A FACADA

Agora escuto no rádio o boletim médico do estado de saúde do candidato presidenciável. Do jeito que o locutor narra, dá a impressão de que muitos ouvintes já estejam até com lenços descartáveis à mão. A facada produziu grande impacto, um efeito trágico e bem oportuno. Desliguei o rádio. Estou cheio disso tudo. Sinto uma certa vergonha de ser brasileiro.

Esse Bolsonaro vem ameaçando o povo há algum tempo. Ele idolatrou até o Brilhante Ustra, torturador do DOI-CODI. Bolsonaro defende a tortura, diz que a ditadura matou pouco e que “quem gosta de procurar osso é cachorro”. Declarou que só não estupraria uma deputada porque ela não merecia e prometeu metralhar a petralhada.

Ele propaga ódio, preconceito e homofobia de modo natural, brincalhão. Lentamente, está contagiando seguidores que agridem qualquer um de vermelho nas ruas. Quem nos garante que até o assassinato de Marielle Franco não tenha algum envolvimento desse grupo? E os tiros contra a caravana do Lula? E a senadora gaúcha que prega baixar o relho no lombo?

A mídia pouco divulga, apenas notinhas de rodapé. Mas Bolsonaro, segundo os médicos, precisou de muito sangue durante a cirurgia. Sabemos que todo sangue doado é utilizado em transfusões. Quem garante que ele não recebeu sangue de algum petista, quilombola, gay ou comunista que ele tanto persegue?

Quem passa por uma cirurgia complexa não deveria, depois, parar de conduzir gestos de morte e dizimação? Não deveriam ser gestos de agradecimento? Ele não foi nem capaz de incentivar a doação de sangue. Messias? Ora, sejamos francos: ele não passa de um fariseu e vigarista fantasiado de líder político!

Texto: Juidson Campos