o filho. O menino tem dez anos e brinca no chão. Ela sente o peso do tempo. Sabe como a engrenagem gira. Quando nasceu, isso tudo já existia.

Ela vestiu o uniforme militar na juventude, e essa lembrança não a abandona. O marido serviu no exército. O pai dele, também. O fuzil é uma herança de família.

A matemática é simples e cruel: em oito anos, o menino completará dezoito e também se apresentará ao quartel.

A mãe decide interromper a marcha. Quebra o silêncio e pergunta ao marido: "Queremos viver assim? Queremos nosso filho no exército daqui a oito anos? Qual é o nosso futuro aqui?".

O futuro é sombrio porque a ideologia precisa disso. Sim, a máquina precisa de inimigos para se manter viva. Sem a guerra, a ideologia perde o sentido e o poder.

O Estado não tem uma constituição. Os mesmos homens que fazem as leis as executam. Apenas mudam de sala, mas são os mesmos. Aprovam regras para a proteção do governo, quando, na verdade, a lei deveria proteger o povo.

Pior ainda. Dizem que é uma democracia, mas a religião e o Estado caminham juntos; não há como distingui-los. A verdadeira democracia não é assim, profundamente misturada, é necessário separar os velhos deuses do governo pragmático dos homens.

Muitos não aguentam mais olhar para a frente e não ver nada. Somente uma miragem, uma ilusão. Tanto que duzentos e setenta mil arrumaram as malas e deixaram o país. Fogem da violência irracional.

A velha ideia de dois estados separados não funciona e parece cada vez mais distante. O ódio é grande, e as feridas continuam abertas, com o sangue ressecado, polvilhado de areia.

Mas existe um plano na mesa. Uma proposta realista e honesta: um governo federal.

São quinze milhões e meio de pessoas sob a mesma lei, na mesma terra. Juntos, israelenses e palestinos. Ninguém destrói os governos locais, mas constrói-se um teto em comum. Um parlamento com trezentos assentos.

A matemática do poder muda. Para uma nova lei existir, cinquenta e cinco por cento dos representantes de cada lado devem dizer sim. A minoria tem força. A minoria tem proteção. A lei suprema é laica e trata todos como iguais, sem perguntar como rezam ou de onde vêm.

A mãe olha para o menino de dez anos. Não quer mais vitórias militares. Quer apenas que o menino viva. A paz é a única segurança verdadeira. Se existe a paz, os exércitos perdem a utilidade e a vida continua.

O menino para de correr e olha para a mãe. O sol continua a queimar. Ela sabe que a verdadeira coragem agora não é atirar, mas sim construir um único país onde o filho não precise morrer.

Seria um sonho, uma utopia criar regras justas e tratar a todos com igualdade? Não seria o meio mais sincero de resolver essas brigas que parecem impossíveis de terminar?

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O DEVER DO PÃO

Ouça a análise literária
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O Dever do Pão

A fome é micro e macro, ao mesmo tempo. Pode-se dizer que é biologicamente atemporal. Basta ter vida para ter fome.

Desde sempre, todos os bosques, todos os animais, alimentam-se do chão, dos rios, das chuvas e do ar... Os seres humanos também.

Não como antes, é claro; porque, atualmente, cerca de 318 milhões de pessoas enfrentam a fome aguda no mundo, acredite. Evidentemente, nesses números alarmantes, devem ser incluídas as crises climáticas, os ataques em Gaza, além dos cortes na ajuda internacional em vários países ou regiões.

Isso é triste, desanimador, porque, enquanto algumas iniciativas buscam reduzir desigualdades e garantir dignidade, os conflitos armados e políticas bélicas em diferentes regiões do mundo — incluindo a atuação de grandes potências e de países em guerra — têm contribuído para o aumento da fome global, ao deslocar populações, destruir sistemas agrícolas e reduzir recursos destinados à ajuda humanitária.

O Brasil, por exemplo, com o ‘Fome Zero’, ofereceu ao mundo um exemplo de política pública voltada à vida e à justiça social, contrastando com modelos que priorizam a guerra e acabam agravando a crise alimentar mundial.

Outro exemplo?

Cacique Raoni e o provérbio indígena

A fome, para os povos indígenas, não é apenas biológica: é ruptura da harmonia entre humanos, natureza e cosmos. O combate à fome passa por solidariedade, partilha e respeito à terra, valores que contrastam com modelos individualistas de consumo. Essas práticas revelam ao mundo uma visão alternativa e profundamente humana sobre como garantir alimento e dignidade.

Mais um exemplo?

Conheça Amritsar.

O templo dourado fica no centro, e a cidade inteira gira ao redor dele. Antes de cruzar os portões, é preciso cobrir a cabeça. Lavar as mãos. Depois, os pés. A água é limpa, embora milhares de pessoas passem por ali todos os dias.

Os homens usam turbantes. Um detalhe: no passado, naquela região do Punjab, apenas a realeza os usava. Os sikhs mudaram isso. Eles disseram que todos os homens usariam também. Não haveria mais reis ou plebeus, apenas homens iguais.

O turbante na multidão passou, então, a ser a marca de um homem pronto para ajudar quem precisasse. Era o dever deles.

A cozinha não para. Funciona vinte e quatro horas por dia, todos os dias do ano. Cem mil pessoas entram e comem ali diariamente. Ninguém cobra nada. Ninguém paga nada.

Na hora de comer, as pessoas sentam-se no chão em longas fileiras. Comem arroz, grão-de-bico, lentilhas e pão. Bebem água de potes de metal.

Quando a refeição acaba, levantam-se. Imediatamente, homens jogam água fervendo e limpam o chão. Tudo é limpo, rápido e organizado.

Perto dali, o som do metal batendo é alto e constante. Mais de duzentas pessoas lavam pratos ao mesmo tempo. Não há chefes dizendo o que fazer. Se há algo sujo, um homem vai até lá e limpa. Eles não recebem salário por isso.

Ali, os homens doam dez por cento do que ganham. Quem não tem dinheiro, doa o próprio tempo. Fazer o bem aos outros é apenas o básico.

Não acredita? Para conhecer a cidade e entender em detalhes como tudo isso funciona, assista ao vídeo logo abaixo.

Aqui, um vídeo inspirador do canal Davi e Cata. Confira, você vai se surpreender:

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ENTRE O SOLDO E O SALÁRIO

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Entre o Soldo e o Salário

Ele caminha pela rua com a marmita fria na mão. O uniforme invisível é o da rotina, mas o corpo carrega marcas de batalhas silenciosas. Não voltou de uma guerra distante; voltou de um turno de trabalho. O soldado que regressa do front e o operário que regressa da fábrica se reconhecem no mesmo cansaço.

O soldado recebe o soldo; o trabalhador, o salário. Ambos descobrem que o dinheiro não basta para comprar dignidade. O veterano dorme sob pontes, esquecido pela pátria que exaltou seu sacrifício. O operário enfrenta filas de emprego, esquecido pela empresa que exaltou sua produtividade.

A guerra não termina. Apenas muda de cenário. No campo de batalha, o inimigo é outro homem. No mercado de trabalho, o inimigo é a inflação, o desemprego, a máquina que substitui braços. O Estado precisa deles enquanto produzem, enquanto lutam. Depois, são descartados.

O soldado e o operário se encontram no mesmo silêncio. Um lembra o som dos tiros; o outro, o som da sirene da fábrica. Ambos sabem que, quando a guerra ou o turno termina, a luta pela sobrevivência continua.

E, neste Dia do Trabalho, a reflexão se impõe:
se a sociedade celebra o sacrifício de quem luta — seja com armas ou com ferramentas — mas permite que ambos terminem na mesma vulnerabilidade, qual é, afinal, o sentido de tudo isso?

Escrevinhados - Juidson Campos

SESSENTA DIAS

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Sessenta dias

Sessenta dias de guerra contra o Irã. Parece muito. Mas não é. É só mais uma guerra.

