6 de jul. de 2026

Hemingway e a Queda do Punho Norte-Americano

Vídeo de Danny Haiphong que inspirou esta reflexão.

Eu estava navegando na internet, pesquisando no YouTube, quando assisti a este vídeo dublado de Danny Haiphong. Ele é um jornalista, um escritor norte-americano falando de guerras, de presidentes, de homens ricos que mandam no destino dos outros.

A princípio, não entendi muito bem. Nunca fui bom em política. Mas o escutei falar e, de repente, pareceu que o mundo é uma mesa de pôquer onde só alguns jogam com cartas marcadas — porque o mundo tem elites, guarda segredos e há países que se enfrentam como touros em uma arena.

Então pensei em Hemingway, que escrevia sobre touros e sobre aqueles homens que bebiam e esperavam a morte, sobre guerras que não faziam sentido. E eu, ainda muito jovem na década de 70, só queria entender por que tudo parecia tão pesado, tão angustiante, embora suas histórias fossem mais interessantes e comoventes.

Naquela época, quando eu saía na rua, até parecia que o vento soprava como em Havana, seco e salgado. Eu também lembrava de Paris, mesmo sem nunca ter ido lá. Imaginava Hemingway sentado em um café, escrevendo com frases curtas, sem adorno. Talvez fosse assim que se deveria falar da política: sem adorno, sem mentira. Só o que é.

Danny Haiphong, neste vídeo, fala de poder, de manipulação, de verdades escondidas. Estranho... eu pensava que o mundo fosse como uma luta de boxe em Cuba: dois homens no ringue, uma briga mano a mano. Não é verdade; quero dizer, pelo menos agora, porque pelo visto quem decide o resultado é quem está fora, quem segura o dinheiro. E nós, uns idiota que assistimos, ficamos somente com a poeira, com o suor que não é nem mesmo nosso.

Como disse, não sei de política, muito menos de geopolítica, mas sei que há homens que mandam e há povos que sofrem. Sei que a verdade nunca vem inteira. Sei que o mundo é duro, como dizia Hemingway. Bem, mesmo sem entender muito bem o que Danny diz, agora carrego a preocupação como Hemingway carregava uma garrafa de rum: pesada, amarga, mas necessária... Caramba, quanta saudade ele devia sentir de Cuba!

Talvez escrever seja a única forma de lutar. Escrever simples, sim, como ele escrevia. Não entendo tudo, mas preciso tentar assim mesmo. Porque, afinal de contas, o mundo é grande, e eu sou pequeno. Mas, ainda assim, quero olhar para ele sem baixar os olhos com medo.

Imagine. Agora entendi o vídeo do jovem Danny. É um manifesto, um monólogo. E tudo isso por causa do dia 4 de julho, que foi anteontem, quando Trump disse que os Estados Unidos são excepcionais. Disse, inclusive, que são o melhor país do mundo!

Não é verdade. O império americano está em declínio. É odiado. As elites de poder causam sofrimento em nome desta hegemonia. No Irã, milhões choram seu líder assassinado. Milhares morreram em uma guerra de 37 dias iniciada pelos Estados Unidos e Israel. Crianças foram mortas em ataques. Israel ataca o Líbano com apoio americano. É genocídio. O mesmo em Gaza.

Pior. Os Estados Unidos estão perto de uma guerra nuclear com a Rússia. A classe que domina Washington, o Pentágono, Wall Street e os monopólios não aceita que a Rússia se levantou. A guerra na Ucrânia começou porque os Estados Unidos apoiaram nazistas em 2014. Que a Rússia luta e avança. Quanto mais avança, mais ameaças recebe. A OTAN segue ordens americanas. A guerra nuclear é uma possibilidade real. Só os Estados Unidos utilizaram armas nucleares. O Japão foi atacado e hoje tem mais bases americanas do que qualquer outro país.

Os Estados Unidos não agem como civilização. Agem como bárbaros. Estão arruinando vidas em todo lugar. O padrão de vida caiu desde que o império se consolidou. A pobreza explodiu. A dívida prende países. Só a China oferece cooperação real. Os Estados Unidos acusam a China de armadilha da dívida, mas são eles que deixam rastros de genocídio. Povos indígenas, escravidão, Filipinas, Vietnã, Coreia, Iraque. Meio milhão de iraquianos mortos por sanções. Chamaram isso de “vale a pena”.

Devemos ficar indignados. O império americano está em declínio. Há caos político interno. O povo sofre. O tempo está acabando, e o confronto com o sul global é inevitável. E o Irã é a chave da Eurásia. É parceiro da Rússia e da China. O objetivo final dos Estados Unidos é impedir que a China se torne a maior economia. Mas isso vai acontecer. A China assusta porque pode criar cooperação que exclui os Estados Unidos. Eles não sabem cooperar. Só sabem dominar.

Israel e Estados Unidos são duas faces da mesma moeda. Trabalham pelo mesmo império. Quanto mais os Estados Unidos declinam, mais violentos ficam; quanto mais violentos, mais o mundo busca alternativas. Cuba tenta se libertar do bloqueio. O Irã busca concessões para aliviar seu povo. Não é traição. É sobrevivência. Precisamos abandonar visões binárias. Geopolítica não é jogo. É vida. É luta de classes global.

O império americano é sustentado por uma elite secreta. Muitos não têm acesso ao poder. São explorados. Mas carregam a culpa. Não devemos sentir culpa. Devemos sentir raiva. Devemos ter determinação para acabar com o poder dessa elite. A multipolaridade é o caminho. A vitória da Rússia na Ucrânia será um golpe no império. Bem, a China, ao contrário, cresce sem guerra. Cooperação mútua é seu modelo. Diferente da dominação americana.

A humanidade não é o excepcionalismo americano. Precisamos encarar a realidade. O império aposta no colapso para enriquecer ainda mais. Alguns acreditam no fim dos tempos. Querem pegar tudo e deixar o resto sem nada. A luta da humanidade é contra isso. Só vamos sair juntos. Com solidariedade. Não com desespero, mas com otimismo e ação.

Nos Estados Unidos, milhões vivem na pobreza. Dívidas, prisões, racismo, violência. É difícil criar solidariedade. Mas há bilhões no mundo construindo algo diferente. Há resistência no Líbano, em Gaza, no Irã. A ordem multipolar está nascendo. O dólar perde força. A humanidade avança. A elite é minúscula. Quer que nos desesperemos. Quer que celebremos o 4 de julho sem pensar.

Não, não é assim. Precisamos pensar. Precisamos nos conectar. Verdade. Precisamos parar de desprezar os pobres, os presos, os imigrantes. Precisamos de dignidade. Portanto, precisamos de multipolaridade. Essa é a mensagem. Um caminho turbulento, sim, mas há esperança. A luta pela paz precisa continuar.

Hemingway e a Queda do Punho Norte-Americano

Ilustração original: "A verdade nunca vem inteira". Técnica de nanquim e carvão gerada por IA/Gemini.


Juidson Campos
Escrevinhados • Autor

COMPARTILHE ESTA CRÔNICA: