20 de set. de 2026

O ETERNO AMANHÃ

O Eterno Amanhã - Ilustração

Estamos quase no fim de setembro. Logo entraremos no mês de outubro e, no primeiro domingo desse novo mês, vamos votar nas eleições para presidente. Quisera estarmos errados, mas tudo indica que haverá o segundo turno. Uma pena, pois, incontestavelmente, há uma grande diferença de experiência de projetos já realizados entre eles.

Enquanto isso, muitos especialistas falam nas redes sociais — inclusive sobre geopolítica. Mas não se preocupe: nada de panfletagem por aqui, apenas uma reflexão sóbria a respeito. A começar por aquela lembrança do velho globo terrestre que aparecia nas fotografias de quando éramos alunos na escola. Faz sentido.

Aliás, por falar em “geopolítica”, essa palavra quase não se ouvia… ao menos não durante os bancos escolares daquela época. O que tínhamos eram mapas. Tanto dependurados nas paredes das salas de aula quanto impressos nos livros de Geografia.

Mas os mapas não se importam com as nossas opiniões. Eles apenas mostram os países, os estados, os continentes e o lugar exato onde cada um de nós se encontra — como aqui no Brasil, por exemplo. E, geopoliticamente falando, essa palavra agora ganha um peso urgente. Durante muito tempo, este chão foi enxergado como um território à margem do desenvolvimento, ficando para trás, com o futuro sempre empurrado para um eterno amanhã.

Agora, o jogo pode mudar.

Sob a grama e a rocha, o nosso solo guarda o que os homens das grandes capitais do mundo desesperadamente cobiçam: densas concentrações de terras raras, como o nióbio para ligas de defesa e aeronaves, e o lítio para mover os veículos do futuro. Não é romantismo. É mineral.

Enquanto isso, três sombras compridas se debruçam sobre a mesa.

Os primeiros são os homens de Washington. Eles olham para o nosso país porque temem depender do minério chinês para fabricar seus chips, caças e redes de segurança nacional.

Os segundos são os homens de Pequim, que nos encaram porque não aceitam perder o controle da cadeia global de suprimentos que construíram ao longo de décadas.

E os terceiros são os homens da Europa, que também nos rondam porque precisam de baterias e turbinas eólicas, sem desejar ficar à mercê dos outros dois gigantes.

Todos eles oferecem capital, tecnologia e um caminhão de promessas. Até porque nosso país possui portos modernos voltados para o Atlântico Sul e rotas estratégicas ligadas ao resto do continente. Embarcar a pedra bruta nos porões de um cargueiro estrangeiro é fácil — o difícil é decidir quem realmente vai ditar os rumos do navio.

A história da nossa terra é clara, mas também é triste: no passado, levaram o pau-brasil; depois, o ouro, a borracha e o ferro; mais recentemente, extraímos o petróleo do pré-sal sem antes consolidar plenamente o refino e o parque industrial próprio.

Se repetirmos o mesmo roteiro agora, a riqueza bruta cruzará o mar e o valor agregado se dissolverá, beneficiando tanto o hemisfério norte quanto o outro lado do oceano.

A questão central não é o que repousa debaixo dos nossos pés. A questão é se haverá maturidade e coragem para recusar as tentações fáceis do momento. Decidir processar a riqueza no próprio solo, verticalizar a cadeia produtiva e gerar ciência nacional exige visão de Estado, firme e lúcida.

O mundo está, sim, olhando para nós. E não olha por generosidade, diplomacia romântica ou simpatia cultural. Olha, porque precisa urgentemente da nossa terra para garantir sua própria hegemonia pelas próximas décadas.

Essa encruzilhada terá de ser encarada nos próximos três a cinco anos. Um povo pode optar por ser o senhor de sua própria casa ou se conformar em ser o eterno quintal de suprimentos para a casa dos outros.

Será que continuaremos despachando nossas riquezas a granel enquanto nos distraímos com o barulho estéril das redes sociais?

Geopolítica será apenas isso?


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Texto de autoria de Juidson Campos. Ilustração gerada via inteligência artificial com direção de arte do autor.

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