Li no Twitter. Rolei o feed; tomei café, li de novo. Antes foi Gaza. Lembro das primeiras postagens. Um prédio cedendo. Depois, outro. Novas explosões. Depois, vi um vídeo de uma mãe procurando o filho no meio dos escombros. Girei o celular na mão e fui ver o preço da gasolina.

O Líbano veio depois. Ou junto — nem sei mais. As notícias se misturam. Bombardeios no sul de Beirute. Uma escola bombardeada. Mais de cem crianças mortas. Um hospital foi atingido. Clico na foto, aumento, vejo poeira cinza. É sempre a mesma poeira.

Agora é o Irã. Sessenta dias. Os Estados Unidos autorizaram mais ataques. Israel faz o grosso da força. O noticiário diz “retaliação”. Diz “escalada”. Diz “eixo do mal”. Palavras gastas. Servem para qualquer guerra. Basta trocar o nome do país.

De noite, no jantar, comento com minha mulher. Ela mexe o arroz e pergunta: “Qual delas?”.
Tem razão. São tantas.

Abro o Instagram. Um amigo posta a bandeira de Israel. Outro, a bandeira da Palestina. Uma terceira diz que o Irã tem direito de se defender. Ninguém se fala mais. Só compartilham links. E aquela sensação de virtude embrulha meu estômago.

Também já compartilhei sobre isso. Nem as bandeiras, nem as guerras. Somente perguntas do tipo: Por quê? Qual a razão disso tudo?
Foi só no começo. Hoje, só rolo a tela. Meu dedo cansou.

Gaza ainda está lá. Só não aparece mais com tanta frequência. O algoritmo prefere a novidade. O Irã agora é a novidade. Amanhã será outro lugar. Ou a mesma guerra com outro número de dias.
Cem dias. Duzentos. O aplicativo vai me avisar.

Sessenta dias. E o que fiz? Trabalhei. Dormi. Tive uma discussão besta no trânsito. Comprei pão. Liguei para um amigo. A guerra não entrou pela janela. Entrou pelo Wi-Fi.
Isso me envergonha. Um pouco. Mas a vergonha também cansa.

Os mortos do Irã, do Líbano… têm nome. Os de Gaza, também. Mas meus dedos já não alcançam. Meu país está longe. Minha rua está próxima, só dobrar a esquina. Então desligo meu smartphone, respiro fundo e entro em casa.

Sessenta dias. O silêncio do mundo é tão ensurdecedor. Meu silêncio, pior, constrangedor. Em silêncio, como bolachas com mel e reclamo do calor. Porque abro a geladeira… Porque ainda tenho uma geladeira para abrir.
Sessenta dias. E amanhã, sessenta e um.

O celular vai vibrar. E eu vou ler. Não vou sentir nada. E sentir esse nada vai doer — só o suficiente para escrever outra crônica. Vou seguir vivendo. Como se viver não fosse também uma forma de desistir de olhar.

Fim da tarde. O sol desce manso, como se nada estivesse acontecendo. O cinismo do mundo é esse: o céu continua azul. As andorinhas voltam do mar. E os mortos, esses, fazem uma longa fila invisível esperando a contagem.

Sessenta dias.
Caramba.

O tempo não cura nada. Só empilha dias como quem empilha sacos de areia. No fim, você tem um muro diante de si. Mas o muro também cede.

Sacos de areia e concreto em ruínas

O MESMO CÉU

O MESMO CÉU

Quase ninguém, em sã consciência, olha para o céu com outros olhos. É quase sempre de relance. Com muita pressa. Seja para ver se vem chuva ou se vem sol, ou por qualquer outro motivo que tenha a ver com o nosso mundo mais urgente e necessário.

Não é como estar debaixo das árvores. Imensas. Copadas. Onde, por exemplo, não se sente calor, tampouco frio. E se não há vento, nem brisa, isso também não importa. Somente um leve frescor pelo ar, isso já basta, é suficiente para se sentir em paz consigo próprio.

