NEM TUDO SE VIVE SÓ DE CLICHÊ

Imaginemos duas situações. Você é um cara bem conhecido, bem quisto, respeitado no seu pedaço de chão. De repente, o vento muda de direção e começam a te acusar por um suposto crime que você não cometeu. De repente, te acusam disso e daquilo, com efeito devastador. Quase todos parecem os donos da verdade e acreditam em calúnias contra a tua nobre pessoa.

Podem até te levar em cana, preso sumariamente! Você fica meses sem poder explicar que "tomada elétrica não é focinho de porco", que isso foi uma baita sacanagem. Mesmo assim, você é condenado em primeira e segunda instância, como uma patrola passando por cima de tudo. Finalmente, após muito esforço jurídico, você é inocentado em terceira instância. A justiça tarda, mas não falha?

Agora imaginemos o oposto: inocentado nas duas primeiras, mas condenado na última! O que importa aqui é que você ficou preso erradamente por quase 600 dias. De fato, nossa sociedade tem essa postura austera de "primeiro se prender para depois se julgar", herança de um passado colonial que massacrou povos indígenas e afrodescendentes.

Vivemos o trauma de uma ditadura militar e a opressão constante sobre os trabalhadores mais pobres, as comunidades faveladas e os nordestinos. O preconceito enrustido e a ignorância racista culminam em episódios como o do imigrante congolês morto a pauladas — um fiasco brutal que logo vira "fogo de palha" na memória nacional.

Tudo isso aconteceu com o Lula. Assistimos ao espetáculo midiático pela TV. E agora o algoz, o ex-juiz que virou ministro (e não ganhou a vaga no Supremo), vira candidato a presidente com a cara de pau de continuar acusando quem já nem responde a processo nenhum. Se fosse nos "States" que ele tanto idolatra, garanto que já estaria preso sem mimimi!

Eles pensam que somos massa de manobra. No mato sem cachorro, o povo é bombardeado por WhatsApp e fake news o dia inteiro. São tantas imundices, tantas falcatruas. Assistimos a assistentes de algozes fazendo PowerPoint desesperado em redes sociais. Não há cristão que aguente esse descalabro.

Precisamos mudar, mas sem "arminha" nos dedos e sem mamadeira de piroca! Somos gente de carne e osso, não somos logaritmos. Foram quatro anos postos fora e levará muito tempo para consertar o estrago. O que será de nós, o que será do nosso país?