O ESPCTADOR SILENCIOSO

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O ESPECTADOR SILENCIOSO

Observo, atônito, o mundo que construímos. Uma sinfonia caótica de fumaça e concreto. Parece que a natureza chora em silêncio por saber que o futuro se esvai em uma névoa quase imperceptível. Sinto-me um mero espectador, testemunha impotente de um espetáculo macabro que a humanidade encena para si mesma.

Lembro-me da infância, quando a brisa sussurrava segredos nas folhas e o sol era um abraço acolhedor. A terra era um lar vibrante. Mas, com o tempo, essa melodia celestial foi substituída por dissonâncias ensurdecedoras. O mundo empolgou-se com as indústrias e a velocidade.

Trocamos a pureza das águas por mares de plástico; o verde das florestas por desertos áridos. Cegos pela ganância, deixamos a "batata quente" nas mãos das futuras gerações. Sei que sou parte disso; sou uma minúscula roldana nessa engrenagem do sistema de consumo. Utilizo os mesmos produtos que poluem e respiro o ar contaminado das ruas asfaltadas.

Sinto-me cúmplice. Um observador silencioso que assiste ao colapso anestesiado pelo conforto da tecnologia. A culpa não apaga o fogo, nem replanta as árvores; ela apenas me paralisa diante da tragédia que se desenvolve vorazmente em torno de mim.

Em meio a essa penumbra fria, busco uma faísca de esperança que jaz apagada dentro de mim. Tento encontrar outros "pontilhos" solitários que, talvez, já estejam lutando: plantando árvores, limpando rios, educando crianças. Outros seres divagando em silêncio enquanto observam o céu.

Talvez a culpa de hoje se transforme em esperança amanhã. Quero acreditar que serei mais do que um observador — um fio de luz na corrente da mudança, sabendo que não fui apenas mais uma parte da engrenagem.

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