Na verdade, mesmo, um privilégio, uma graça terrena sentir-se em sintonia com a natureza. Você até escuta a folha seca cair do alto, ecoando de galho em galho… e, nesse mesmo instante, descobre um avião cruzando as nuvens, em silêncio, e nem sequer sente medo.

Mesmo assim, tudo isso é uma lástima inexplicável. Tudo isso é tão triste — uma calamidade, um flagelo. Esse mesmo céu azul, por onde as nuvens passam, é o exato céu que paira sobre os escombros de Gaza.

A ironia beira o insuportável. O avião que aqui risca a imensidão como um pássaro inofensivo, lá ainda desponta como o mensageiro do fim. É o mesmo sol que doura a folha no meu quintal, iluminando a poeira densa das casas desabadas. Falta-nos a grandeza de olhar para cima e entender o mais elementar. Respiramos todos abrigados pelo mesmíssimo teto.

O firmamento não conhece fronteiras. Não desenha mapas no alto. Tampouco escolhe de quem será a nuvem da tarde. Ele simplesmente se estende, infinito e igualitário, enquanto teimamos em fragmentar o universo em nossa volta, acreditando que o azul que nos cobre é exclusividade nossa, alheios ao fato de que a natureza oferece a vastidão a todos, sem distinção.

A verdadeira tragédia não está lá no alto. Está na cegueira de quem rasteja pela terra. Se tivéssemos a decência de contemplar o espaço com a alma desarmada, entenderíamos que o mundo é somente um único quintal, nada mais. Mas não adianta. O homem prefere olhar para baixo, para o chão. Prefere construir para, mais cedo ou mais tarde, tão logo destruir.

Somos seres amaldiçoados? Preferimos cavar trincheiras, fabricar abrigos subterrâneos para suportar o inferno que nós próprios criamos, geramos. Enquanto isso, o céu assiste a tudo, impassível, à nossa própria ruína, à nossa própria tragédia estupidamente desumana…

Será que somos mesmo seres civilizados?


Abaixo, um vídeo sobre Gaza atual:

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O COLAPSO

O COLAPSO

O que acontece no mundo beira o macabro. Acabou a ilusão da guerra distante, restrita a um único CEP. O controle ruiu. O cenário virou uma panela de pressão global engolindo Irã, Israel, Estados Unidos e o que mais estiver no caminho.

Tudo acelerou após o ataque aéreo contra mil alvos no Irã. A meta era paralisar o país. O Irã não cedeu. Em vez do confronto direto, respondeu com tempestades de mísseis balísticos e drones. A tática é a exaustão financeira: vencer pelo cansaço do bolso inimigo, obrigando o gasto de fortunas para interceptar cada ataque até esgotar as defesas aéreas.

O fogo se alastrou. Mísseis sobre Israel, o Líbano arrastado para o caos e as rotas navais do Golfo Pérsico bloqueadas. Uma teia de cordas grossas onde todos se enforcam.

Os Estados Unidos entraram com força bruta, colhendo apenas protestos e rachaduras políticas internas. A Europa recuou. Assombrada pelo espectro da crise energética e migratória, abraçou a diplomacia. A vitrine da união ocidental trincou. Washington afundou num buraco negro geopolítico: pensam que entrar numa guerra é apenas apertar um botão, mas sair dela é quase impossível.

O que embrulha o estômago, no entanto, é a carne civil. Já não se disputa território; disputa-se o fôlego do dia seguinte. Casas, hospitais e escolas viraram escombros. Água e luz são luxos de um passado recente.

Há crianças crescendo sob o uivo das sirenes, aprendendo que o trauma é a regra do mundo. O futuro cobrará a conta. Uma geração inteira tem a mente mutilada hoje.

No fim, o lucro é zero. Resta apenas o custo incalculável da incerteza. O que sangra no tabuleiro não é o poder militar, mas o próprio pilar que sustenta o que resta de ordem no mundo. A única dúvida é se ainda existe alguém lúcido o bastante para pisar no freio antes que a vingança consuma o que sobrou.

