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As Minúsculas Formiguinhas de Morro Grande
Com o verão se aproximando, Morro Grande se prepara para sua verdadeira invasão anual. Não a de turistas, mas a delas: as minúsculas e implacáveis formigas que veem nosso pequeno povoado como um grande banquete ao ar livre.
Minha guerra particular começou anos atrás, num oitavo andar na Rua da Praia, em Porto Alegre. Encontrei uma trilha de formigas que, ludibriada pela parede verde do prédio, acreditou ter encontrado a Mata Atlântica, mas acabou estacionando, confusa, no carpete da minha sala. Aquela foi a tropa de reconhecimento; as verdadeiras conquistadoras são as pequeninas, as colonizadoras que não fazem trilhas, simplesmente se materializam no pote de açúcar.
Fugi delas. Mudei de bairro e até de cidade, achando que um novo CEP seria minha salvação, mas foi inútil. Elas já me esperavam no novo endereço, provando não haver refúgio em lugar nenhum. Aqui, em Morro Grande, descobri um formigueiro-mãe, um general de seis patas insuflando suas tropas para a campanha de verão:
— Avante! Nenhum grão de açúcar ficará para trás!
Enquanto nós, humanos, nos armamos com simpatias inúteis como cravos e cascas de limão, elas avançam com uma disciplina militar. Aprendemos da forma mais difícil que, no calor das cidades ou povoados, não somos donos de nossas casas, mas meros inquilinos. No fundo, tudo pertence a elas.
Há quem diga que elas fazem bem para os olhos. Não acredito, estão por toda parte. Por falar nisso, preciso checar se não esqueci de fechar meu açucareiro, não é muito palatável tomar café com elas boiando.