AS QUATRO ESTAÇÕES DE OURO

AS QUATRO ESTAÇÕES DE OURO

Lembro-me como se fosse ontem: a primavera, flores brotando e o aroma inebriante no ar; o verão, dias longos e quentes, perfeitos para a praia; o outono, folhas amarelas criando um tapete mágico no chão; e o inverno, noites aconchegantes, perfeitas para um chocolate quente e um bom livro de suspense sob os cobertores.

Era uma época em que tudo funcionava como um relógio. As plantas sabiam quando florescer, os animais quando migrar e os humanos quando plantar e colher. A natureza era um ciclo perfeito, uma dança harmoniosa entre todos nós.

"Mas hoje... as quatro estações já são uma lembrança cada vez mais distante."

O clima enlouqueceu. A primavera chega doente e antes do tempo; o verão é torrencialmente escaldante; o outono tornou-se seco, fétido, estragado; e o inverno oscila entre o úmido intenso e um calor insuportável. As plantas crescem confusas, os animais pressentem o perigo e os humanos se entreolham desesperados.

A culpa é nossa. Poluímos o ar, a água e a terra. Continuamos desmatando, queimando combustíveis fósseis e abrindo mares de soja. Estamos destruindo o equilíbrio e agora pagamos o preço.

O ser humano é tolamente teimoso, um estúpido ganancioso voraz. Um dia, quem sabe, sem ter mais o que comer, conseguirá finalmente saborear seus pratos de moedas de ouro. Mesmo que lhe doam os dentes e o estômago, pouco importa: são pérolas lançadas aos porcos que nunca souberam o que a natureza representa.

As quatro estações ficarão no passado, como uma relíquia de um tempo em que sabíamos cuidar do que era vivo.