Esta crônica é exclusiva do blog. Para mergulhar em outras histórias, vá ao menu e visite a página [RESUMOS/ÁUDIO/LIVROS].

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O PREÇO DO FOGO E O PESO DO SILÊNCIO

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O Preço do Fogo

E o Peso do Silêncio


Enquanto o mundo arde, o fogo queima mais além, nós assistimos ao incêndio pela tela fria do smartphone ou da TV. Estamos apáticos, sentimos uma preguiça de não pensar para não fazer doer ainda mais. Do conforto anestesiante de nossos lares, então consumimos essa loucura, essa tragédia geopolítica, sentindo uma frustração estéril, uma indignação de sofá que morre antes mesmo de cruzar a porta de casa.

Mas, ainda assim, este alerta precisa ecoar, precisa insistir, nem que tenha que reverberar como um soco no estômago de nossa inércia: não podemos mais ser a plateia muda assistindo o nosso próprio fim.

Há uma ironia totalmente macabra em todo esse tabuleiro global mais atual: menos de um punhado de pessoas com mentalidade velhaca e criminosa está nos ferrando silenciosamente por trás. É uma verdadeira “quadrilha” que sorrateiramente chantageia as rédeas da política sem ninguém notar. E pior, decidiu arriscar: risca um palito de fósforo sob uma nuvem de gás inflamável.

Mas afinal, quem irá se queimar?

Enquanto move a chama, sente-se protegido pela distância, não se importa com o preço da insana estupidez, sabe que será pago de imediato com a vida de crianças e civis inocentes que tombam sob o fogo. Mas a fatura dessa loucura não respeita fronteiras, pode ter certeza disso. O alerta é claro e universal: as classes trabalhadoras de todo o planeta arcarão com as consequências desse jogo insano de poder. Sim, isso mesmo, pode acreditar: somos nós a engrenagem que move o mundo, que continuamos, no fim das contas, a financiar com suor e empobrecimento, as bombas desses tiranos.

É exatamente por isso que o vazio de nossas avenidas é tão ensurdecedor e vastamente decepcionante…

Onde estão os milhões marchando? Sim! Onde está o levante popular exigindo o fim dessa insanidade?

O conformismo revela nossa cumplicidade. O alerta bate em nossa porta, exige nossa ruptura: parem de apenas assistir à mídia, recusem o papel de vítimas, tomem as ruas ou qualquer outro espaço de mobilização! É um dever moral dizer um sonoro “NÃO” a esse grupo criminoso que empurra a humanidade para o abismo!

Não nos enganemos com a ilusão de que este é apenas mais um conflito regional passageiro! A gravidade do nosso tempo está batendo em nossa porta e ninguém parece ouvir ou, quem sabe, espera alguém ir lá abrir…

Mas quem?

Estamos atravessando um dos momentos mais difíceis e críticos da história da humanidade, a turbulenta transição de uma ordem mundial para outra. A encruzilhada é impiedosa, não podemos nos afastar da TV! Mas perceba: se continuarmos de braços cruzados, se continuarmos nos recusando a nos envolver de forma mais sincera e ativa, o futuro cobrará seu tributo com guerras ainda maiores e cada vez mais sangrentas.

O alerta grita na porta, o recado foi dado e o relógio da história não perdoa a omissão. Ou a sociedade civil global se levanta para arrancar os fósforos das mãos dessa quadrilha ou amanhã todos nós, sem exceção, seremos consumidos pelo fogo que nos recusamos a apagar.


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O QUE RESISTE

O QUE RESISTE


A guerra chega devagar, como um homem velho subindo uma escada. Primeiro um pé, depois o outro. Depois, quando você menos espera, ela está ali, sentada na sua sala, contando mentiras sobre honra.

Estive pensando nisso esta manhã, enquanto limpava meus óculos. As notícias chegam pelo rádio, pelas redes sociais, mas as notícias nunca contam a verdade. Dizem que o Irã está fabricando armas nucleares. Dizem ser preciso agir com a mesma voz com que disseram sobre o Iraque, sobre o Afeganistão, sobre tantos lugares que já não existem mais como existiam.

Estamos falando de uma civilização cujos ancestrais ainda viviam em cavernas. E isso não é arrogância, é apenas um fato. Os norte-americanos sequestraram o presidente na Venezuela. Disseram ser por causa das drogas. Sabemos que não é isso. É pelo petróleo que brilha na superfície da água como sangue de peixe.

Um homem pode justificar qualquer coisa se tiver uma boa história. Na guerra, aliás, cada um com sua própria justificativa. Não importa se eles têm famílias, têm receios, têm olhos que nos olham enquanto perecem. No final, a justificativa não importa. O que importa é que eles estarão mortos e eu estou aqui, escrevendo sobre isso.

O petróleo é apenas petróleo. Queima, move máquinas, suja as mãos. Mas os homens matam por ele como matam por mulheres ou por terras há mais de três mil anos. Nada muda. Apenas as armas ficam mais eficientes.

No Irã, as crianças ainda devem estar brincando nas ruas. Os mercados ainda devem estar cheios de especiarias e tecidos coloridos. Os velhos ainda devem se sentar à sombra das mesquitas azuis, contando histórias sobre Alexandre e sobre os árabes e sobre os mongóis que vieram e foram embora. Porque no Oriente Médio os impérios vêm e vão como as marés, mas o povo fica.

Agora virão os bombardeios inteligentes, as munições guiadas por precisão, os comunicados oficiais. Chamarão de operação, de intervenção, de defesa preventiva. Mas no fundo é sempre a mesma coisa: homens com poder enviando homens sem poder para matar outros homens que também não têm poder.

E quando tudo acabar, quando o último poço estiver seco e a última bomba tiver caído, o que restará? Os poemas persas ainda existirão. As mesquitas ainda estarão de pé, talvez. E os velhos continuarão sentados à sombra, contando sobre o tempo em que os americanos vieram, com suas justificativas e suas bombas, e depois foram embora.

Porque, no fim, a única coisa que realmente importa é o que resiste. O petróleo acaba. As justificativas também. Mas um povo antigo, milenar, que já viu impérios nascerem e morrerem, esse continuará.


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O VELHO, O MAR E A ESTUPIDEZ DOS HOMENS

Ilustração do Velho e o Mar
Imagem Ilustração Gemini

O Velho, o Mar e a Estupidez dos Homens

Ele era um homem que sabia que nenhum outro escritor americano jamais teve sua estatura ou influência, tanto literária quanto cultural, mas sabia também que, sem aquela ilha, ele não seria quem foi. Ernest Hemingway olhava para trás, para Cuba, o lugar onde viveu mais da metade de sua vida e onde escreveu muitas de suas obras mais significativas, sentindo a ressaca de uma saudade profunda.

Ele lembrava-se de ter dito uma vez: “Em Cuba, encontrei o lugar perfeito para escrever”; não pelo rum, como pensam os turistas que imaginam o gigante de barba grisalha nos bares, mas pela atração magnética do mar e da pesca magnífica que o fez retornar em 1932. Ele via-se novamente no convés do Pilar, ou alugando o Anita do contrabandista Josie Russell, aprendendo que um homem não deve transportar nada "que possa falar". Aquelas águas do Golfo, onde ele caçava submarinos nazistas como se fossem marlins metálicos, eram o seu verdadeiro lar.

Na Finca Vigía, comprada com o dinheiro de Por Quem os Sinos Dobram, ele não estava apenas escrevendo; ele estava vivendo a essência da vida. Ele via a torre branca que Mary construiu para ele — quieta demais para escrever, na verdade — e sentia o cheiro dos livros na biblioteca, onde fazia anotações nas margens sobre o tempo e a pesca.

Mas agora, ao observar o horizonte político, a nostalgia do velho escritor transformava-se em uma fúria silenciosa. Ele lembrava-se bem do início daquele embargo liderado pelos EUA, uma barreira fria que já durava 40 anos na época do documentário.

Se ele pudesse ver a estupidez dos tempos atuais, veria que a crueldade não mudou, apenas os nomes. Ver um líder como Trump bloquear a exportação de petróleo para a ilha, sufocando a energia de um povo que já sofre tanto, seria para ele a repetição de um erro histórico grotesco. Ele, que dedicou sua medalha do Nobel ao povo cubano e à Virgem do Cobre, veria nessa asfixia econômica a semente de mais um genocídio, uma indiferença à vida humana tão brutal quanto a que devasta Gaza. É a mesma tática de cercar, esfomear e esperar que a dignidade morra antes do corpo.

Retornando às suas memórias documentadas, ele sabia que a política sempre tentou manchar a pesca. Ele ficou terrivelmente nervoso no final da vida por ser rotulado como comunista, sabendo que J. Edgar Hoover mantinha arquivos sobre ele. Ele foi cauteloso com a revolução de Fidel no início, tentando cobrir suas bases, embora pudesse ter simpatizado com a mudança de regime. A ironia não lhe escapava: o próprio Castro preservou sua casa e memória porque ‘Por Quem os Sinos Dobram’ ensinou táticas de guerrilha para vencer exércitos maiores.

No fim, o que importava não eram os governos, mas o povo de Cojímar. Aqueles pescadores, seus “heróis”, que doaram as hélices de bronze de seus barcos para fundir um busto em sua homenagem após sua morte. Ele partiu em 1960 para nunca mais voltar à “casa do seu coração”, deixando para trás seus livros, seus troféus e um povo que, apesar dos bloqueios e da estupidez dos políticos do norte, insistia em manter seu legado vivo.

Retrato de Ernest Hemingway
Ernest Hemingway

Ernest Hemingway (1899-1961) foi um influente escritor norte-americano, vencedor do Nobel de Literatura (1954) e do Pulitzer (1953).

Principais Obras:

  • O Velho e o Mar (1952) — Novela que garantiu o Pulitzer e impulsionou o Nobel.
  • Por Quem os Sinos Dobram (1940) — Baseado em suas vivências na Guerra Civil Espanhola.
  • O Adeus às Armas (1929) — Romance sobre a Primeira Guerra Mundial.
  • O Sol Também Levanta (1926) — Obra marcante da “Geração Perdida”.
  • Paris é uma Festa (1964) — Memórias póstumas sobre sua vida em Paris.

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MURROS EM PONTA DE FACA

Murros em Ponta de Faca

Os Estados Unidos vivem uma crise que não é apenas política, mas humana. A chegada de agentes federais a Minnesota, sem convite do governador, abriu uma ferida que expôs a fragilidade do federalismo e a incoerência de um país construído por imigrantes, mas que agora tenta negar suas próprias raízes.

Famílias foram separadas. Pais deportados, filhos cidadãos deixados para trás, obrigados a viver em terras que não conhecem. Como se não bastasse, o histórico conflito racial continua a marcar a vida dos cidadãos negros, ampliando a sensação de exclusão e perseguição.

O paradoxo é evidente: o próprio presidente que impulsionou essas medidas é descendente de imigrantes. Se seus antepassados tivessem sido tratados com a mesma dureza, talvez a história fosse outra.

E é nesse cenário que lembramos nomes como George Floyd, Renee e Pettri. Suas mortes não podem cair no esquecimento. Elas são o lembrete de que políticas autoritárias e violência institucional não apenas dividem a nação, mas ceifam vidas.

Que suas histórias sirvam de alerta para que os Estados Unidos não continuem a dar murros em ponta de faca, ferindo a si mesmos e comprometendo o futuro de todos.

Ilustração Copilot
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OBS. Lembrem-se de que dezenas de imigrantes foram mortos sob custódia do governo Trump.

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O ESPELHO ESQUECIDO DA TRANSITORIEDADE.

O Espelho Esquecido da Transitoriedade.

O mundo é um ponto azul. Frágil. Passageiro. Todos nascem, caminham, partem. É simples. Mas o poder esquece. Age como se fosse dono da terra. Ergue muros contra quem busca apenas sobreviver.

O “sonho americano” virou pesadelo. Asfalto. Sangue. René Nicole, uma jovem de 37 anos, morreu em Minnesota. Morta por agentes de imigração. O governo a chamou de “terrorista”. Não era. Era só uma mulher. E mãe. Mãe de três crianças. A palavra “terrorista” serviu para encobrir o crime. Para esmagar a confiança. Para espalhar ódio, revolta.

Menny Chaves também é vítima disso tudo. Vítima do medo. Tem só 16 anos. Ele já não sonha, preocupa-se. Só deseja que os pais voltem do trabalho vivos. Ele fala de um presidente sem empatia. Um homem que trata pessoas como cães. A polícia segue a ordem. Não protege. Ameaça. Mata a tiros.

O tirano esquece que também é passageiro. Persegue o imigrante. Persegue a própria história. Fronteiras são cicatrizes. Elas não param a vida.

Um jovem de Oregon disse: viver assim é morar em casa de vidro. O dono atira pedras nos vizinhos. Não percebe. O último estilhaço vai destruir o próprio teto.

Algo de muito errado está se passando com ele… não é só com a gente, com o mundo. Ninguém está vendo isso?

Fonte / Referência:

Assista: Mídia NINJA / UOL

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O BANQUETE SOBRE O ABISMO

O Banquete Sobre o Abismo

Tente não se perder no brilho das telas de cinema. Você cresceu acreditando que o mundo é um cenário de Hollywood, onde heróis invencíveis salvam o dia antes dos créditos subirem.

No entanto, a realidade é uma roteirista muito mais cruel e menos afeita a finais felizes. Aquela potência militar insuperável que povoa seus sonhos de consumo foi, na verdade, convidada — isso para dizer o mínimo — a se retirar do Iraque, do Afeganistão e da Líbia, deixando o rastro do amargo regresso de seus próprios filhos do solo do Vietnã.

É curioso observar como vocês, e muitos de seus pares aqui no Brasil, olham para o Norte como se avistassem a Nova Jerusalém.

A verdade, contudo, é que os Estados Unidos estão mergulhados em uma crise sem precedentes, tentando escapar desesperadamente de uma arapuca que eles mesmos montaram: um mundo de fantasia sustentado por falsas comunicações garbosas.

Enquanto você admira o brilho do dólar, saiba que esse país é um dos mais violentos do globo, ostentando quase cinco vezes mais encarcerados per capita do que a China e convivendo com o horror quase diário de possíveis ataques armados em escolas.

O capitalismo selvagem deles produz uma vida fútil e desprovida de propósito, onde quarenta milhões de pessoas buscam refúgio em drogas e outros cinquenta milhões não sabem se terão o que comer amanhã.

É uma ironia trágica, não acha? Um país com um PIB de 28 trilhões de dólares — catorze vezes maior que o brasileiro — que mantém sua população jogada às traças, sem o básico acesso à saúde.

E no centro desse picadeiro, temos figuras que usam a comunicação para empilhar baboseiras e desviar a atenção de governos que fracassam sistematicamente. Promessas de invasões e fortunas multiplicadas em esquemas de criptomoedas e valores fictícios na bolsa são somente castelos de areia.

São como aquelas esculturas à beira do mar: basta a primeira chuva da realidade para que tudo se desfaça em minutos.

Para entender esse cenário, pense na imagem de um banquete luxuoso servido sobre um tapete que esconde um abismo: os convidados elogiam a prataria e o brilho dos lustres, ignorando que o chão sob seus pés está cedendo, e que o anfitrião, enquanto sorri para as câmeras, já está vendendo as cadeiras onde todos se sentam.

Não se deixe enganar pela estética do poder.

A ganância e a falta de empatia não são defeitos de percurso, são a própria essência de um sistema que idolatra o veneno.

Há quem trate bem os 'ovos das serpentes', esperando gratidão; só não se surpreenda se uma delas o picar. Compreenda: não é por ódio, mas porque é de sua natureza, a mesma que alimenta o fascismo.


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